Rio de Janeiro - Capital

Polícia mira núcleo financeiro do Comando Vermelho em operação no RJ

Policiais civis durante operação contra lavagem de dinheiro ligada ao Comando Vermelho no Rio

Polícia mira núcleo financeiro do Comando Vermelho em operação no RJ | Reprodução

O núcleo financeiro do Comando Vermelho virou alvo de uma grande operação da Polícia Civil nesta sexta-feira (29). A ação mira um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao tráfico de drogas do Complexo do Salgueiro, em São Gonçalo, na Região Metropolitana do Rio.

Segundo as investigações, a estrutura criminosa movimentou mais de R$ 453 milhões. Até o momento, 21 pessoas foram presas. Entre elas está Raquel Neves dos Santos Mendonça, apontada como mulher de Antônio Ilário Ferreira, o Rabicó, liderança histórica da facção no Salgueiro.

Operação acontece em várias cidades

A Delegacia de Repressão a Entorpecentes conduz a investigação. Nesta sexta, os agentes cumprem mandados em diferentes municípios do Estado do Rio.

As ações ocorrem na capital, em São Gonçalo, Itaboraí, Duque de Caxias, São João de Meriti, Iguaba Grande e Armação dos Búzios. Além disso, há diligências em São Paulo, Paraná, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul e Maranhão.

A operação reúne equipes da Polícia Civil e da Polícia Militar. Participam agentes da Core, do DGPE, DGPC, DGPB, DGPI, DGPTC, Bope e outras unidades operacionais.

Polícia mira núcleo financeiro do Comando Vermelho em operação no RJ | Reprodução

Investigação durou um ano e quatro meses

A apuração da DRE durou cerca de um ano e quatro meses. Nesse período, os investigadores identificaram uma estrutura voltada à ocultação, dissimulação e lavagem de recursos do tráfico.

O Ministério Público do Rio apresentou denúncia por meio do Gaeco. Em seguida, a 1ª Vara Criminal Especializada em Combate ao Crime Organizado autorizou mandados de prisão, busca e apreensão e medidas patrimoniais.

O objetivo central da operação é enfraquecer a capacidade econômica do Comando Vermelho. Afinal, sem fluxo financeiro, a facção perde força para comprar armas, abastecer pontos de venda de drogas, pagar operadores e sustentar redes de apoio.

Empresas de fachada entraram no radar

Durante a investigação, os agentes encontraram diálogos envolvendo Rabicó e o principal operador financeiro da facção. A polícia não divulgou a identidade desse suspeito.

Segundo a apuração, ele atuava como gestor financeiro do grupo. Entre suas funções estariam lavagem de dinheiro, administração de empresas de fachada, movimentações bancárias e uso de terceiros para ocultar patrimônio.

O esquema usava empresas de reciclagem e ferros-velhos, contas bancárias de passagem, depósitos fracionados em espécie, notas fiscais falsas e intensa movimentação entre empresas ligadas ao grupo.

Além disso, a DRE identificou transferências milionárias feitas por empresas de reciclagem e comércio de sucatas para contas do investigado e de empresas controladas por ele.

Queima de cabos de cobre reforçou suspeitas

A investigação também encontrou indícios de receptação qualificada e compra de materiais de origem suspeita.

Durante as diligências, os agentes identificaram áreas usadas para queima clandestina de cabos de cobre e estabelecimentos ligados ao operador financeiro. Para a polícia, esses elementos reforçam a suspeita de integração entre atividades ilícitas e lavagem de dinheiro.

Os valores movimentados apareceram em Relatórios de Inteligência Financeira, análises bancárias, afastamentos de sigilo fiscal, telefônico e telemático, além de cruzamentos de dados patrimoniais.

Quem é Rabicó

Antônio Ilário Ferreira, conhecido como Rabicó ou Coroa, tem 61 anos e comanda o tráfico no Complexo do Salgueiro desde o fim dos anos 1990, segundo as investigações.

Ele nasceu na comunidade da Mineira, na Zona Norte do Rio, e possui extensa ficha criminal. Rabicó responde por crimes como associação criminosa, homicídio e roubo majorado.

O traficante chegou a ser preso em 2008, em Pernambuco. Na época, segundo investigações, vivia com a família e atuava como empresário do setor de reciclagem.

Condenado a mais de 27 anos, cumpriu pena em unidade prisional de segurança máxima em Campo Grande, no Mato Grosso do Sul. Em 2019, recebeu benefício da Justiça e deixou a prisão.

Investigações também associam Rabicó a roubos de veículos na BR-101 e a práticas de extorsão inspiradas em métodos usados por milícias. Segundo relatos policiais, ele anda cercado por seguranças e já teria feito procedimentos estéticos para tentar dificultar sua identificação.

Operação atinge caixa do tráfico

A ofensiva desta sexta não mira apenas pontos de venda de drogas. O foco está no dinheiro. Para investigadores, atacar empresas, contas, operadores e patrimônio pode comprometer a engrenagem que sustenta a facção.

No crime organizado, a lavagem de dinheiro funciona como ponte entre a violência armada e a economia formal. Por isso, reciclagem, ferros-velhos, notas fiscais, contas de passagem e empresas de fachada entram no centro da investigação.

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Enzo Carvalho
Enzo Carvalho é jornalista profissional, com atuação voltada à cobertura de inovação, tecnologia, cotidiano e esportes. Ex-jogador profissional de e-sports, traz para o jornalismo uma compreensão prática do universo digital, das plataformas tecnológicas e das transformações provocadas pela cultura conectada.

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