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Após aprovação no Congresso, LDO 2026 aguarda apenas sanção do presidente Lula

Presidente Lula falando diante de um microfone durante entrevista; destaque para matéria sobre a LDO 2026, que aguarda sanção. Após aprovação no Congresso, LDO 2026 aguarda apenas sanção do presidente Lula

Projeto da LDO 2026 aprovado pelo Congresso chega à etapa final e aguarda apenas sanção do presidente Lula, podendo sofrer vetos parciais que alterariam meta fiscal, limites de gasto e regras para emendas | Ricardo Stuckert

Por André Freitas, DA REDAÇÃO, em 08/12/25, às 8h06 — A vigência da Lei de Diretrizes Orçamentárias — LDO de 2026, que estabelece a espinha dorsal do Orçamento Federal do próximo ano, aguarda apenas a sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A aprovação no Congresso, semana passada, encerrou uma tramitação marcada por quase quatro meses de atraso, cujo fim ocorreu na quinta-feira (4). Trata-se, a princípio, de um fator que, além de comprimir prazos, tensiona a elaboração técnica e discussão pública da Lei Orçamentária Anual — LOA. 

Nesse sentido, a LOA já está em fase final de tramitação no Congresso Nacional. Mas há de se convir que o ideal não ocorreu. Em outras palavras, o melhor fluxo do processo legislativo ocorreria com a LDO já finalizada, dentro da previsibilidade dos prazos legais ideais. Desse modo, municípios e estados que dependem de recursos para investimentos e manutenção de serviços essenciais ficam ainda mais dependentes das “Emendas Pix“.

Basicamente, em linhas gerais, trata-se do que se pode perceber em uma leitura superficial dos documentos. Via de regra porque esse acabou se tornando o meio imediato de remessa de recursos.

Contudo, a depender da decisão do presidente Lula, o texto pode receber vetos parciais. Em contrapartida, isso obrigaria o Poder Legislativo a apreciar os vetos, em nova votação. Em caso de veto, sua derrubada exige maioria absoluta257 dos 513 deputados e 41 dos 81 senadores — mecanismo que reforça o caráter político e técnico da última etapa do ciclo orçamentário.

Logo, a disputa política em torno dos eventuais vetos seria intensa. Até porque a LDO aprovada praticamente paralisa iniciativas do Executivo  em 2026. Há na LDO, por exemplo, travas de gastos, limites de expansão e proibições de criação de fundos. Em suma, medidas criticadas com certo grau de razão por pessoas próximas ao Planalto por reduzirem a autonomia do governo em ano eleitoral.

Meta fiscal, limites de gasto e um orçamento já comprimido

O Congresso aprovou uma meta de resultado primário de R$ 34,3 bilhões (0,25% do PIB), com banda de tolerância de ±0,25 ponto. Na prática, isso significa que a meta será considerada cumprida até mesmo com resultado primário zero, caso a arrecadação não avance como previsto.

O governo, ainda assim, enfrenta um cenário de aperto fiscal estrutural. O limite de despesa primária, primordialmente calculado pelas regras do arcabouço fiscal, ficou em R$ 2,43 trilhões, com crescimento real máximo de 2,5%. Esse teto pressiona áreas estratégicas e reduz o espaço para investimentos novos, já que despesas obrigatórias — previdência, pessoal, benefícios e saúde — aumentam ano após ano.

A LOA de 2026, já em tramitação na Comissão Mista de Orçamento, reflete essa compressão. O projeto prevê receita total de R$ 6,33 trilhões e reserva R$ 197,8 bilhões para investimentos das estatais, enquanto estima operações de crédito condicionadas superiores a R$ 300 bilhões, que dependem de autorização posterior do Congresso.


As prioridades do governo Lula

Manutenção do Programa Bolsa Família está dentro das prioridades do governo da Lei de Diretrizes Orçamentárias - LDO | Divulgação Governo Federal

Manutenção do Programa Bolsa Família está dentro das prioridades do governo da Lei de Diretrizes Orçamentárias – LDO | Divulgação Governo Federal

Na Mensagem Presidencial enviada junto ao PLOA, Lula destacou que as prioridades para 2026 incluem:

  • Programas sociais de transferência de renda e proteção às famílias vulneráveis;

  • Infraestrutura, com foco em estradas, saneamento, integração logística e obras estruturantes em estados menos desenvolvidos;

  • Políticas ambientais, com destaque para transição energética, combate ao desmatamento e obras de adaptação climática;

  • Desenvolvimento regional, priorizando projetos de impacto imediato na economia real.

O texto presidencial enfatiza que esses programas formam o núcleo do que o governo considera “projetos de Estado”, e não apenas de gestão. Ao mesmo tempo, alerta que as amarras da LDO e o avanço das despesas obrigatórias limitam a capacidade do Executivo de ampliar investimentos públicos, fundamentais para a geração de emprego.


Emendas parlamentares: o centro da disputa

A LDO determina que o governo pague 65% das emendas impositivas — individuais e de bancada — até o fim do primeiro semestre de 2026.

Parte dessas verbas sai da chamada reserva de contingência destinada a emendas impositivas.

Fazendo uso de retórica prolixa repleta de jargões obscuros com o propósito de criar constrangimento ao destinatário do texto, a cara de pau vai longe, quando o assunto se refere às emendas pix. Em síntese, dizem que as regras  estabelecidas buscam padronizar e agilizar repasses, ao mesmo tempo em que fixam limites técnicos para a execução.

Dentro desse contexto, estão ainda os cancelamentos e critérios específicos para ajustes. Igualmente, a definição de valores mínimos para as transferências especiais, as chamadas “emendas Pix”.

