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Tiroteio no Centro de Niterói: bandidos morrem em confronto com a PM na Av. Marquês de Paraná

Tiroteio em Niterói na Marquês de Paraná entre PM e bandidos

Tiroteio em Niterói na Marquês de Paraná entre PM e bandidos

Carro utilizado pelos criminosos — com forte armamento — colidiu contra um poste durante a tentativa de fuga da PM na Avenida Marquês de Paraná, no Centro | Reprodução

Tiroteio e Morte na Marquês de Paraná

  • Dinâmica: Criminosos em um Renault Cardian em alta velocidade tentaram furar cerco da PM e dispararam contra policiais.
  • Arsenal: Polícia apreendeu quatro fuzis, oito carregadores, duas pistolas e carga de drogas após o acidente.
  • Impacto: Perseguição terminou com o carro dos bandidos colidindo em um poste em frente ao Supermercado Guanabara.

Por André Freitas, de Niterói, com atualização às 20h41

Os primeiros raios de sol desta sexta-feira (16) em Niterói revelaram o resultado de um intenso tiroteio na Avenida Marquês de Paraná entre PM e bandidos. O fato aconteceu entre as ruas Andrade Pinto e Indígena, na pista sentido Ponte Rio-Niterói da via, deixando dois criminosos mortos e três feridos.

A princípio, houve a informação de que os envolvidos no confronto seriam do Complexo do Salgueiro, em São Gonçalo, comunidade dominada pelo Comando Vermelho. Entretanto, a secretaria de Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro, em nota ao Folha do Leste, disse que os envolvidos  atuavam no crime organizado nos morros do Estado e da Chácara,  em Niterói. 

“O bando atuava no crime organizado das Comunidades da Chácara e do Estado”, disseram, confirmando a morte de dois homens e a prisão de outros três.

A Dinâmica: da Perseguição à Batida

O grupo estava fortemente armado com fuzis e tentava atravessar o Centro quando interceptado por agentes do 12º BPM (Niterói). A ocorrência teve início durante a madrugada, por volta de 4h30.

Policiais militares em patrulhamento avistaram um veículo Renault Cardian circulando em velocidade suspeita. Nesse sentido, visando interceptá-lo, as equipes montaram um cerco tático para abordar o automóvel.

Porém, quando perceberem a aproximação das viaturas, os criminosos iniciaram uma fuga desesperada. Além disso, começaram a dispara diversas vezes contra a viatura da PM.

A perseguição se estendeu pela Avenida Marquês de Paraná ao passo que o motorista em fuga colidiu contra um poste de iluminação. A batida aconteceu, exatamente, entre as ruas Andrade Pinto (acesso ao Bairro de Fátima) e Indígena (São Lourenço), em frente ao Supermercado Guanabara.

Tiroteio em Niterói na Marquês de Paraná entre PM e bandidos

Tiroteio em Niterói na Marquês de Paraná entre PM e bandidos resulta em apreensão de fuzis, pistolas e carregadores | Divulgação PMERJ.

Após o impacto, teria havido nova troca de tiros. Dois ocupantes morreram no local enquanto os outros três, feridos, receberam socorro da própria PM. Eles deram entrada, sob custódia, no Hospital Estadual Azevedo Lima, no Fonseca.

O caso teve registro na delegacia de de Homicídios de Niterói, São Gonçalo e Itaboraí, acionada para a ocorrência.

Trânsito afetado

O desfecho da perseguição ocorreu em um dos pontos de maior fluxo viário da cidade. Em síntese, a cerca de 500 metros do acesso principal à Ponte Rio-Niterói e a apenas 200 metros do quartel do Corpo de Bombeiros, localizado do lado oposto da via.

A cena se manteve a mesma nas primeiras horas do dia, ao mesmo tempo em que a via era tomada por carros em direção ao Rio de Janeiro.

Dessa vez, o horário de rush, formou engarrafamentos maiores do que os habituais. Até porque operadores de trânsito de Niterói tiveram que interditar a faixa da direita da Marquês de Paraná, onde houve o tiroteio entre a PM e os bandidos.

