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Câmara de Niterói aprova aumento da Moeda Arariboia e benefício de Natal

Em sessão da Câmara realizada nesta terça-feira (11), vereadores de Niterói votam projeto de lei que aprova aumento da Moeda Arariboia e, ainda, estabelece benefício de Natal | Arquivo/Folha do Leste

Em sessão da Câmara realizada nesta terça-feira (11), vereadores de Niterói votam projeto de lei que aprova aumento da Moeda Arariboia e, ainda, estabelece benefício de Natal | Arquivo/Folha do Leste

A Câmara Municipal de Niterói aprovou, por maioria, nesta terça-feira (11), o Projeto de Lei nº 447/2025, de autoria do Poder Executivo, reajustando em 12% o valor pago às famílias cadastradas no Programa Moeda Social Arariboia. Ao mesmo tempo, a proposição, também estabeleceu o Apoio Arariboia de Natal. Em suma, um abono especial com pagamento em dezembro às famílias inscritas no programa.

A matéria teve votação definitiva, em segunda discussão, após longo debate entre parlamentares da situação com a oposição. O placar final indicou a aprovação da proposta, em seu texto original, com 16 votos a favor, com rejeição das quatro emendas propostas. O presidente Milton Cal (União), fez questão de exercer o voto a favor da proposta.

Por outro lado, cinco oposicionistas se abstiveram: Douglas Gomes, Alan Lyra, Fernanda Louback e Daniel Marques, todos da bancada do PL, juntamente com Michel Saad Neto (Podemos).

Agora, o projeto vai à sanção do prefeito Rodrigo Neves. Com a nova lei em vigor, o benefício básico mensal subirá para 345 Arariboias (R$ 345) por família, com acréscimo de 125 Arariboias por membro adicional, até o limite de seis beneficiários. Em dezembro, haverá o pagamento do Apoio Arariboia de Natal, equivalente a uma mensalidade integral do benefício vigente.

O programa atende milhares de famílias niteroienses que vivem em situação de vulnerabilidade e dependem diretamente da Moeda Arariboia. Acima de tudo, para custear alimentação, transporte e necessidades básicas. Em muitos lares, o valor representa a única fonte de renda.

Urgente

O projeto, inicialmente protocolado no dia 4 desse mês, tramitou na Câmara em regime de urgência. Desse modo, a Comissão Permanente de Constituição e Justiça e Redação Final exarou parecer favorável à aprovação da matéria no dia seguinte. 

Assim sendo, já no dia 5, o presidente da Câmara, Milton Cal (União) colocou  o projeto para votação em primeira discussão. Em tal ocasião, conforme informações do Poder Legislativo, a propositura do prefeito Rodrigo Neves teve 12 votos a favor. Entretanto, três vereadores do Partido Liberal (PL) votaram contra: Allan Lyra, Daniel Marques e Fernanda Louback. Por outro lado, dois oposicionistas se abstiveram: Eduardo Paiva (PL) e Michel Saad (Podemos).

Custo de vida mais caro

Na Mensagem Executiva nº 34/2025, o prefeito Rodrigo Neves destacou que o reajuste busca preservar o poder de compra das famílias.

“As medidas têm por finalidade compensar a elevação do custo de vida e assegurar a continuidade dos resultados positivos alcançados pelo Programa na redução da vulnerabilidade social e na dinamização da economia local”, pondera Rodrigo Neves.

Ainda de acordo com o prefeito, a proposta de reajuste reafirma  o compromisso do governo municipal com uma política de transferência de renda efetiva e socialmente justa. Sobretudo, aliando maior coesão social e dignidade para famílias niteroienses de menor renda à responsabilidade fiscal e ao fortalecimento da economia local.

Na medida em que equilibra suas políticas sociais com o controle fiscal, o governo propôs a instituição do Abono de Natal destinado às famílias mais carentes da cidade. Segundo o texto do projeto, sempre que houver disponibilidade orçamentária, o município seguirá pagando o abono, nos próximos anos.

“Desde sua implementação, o Programa Moeda Social Arariboia tem produzido impactos expressivos na redução da vulnerabilidade social e na dinamização da economia local, mediante a injeção direta de recursos em estabelecimentos comerciais, prestadores de serviços e empreendimentos econômicos solidários. Vamos fazer de Niterói a melhor cidade para viver, prosperar e ser feliz do Brasil”, disse o prefeito Rodrigo Neves.

Natal mais gordo

Na medida em que equilibra suas políticas sociais com o controle fiscal, o governo propôs a instituição do Abono de Natal destinado às famílias mais carentes da cidade. Segundo o texto do projeto, sempre que houver disponibilidade orçamentária, o município seguirá pagando o abono, nos próximos anos.

“Desde sua implementação, o Programa Moeda Social Arariboia tem produzido impactos expressivos na redução da vulnerabilidade social e na dinamização da economia local, mediante a injeção direta de recursos em estabelecimentos comerciais, prestadores de serviços e empreendimentos econômicos solidários. Vamos fazer de Niterói a melhor cidade para viver, prosperar e ser feliz do Brasil”, disse o prefeito Rodrigo Neves.

