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Conheça e entenda o enredo da Acadêmicos de Niterói, em homenagem a Lula

Conheça e entenda o enredo da Acadêmicos de Niterói, em homenagem a Lula

Homenagem à Lula: Conheça e entenda o enredo da Acadêmicos de Niterói, bem como os principais elementos do desfile | Reprodução

A Acadêmicos de Niterói, estreante no Grupo Especial, homenageia Luiz Inácio Lula da Silva com o enredo da Acadêmicos de Niterói focado na trajetória do operário que se tornou presidente, realizando um desfile histórico na Marquês de Sapucaí neste domingo (15). A agremiação niteroiense assume o risco inerente à primeira posição de desfile, utilizando a biografia de Lula para pautar o debate político e social em meio à polarização nacional.

André Freitas

Por André Freitas

Diretor-executivo e repórter do Folha do Leste, desde os anos 1990 cobrindo carnaval direto da Marquês de Sapucaí

Do rio de janeiro  • em tempo real

Justificativa: O pedido por um julgamento sem preconceitos

Em sua defesa oficial, a Acadêmicos de Niterói faz um apelo direto ao corpo de jurados: que a obra seja avaliada pela leitura sensível e técnica, e não por resistências ideológicas. A escola argumenta que julgar o desfile pelo “peso da bandeira” política é reduzir a arte do Carnaval a um rótulo simplista.

Certamente, a agremiação defende que a trajetória de Lula — de retirante a presidente — é um enredo épico e nacionalista que dialoga com a raiz dos próprios componentes. Visto que o Carnaval é um espaço de memória e afirmação cultural, a homenagem reafirma a vocação da Sapucaí em contar a história do Brasil a partir do olhar de quem sempre esteve à margem do poder.

A estratégia do risco: O “vai ou racha” niteroiense

Historicamente, a escola que abre os desfiles de domingo enfrenta uma luta hercúlea contra o rebaixamento. Além disso, a opção por um enredo de natureza política e contemporânea eleva a temperatura da competição. Todavia, a Acadêmicos de Niterói aposta na popularidade do homenageado e na força de sua comunidade para quebrar essa escrita.

Certamente, o enlace político é evidente. Niterói foi a única cidade do estado onde Lula venceu em 2022. Consequentemente, a agremiação conta com forte apoio do poder público municipal e de lideranças progressistas, como o vereador Anderson Pipico, para viabilizar um desfile luxuoso. Visto que a escola está sob risco desde a sua promoção, a diretoria decidiu politizar o Carnaval 2026 sob o manto da liberdade de expressão.

Personagens Principais: Os fios da narrativa

O desfile não foca apenas na figura institucional, mas nas pessoas que moldaram o caráter do personagem.

  • Dona Lindu: A personagem fundamental. É através de seus ensinamentos e da frase “Tem que teimar” que a escola justifica a resiliência de Lula. Ela é a guia do primeiro setor, narrando contos da tradição oral.

  • Luiz Gonzaga: O “Rei do Baião” aparece simbolicamente através do rádio, representando a trilha sonora da infância no agreste e a conexão cultural com o Nordeste.

  • O Menino Luiz Inácio: Representado no alto do pé de mulungu, árvore que simboliza a esperança em meio à seca de Garanhuns.

  • O Operário: A figura do torneiro mecânico do ABC, onde o macacão cinza substitui a poeira do sertão, marcando o nascimento da liderança sindical.

  • Os Retirantes: A família Silva e milhares de anônimos que, como eles, atravessaram o país no pau de arara em 1952 fugindo da fome.

OS SETORES DO DESFILE: Guia para entender o enredo

A narrativa, assinada pelo carnavalesco Tiago Martins com argumento de Igor Ricardo, divide a vida de Lula em cinco atos fundamentais:

  • 1º Setor – No choro de Luiz, à luz de Guaranhuns: Lula nasce em Pernambuco em meio à aridez e à esperança. O desfile utiliza o realismo fantástico para narrar histórias de Dona Lindu, misturando o mítico ao onírico.

  • 2º Setor – Pro destino retirante te levei Luiz Inácio: Retrata a seca de 1952 e a migração da família Silva para São Paulo em um pau de arara. As alegorias revelam a dureza da travessia em busca da “terra prometida”.

  • 3º Setor – Da luta sindical à liderança mundial: Foca na transformação do operário em líder. Lula torna-se torneiro mecânico, comanda greves na Ditadura Militar, funda o PT e chega à presidência da República como deputado constituinte.

  • 4º Setor – Teu legado é espelho das minhas lições: Destaca as políticas sociais e a luta de classes. Este setor celebra a redução da pobreza e a ascensão da “ralé” aos bens de consumo, incomodando a elite tradicional.

  • 5º Setor – Assim que se firma a soberania: O encerramento dialoga com o terceiro mandato atual. A escola faz uma ode à soberania nacional, enfrentando pautas contemporâneas e celebrando o “replantio da primavera” democrática.

O Realismo Fantástico como ferramenta estética

Para “carnavalizar” uma biografia política sem cair no tom didático, o carnavalesco Tiago Martins utiliza o realismo fantástico. No primeiro setor, medos da infância como o Papa-figo e almas penadas ilustram a dureza da vida no sertão. Portanto, a escola transforma a pobreza em poesia visual, mostrando que, mesmo no momento de maior dificuldade, a esperança (o mulungu) foi capaz de florescer.

Consequentemente, o desfile evolui da mística nordestina para a frieza do aço paulista, culminando na consagração de um líder que, segundo a escola, tornou-se o político mais bem sucedido do planeta por sua sensibilidade social.

André Freitas
Diretor-Executivo e repórter do Folha do Leste e da Brasil 21 Comunicação. Radialista e Jornalista desde a década de 1990. Narrador esportivo e cronista especializado em Carnaval, com 26 coberturas presenciais na Marquês de Sapucaí. Tem vasta experiência na cobertura da editoria de política em razão dos cargos públicos que exerceu nos poderes Legislativo e Executivo: Câmaras Municipais de Niterói, São Gonçalo, Campos dos Goytacazes, além da Alerj e ainda na Prefeitura de Niterói. Dirigiu a Rádio Absoluta por 15 anos, onde apresentou programas noticiosos diários. Pela emissora, cobriu por mais de uma década a seleção brasileira de futebol e esteve em duas Copas do Mundo e uma Olimpíada. Narrador esportivo e cronista especializado em Carnaval, tem 26 coberturas presenciais na Marquês de Sapucaí. Trabalhou, também, nas rádios Campos Difusora (Campos/RJ) e (Litorânea/ES). Exerceu cargo de editor-chefe em Olho Vivo (Niterói/RJ) e A Tribuna (Niterói/RJ). Colunista do jornal O Diário (Campos dos Goytacazes/RJ).

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