Guto Miguel fez o tênis brasileiro atravessar uma fronteira inédita neste sábado (06). Aos 17 anos, o goiano venceu o norte-americano Michael Antonius por 2 sets a 0, com parciais de 6/3 e 6/4, e conquistou o título juvenil de Roland Garros, em Paris.
Além disso, a campanha no saibro francês levará o brasileiro ao topo do ranking mundial juvenil. Guto já havia assegurado a liderança ao alcançar a final, quando ultrapassou o búlgaro Ivan Ivanov na classificação da ITF para tenistas até 18 anos.
Guto Miguel controla a final em Paris
Na decisão, Guto confirmou o favoritismo com maturidade. O brasileiro assumiu o controle do primeiro set ao conseguir uma quebra de serviço na metade da parcial. Depois, sustentou a vantagem e fechou em 6/3.
No segundo set, ele abriu vantagem confortável, viu Antonius reagir e diminuir a diferença. Mesmo assim, retomou o domínio nos pontos decisivos e fechou a final em 6/4. A partida aconteceu na quadra Simonne-Mathieu e durou 1h15.
Título encerra espera histórica
O título de Guto encerra uma longa espera do Brasil na chave juvenil masculina de simples em Roland Garros. Antes dele, brasileiros haviam chegado perto, mas pararam no vice-campeonato.
Edison Mandarino foi finalista em 1959. Thomaz Koch chegou à decisão em 1962 e 1963. Já Luís Felipe Tavares disputou a final em 1967. Desde então, o país não voltava tão perto do troféu masculino juvenil em Paris.
Brasil já tinha brilho em duplas e cadeira de rodas
O saibro francês já guardava capítulos importantes para o tênis brasileiro. Gustavo Kuerten foi campeão juvenil de duplas em Roland Garros, em 1994. Depois, construiu sua lenda com três títulos na chave principal, em 1997, 2000 e 2001.
Mais recentemente, Vitória Miranda conquistou os títulos juvenil de simples e duplas em cadeira de rodas, ampliando a presença brasileira no torneio. Ainda assim, faltava o título masculino juvenil de simples. Agora, Guto ocupou esse espaço.
Brasileiro entra em grupo seleto
Com a taça em Paris, Guto Miguel entrou para uma lista pequena de brasileiros campeões juvenis de Grand Slam em simples.
Ele se junta a Tiago Fernandes, campeão do Australian Open em 2010; Thiago Seyboth Wild, vencedor do US Open em 2018; e João Fonseca, campeão do US Open em 2023.
Número 1 do mundo juvenil
A conquista também consolida a chegada de Guto ao topo da categoria sub-18. Ele será apenas o quarto brasileiro a alcançar a liderança do ranking mundial juvenil, repetindo os feitos de Tiago Fernandes, Orlando Luz e João Fonseca.
Portanto, o título não chega isolado. Ele confirma uma temporada de ascensão, transforma o goiano em referência da nova geração e amplia o momento positivo do tênis brasileiro.
Mais do que promessa
Guto Miguel ainda está no circuito juvenil. Porém, o resultado em Roland Garros muda a escala da conversa. Campeões juvenis não têm garantia automática de sucesso no profissional, mas uma taça de Grand Slam nesse nível abre portas, chama atenção e coloca o atleta em outro patamar.
No caso do brasileiro, o peso é ainda maior. Ele não venceu apenas uma final. Ele quebrou uma barreira que atravessava décadas.