A NitTrans montou uma operação especial visando facilitar o deslocamento até a chegada na Ponte. Principalmente, para motoristas que se deslocavam a Região Oceânica ou São Francisco. O órgão de trânsito montou uma reversível na Praia de Icaraí, para facilitar o fluxo sentido Centro via Ingá, pela Avenida Paulo Alves. Dali, a rota consistia em acessar a Avenida Visconde do Rio Branco e Feliciano Sodré.

Relatos de quem mora perto

Alguns moradores de áreas próximas onde a ocorrência teve fim conversaram com o Folha do Leste. Disseram, em suma não ter se surpreendido com o som de tiros na hora do sono. Complementaram, ainda, dizendo que o barulho de tiroteios já faria parte de seus cotidianos.  Entretanto, confessaram que, dessa vez, o som estava mais próximo.

“Me assustei e acordei com o barulho dos tiros. Apesar de sempre ouvirmos, e de certa forma até estamos acostumados com isso, dessa vez parecia ser mais perto. Voltei a dormir mas acordei umas sete horas com o barulho de helicópteros. Aí depois meu filho me ligou e me dei conta de que tinha sido muito perto da minha casa”, revelou uma testemunha ouvida pela reportagem do Folha do Leste.

De igual forma, outra fonte relatou a confusão entre o estado de repouso e a realidade do confronto.

“Tinha tomado remédio para dormir e ouvi os tiros. Mas estava com muito sono e voltei a dormir. Me dei conta de que tinha sido perto quando ia ao Guanabara de manhã e vi o rabecão dos bombeiros. Voltei pra casa”, afirmou a fonte, destacando a presença do carro fúnebre logo nas primeiras horas do dia perto de onde mora.

Apreensões

A motivação do confronto reside no alto poder bélico e na movimentação estratégica das facções. No interior do veículo acidentado, a PM apreendeu um arsenal de guerra: quatro fuzis, oito carregadores, duas pistolas e uma quantidade ainda não contabilizada de entorpecentes.

Além disso, o policiamento na área já estava reforçado. Sobretudo, devido a disputas territoriais recentes nos morros da Chácara e do Estado. Um fica de frente para o outro mas estariam em disputa por facções rivais: TCP (Terceiro Comando Puro) e CV (Comando Vermelho).

A cidade de São Gonçalo está fortemente dominada pelo Comando Vermelho. Principalmente, a comunidade do Salgueiro, liderada por Rabicó, cuja facção já teria planejado tomar o controle de comunidades em Niterói dominadas pelo TCP.

Identificação dos suspeitos

  • Mortos
    • Thiago de Oliveira Brum, 28 anos.
    • Jhonattan Ribeiro Silva,28 anos.
  • Feridos
    • Bruno Barcelo Campos, de 26 anos;
    • Gabriel de Sá Nunes, de 31;
    • Paulo César Dias dos Santos, de 21.

André Freitas
André Freitas é diretor-executivo e repórter do Folha do Leste e da Brasil 21 Comunicação. Jornalista e radialista desde a década de 1990, é narrador esportivo e cronista especializado em Carnaval, com 26 coberturas presenciais na Marquês de Sapucaí. Possui ampla experiência na cobertura da editoria de política, em razão de funções exercidas nos poderes Legislativo e Executivo, com atuação nas Câmaras Municipais de Niterói, São Gonçalo e Campos dos Goytacazes, além da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) e da Prefeitura de Niterói. Dirigiu por 15 anos a Rádio Absoluta, onde apresentou programas noticiosos diários e conduziu coberturas esportivas, incluindo mais de uma década acompanhando a seleção brasileira de futebol. Nesse período, esteve presente em duas Copas do Mundo e em uma edição dos Jogos Olímpicos. Trabalhou também nas rádios Campos Difusora (Campos/RJ) e Litorânea (ES). Exerceu o cargo de editor-chefe nos jornais Olho Vivo (Niterói/RJ) e A Tribuna (Niterói/RJ), além de atuar como colunista do jornal O Diário (Campos dos Goytacazes/RJ).

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