  • R$ 200 mil para obras

  • R$ 150 mil para serviços

Esses repasses caem diretamente nas contas de estados e municípios, sem necessidade de convênio ou projeto prévio. Embora acelerem obras locais, eles reduzem a capacidade do governo federal de conduzir um planejamento central coerente.

Na visão do Planalto, as emendas engolem grande fatia do orçamento discricionário. Essa crítica ganhou peso quando Lula declarou que o Congresso “sequestra 50% do orçamento da União” — expressão que repercutiu nacionalmente e reforçou a disputa em torno da LDO e da LOA.


Congresso cria amarras que causam impacto direto na liberdade de governo

A LDO aprovada proíbe, em 2026:

  • Criação de novos fundos públicos;

  • Ampliação de desonerações;

  • Aumento de despesas obrigatórias;

  • Criação de despesas permanentes;

  • Ampliação de políticas públicas por via de fundos;

  • Qualquer gasto adicional, exceto em caso de calamidade pública.

Essas limitações surgem exclusivamente porque 2026 é ano eleitoral. A nosso ver, as vedações principalmente à criação de novos fundos públicos,  assim como a ampliação de políticas públicas por via de fundos representam ingerência excessiva do Congresso que enfraquecem a capacidade do país de crescer, planejar e investir num cenário econômico já apertado.

Ao expor esse nosso olhar, deixamos clara nossa preocupação com o país e não com o atual governante. Afinal, nos parece inadmissível frear o desenvolvimento de um país em razão da realização de eleições. Dessa forma, a cada dois anos, comprometeremos a economia. Pois ano sim, ano não, temos eleição.


Municípios e entidades sociais ganham permissões específicas

A LDO ampliou a flexibilidade para cidades com menos de 65 mil habitantes, que poderão receber recursos federais mesmo com pendências de regularidade fiscal. Para a saúde, autoriza repasses a entidades sem fins lucrativos que executam obras físicas, desde que atendam à regulamentação federal.

Houve, por outro lado, a ampliação da lista das despesas não contingenciáveis — aquelas que o governo não pode bloquear. Em meio a algumas repletas de plausibilidade, está embutido o FUNDÃO ELEITORAL.

Para deixar bem claro: o Poder Executivo, ou seja, o presidente da República, em tempo algum ao longo de 2026, por causa alguma, não poderá impor qualquer limite de gastos ao fundo eleitoral — bilhões de dinheiro público destinado a partidos políticos e suas despesas com a eleição.

  • pesquisas da Embrapa;

  • seguro rural;

  • fundo eleitoral;

  • ações de defesa agropecuária.

Salário mínimo: expectativa de R$ 1.627 em 2026

A LDO trabalha com valor revisado de R$ 1.627 para o salário mínimo a partir de janeiro de 2026. O valor final depende do índice de inflação de novembro, conforme determina a política de valorização do salário mínimo.


Despesas correntes, regra de ouro e os desafios de 2026

O governo também prevê violação da chamada regra de ouro, da Lei 4.320/1964, que impede endividamento para pagar despesas correntes — aquelas do dia a dia: salários, energia, material, assistência e manutenção. Para executá-las, o Congresso precisará aprovar crédito suplementar com maioria absoluta.


Glossário Folha do Leste – para qualquer leitor entender

  • Meta de resultado primário – objetivo que mostra se o governo vai gastar mais do que arrecada, sem contar juros da dívida.

  • Resultado primário zero – situação em que o governo empata: nem sobra nem falta dinheiro.

  • Despesa primária – tudo o que o governo gasta sem incluir juros, como saúde, educação, previdência e salários.

  • Despesa corrente – gastos do dia a dia: salários, luz, limpeza, compra de material.

  • Emenda Pix – dinheiro enviado direto para prefeitura ou governo estadual, sem projeto, com pouca burocracia.

  • Sanção – assinatura do presidente para transformar o projeto em lei.

  • Veto – quando o presidente risca parte do texto por discordar ou por entender que é inconstitucional.

  • Derrubada de veto – quando o Congresso desfaz a decisão do presidente.

  • Arcabouço fiscal – conjunto de regras que limitam quanto o governo pode gastar, para tentar evitar desequilíbrio nas contas.

  • Despesa não contingenciável – gasto que o governo não pode cortar ou bloquear.

  • Mensagem Presidencial – documento que acompanha a LOA e explica prioridades, riscos, motivações e planos do governo para o orçamento do ano seguinte.

André Freitas
Diretor-Executivo e repórter do Folha do Leste e da Brasil 21 Comunicação. Radialista e Jornalista desde a década de 1990. Narrador esportivo e cronista especializado em Carnaval, com 26 coberturas presenciais na Marquês de Sapucaí. Tem vasta experiência na cobertura da editoria de política em razão dos cargos públicos que exerceu nos poderes Legislativo e Executivo: Câmaras Municipais de Niterói, São Gonçalo, Campos dos Goytacazes, além da Alerj e ainda na Prefeitura de Niterói. Dirigiu a Rádio Absoluta por 15 anos, onde apresentou programas noticiosos diários. Pela emissora, cobriu por mais de uma década a seleção brasileira de futebol e esteve em duas Copas do Mundo e uma Olimpíada. Narrador esportivo e cronista especializado em Carnaval, tem 26 coberturas presenciais na Marquês de Sapucaí. Trabalhou, também, nas rádios Campos Difusora (Campos/RJ) e (Litorânea/ES). Exerceu cargo de editor-chefe em Olho Vivo (Niterói/RJ) e A Tribuna (Niterói/RJ). Colunista do jornal O Diário (Campos dos Goytacazes/RJ).

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