Estado do Rio de JaneiroRio de Janeiro - Capital

Alerj: Campos dos Goytacazes tem mais um deputado estadual preso

Deputado estadual Thiago Rangel discursando na assembleia

Mais um deputado estadual na cadeia no Rio | Divulgação

A novela política do estado do Rio de Janeiro ganha mais um capítulo carcerário: o deputado Thiago Rangel (Avante) foi preso pela Polícia Federal (PF) na manhã desta terça-feira (05/05). O fato aconteceu no bojo da 4ª fase da Operação Unha e Carne e está relacionado à investigações no âmbito da secretaria de Educação fluminense. Recentemente, a PF prendeu o ex-presidente da Assembleia Legistativa do Rio de Janeiro, o ex-deputado Rodrigo Bacellar.

Quem está na mira da PF

Além de Thiago Rangel, a PF ainda busca outros seis alvos para o cumprimento de mandados de prisão. De igual forma, há ainda 23 mandados de busca e apreensão para cumprimento. A decisão judicial que fundamenta a operação partiu do Supremo Tribunal Federal (STF).

As diligências acontecem na capital, Rio de Janeiro, assim como nas  cidades de Campos dos Goytacazes, Bom Jesus do Itabapoana e Miracema.

A suposta Educação

Conforme apuramos, a PF descobriu a atuação do que classificou como  “suposta organização criminosa” atuando na pasta da Educação. Os ilícitos investigados consistem em fraudes relacionadas a processos tanto para a compra de materiais quanto na aquisição de prestação de serviços. Nesse sentido, haveriam robustos indícios de superfaturamento de obras.

Vale destacar que o período dos fatos corresponde ao governo Cláudio Castro. O mandatário renunciou ao cargo em março desse ano, sob a justificativa de se desincompatibilizar do cargo para poder disputar as eleições de outubro.

Modus operandi

O esquema funcionaria, segundo as investigações, mediante o direcionamento das licitações públicas. Em outras palavras, os procedimentos para compra de bens ou aquisição de serviços já teriam um ganhador antes mesmo de acontecer. Ou seja, sempre uma empresa ligada à suposta organização criminosa vencia os certames.

Assim sendo, caso haja comprovação da fraude, há em questão severo risco de dano ao erário. Afinal, devemos considerar que os mesmos produtos e serviços poderiam ter custado menos aos cofres públicos.

Já os eventuais excessos no preço final, somados com a majoração de custos ou vantagens indevidas a autoridades terão, como resultado, a provável imputação de crimes como organização criminosa, peculato, fraude à licitação e lavagem de dinheiro. O desdobramento das investigações ainda podem indicar a prática de outros delitos.

Histórico de operações aponta escalada do caso

A Operação Unha e Carne tem avançado em etapas sucessivas, ampliando o alcance das investigações. Ela é parte integrante da Força-Tarefa Missão Redentor II, por sua vez criada nos termos da chamada Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental 635, conhecida como “ADPF das Favelas”.

Anteriormente, alcançou Rodrigo Bacellar, por duas vezes, e Macário Ramos Júdice Neto, desembargador do estado do Rio de Janeiro. Esse encadeamento indica um aprofundamento das apurações sobre conexões entre agentes públicos e esquemas ilegais.

Reflexo político na Alerj

Diante da sequência de prisões, a Alerj volta ao centro dos debates, elevando a pressão da opinião pública sobre os membros do parlamento fluminense. A Casa informou que está à disposição das autoridades. O Legislativo ainda reforçou seu “compromisso com transparência”.

André Freitas
André Freitas é diretor-executivo e repórter do Folha do Leste e da Brasil 21 Comunicação. Jornalista e radialista desde a década de 1990, é narrador esportivo e cronista especializado em Carnaval, com 26 coberturas presenciais na Marquês de Sapucaí. Possui ampla experiência na cobertura da editoria de política, em razão de funções exercidas nos poderes Legislativo e Executivo, com atuação nas Câmaras Municipais de Niterói, São Gonçalo e Campos dos Goytacazes, além da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) e da Prefeitura de Niterói. Dirigiu por 15 anos a Rádio Absoluta, onde apresentou programas noticiosos diários e conduziu coberturas esportivas, incluindo mais de uma década acompanhando a seleção brasileira de futebol. Nesse período, esteve presente em duas Copas do Mundo e em uma edição dos Jogos Olímpicos. Trabalhou também nas rádios Campos Difusora (Campos/RJ) e Litorânea (ES). Exerceu o cargo de editor-chefe nos jornais Olho Vivo (Niterói/RJ) e A Tribuna (Niterói/RJ), além de atuar como colunista do jornal O Diário (Campos dos Goytacazes/RJ).

Leave a reply