
Foto: Colaboração/ Gerson Salviano
Uma das maiores magazines do país, a Leader, encerrou as suas atividades na última sexta- feira (18), no anexo ao Plaza Shopping de Niterói.
Ainda de acordo com populares que frequentam sempre a região, era visível a falta de movimentação nos últimos dias. Os consumidores lamentaram o fechamento da unidade.
Entretanto, para aqueles que ainda querem fazer suas compras em uma rede da Leader no município de Niterói, ainda é possível encontrar uma unidade da Magazine, na Zona Sul, em Icaraí.
Procurada pelo FOLHA DO LESTE, a empresa não se pronunciou.
Recuperação Extrajudicial
A rede varejista, Leader, teve um ano turbulento em 2016, como afirmou o próprio presidente, André Peixoto, em entrevista.
“ Tivemos em 2016 um ano turbulento. Desde agosto que trabalhando no equacionamento da dívida, acredito que essa foi a virada de página da empresa”, disse.
Após dois anos, em 2018, a companhia carioca homologou uma recuperação extrajudicial na Justiça do Rio de Janeiro.
Em 2020, logo após a pandemia (Covid-19), que impactou de forma negativa a rede, a empresa protocolou mais um pedido de recuperação judicial, através da 3ª Vara Empresarial do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro.
Exatamente 1 ano após o processo conturbado (2021), a rede anunciou a demissão de 400 funcionários e o fechamento de 20 lojas, com o argumento de um plano para reestruturar e se manter ativa.
O FOLHA DO LESTE, conversou com o professor e economista, Carlos Cova, que comentou sobre o processo judicial da Leader e como isso foi afetando a rede.
“A rede de Lojas, Leader, vem padecendo de um problema recorrente no varejo brasileiro, que se traduz, de forma resumida, por um descasamento entre os prazos de pagamento (menores) e os prazos de recebimento (maiores), fazendo com que ao longo do tempo ocorra uma gradual deterioração do caixa da empresa e um uso cada vez maior de dívidas para prosseguir com as operações”, disse o economista.
Cova, ainda ainda falou sobre o impacto que pode causar na cidade de Niterói, com o fechamento da unidade.
“Com relação, especificamente, ao fechamento em Niterói, trata-se de um evento lastimável para a cidade. Provavelmente não houve um bom resultado na negociação com o locador do espaço, que perde uma importante âncora para o conjunto dos negócios na região. Fica uma sensação de deterioração do espaço urbano e provavelmente haverá um reflexo para a região, sem contar na perda dos postos de trabalho”, concluiu Carlos.
A Leader teve mais de 140 unidades espalhadas pelo Brasil (2016), atualmente estima-se que esse número não passe de 50.
Natalie Vitorino