Emendas rejeitadas

Ainda no que se refere à votação do projeto, quatro emendas foram propostas ao texto original, mas nenhuma delas teve aprovação. Duas delas, de caráter modificativo (números 001 e 002), de autoria do vereador Professor Túlio (Psol). Enquanto a primeira emenda propunha a instituição do Apoio de Natal em caráter permanente e reajustável, a outra visava o reajuste anual do benefício anualmente, de acordo com a inflação.

Outras duas emendas (números 003 e 004), têm autoria do vereador Michel Saad Neto (Podemos). Elas tinham como objeto condicionar a abertura de créditos adicionais e remanejamentos do benefício à prévia autorização legislativa; e prever reajuste anual do benefício com base no INPC, a partir de 2027.

Porém, a Comissão de Constituição, Justiça e Redação Final, considerou  como inconstitucionais as Emendas 001, 002 e 004.

“Tais emendas, embora motivadas por preocupações legítimas com a efetividade da política pública proposta, incidem em vícios formais por criarem obrigações administrativas específicas, imporem ações vinculadas, ampliarem a estrutura estatal ou criarem despesas sem estudo de impacto e autorização do Executivo”, ponderou a CCJ.

A emenda 003, contudo, não teve votos suficientes para aprovação em plenário. Principalmente, após o líder do governo, vereador Binho Guimarães (PDT), orientar votação em contrário.

Andamento da proposta na Câmara

Durante a votação, os vereadores rejeitaram, por maioria, a Emenda nº 003/2025, que pretendia condicionar a abertura de créditos adicionais à autorização prévia do Legislativo. A proposta recebeu 14 votos contrários e considerada, na prática, uma tentativa de engessar a execução orçamentária do programa.

Durante a tramitação, o vereador Daniel Marques (PL), enquanto membro da Comissão de Fiscalização Financeira, Controle e Orçamento (CFFCO), apresentou no colegiado voto contrário à aprovação da matéria, por meio de parecer contrário. No seu relatório, o parlamentar afirmou não haver condições técnicas, financeiras e jurídicas adequadas para aprovação do presente projeto de lei.

Citou, principalmente, o que ele entende como irregularidades graves, dizendo que  as mesmas são sustentadas por Acórdão do Tribunal de Contas do Estado (TCE/RJ). Ele cita, primordialmente, o convênio do município de Niterói com o Instituto E-Dinheiro Brasil. 

“Enquanto a opção do governo for manter esse instituto E-dinheiro, a gente só tem legitimidade de desconfiança e de estar colocando lupa em tudo que eles fazem. Afinal, foram expulsos de Maricá, aqui do lado, mas em Niterói continuam nadando de braçada com nosso dinheiro”, disse o oposicionista.

Mesmo sustentando essa opinião, apesar do voto contrário na comissão permanente, Daniel Marques optou por se abster na votação do projeto em plenário.

O vereador Sylvio (PT), da bancada de sustentação de Rodrigo Neves, considerou a argumentação de Daniel Marques como superada. Ele disse que, após três anos de auditoria realizada pelo Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ), houve o arquivamento desse processo na corte de contas em janeiro desse ano.

“Fico impressionado com a quantidade de “fake news” que surgem para atacar a Moeda Arariboia. Não só o Moeda Arariboia como também os demais programas de transferência de renda”, disse Sylvio.

O vereador Leonardo Giordano (PCdoB) também levantou a voz em defesa do programa de transferência de renda.

“A oposição aqui travou um debate tecnicista e na minha opinião se esquivando. Quero colocar o dedo nessa ferida senão fica o dito pelo não dito. No passado, o PL votou contra o projeto que instituiu a Moeda Arariboia. E agora, meio com medo, tá se abstendo. Antes, votou contrariamente. Agora, abstenção. Antes, eram contra. Agora, não são a favor”.

André Freitas
Diretor-Executivo e repórter do Folha do Leste e da Brasil 21 Comunicação. Radialista e Jornalista desde a década de 1990. Narrador esportivo e cronista especializado em Carnaval, com 26 coberturas presenciais na Marquês de Sapucaí. Tem vasta experiência na cobertura da editoria de política em razão dos cargos públicos que exerceu nos poderes Legislativo e Executivo: Câmaras Municipais de Niterói, São Gonçalo, Campos dos Goytacazes, além da Alerj e ainda na Prefeitura de Niterói. Dirigiu a Rádio Absoluta por 15 anos, onde apresentou programas noticiosos diários. Pela emissora, cobriu por mais de uma década a seleção brasileira de futebol e esteve em duas Copas do Mundo e uma Olimpíada. Narrador esportivo e cronista especializado em Carnaval, tem 26 coberturas presenciais na Marquês de Sapucaí. Trabalhou, também, nas rádios Campos Difusora (Campos/RJ) e (Litorânea/ES). Exerceu cargo de editor-chefe em Olho Vivo (Niterói/RJ) e A Tribuna (Niterói/RJ). Colunista do jornal O Diário (Campos dos Goytacazes/RJ).

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