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Ministro Alexandre de Moraes, do STF, decreta prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro após atos pró-anistia

Ex-presidente Jair Bolsonaro já está cumprindo em casa a prisão  domiciliar determinada pelo Ministro Alexandre de Moraes, do STF, sob o argumento de violação de medidas cautelares | Tânia Rêgo - Agência Brasil

Ex-presidente Jair Bolsonaro já está cumprindo em casa a prisão  domiciliar determinada pelo Ministro Alexandre de Moraes, do STF, sob o argumento de violação de medidas cautelares | Tânia Rêgo – Agência Brasil

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta segunda-feira (4) a prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A decisão representa uma escalada sem precedentes nas tensões entre Judiciário e setores da oposição, acentuando o clima de instabilidade que paira sobre o país.

Segundo Moraes, Bolsonaro utilizou redes sociais de terceiros. Principalmente, de seus três filhos parlamentares com objetivo de divulgar mensagens com “claro conteúdo de incentivo e instigação a ataques ao Supremo Tribunal Federal.

Violações de medidas cautelares

Moraes também menciona que Bolsonaro usou do mesmo meio para “obter apoio ostensivo à intervenção estrangeira no Poder Judiciário brasileiro”. Nesse sentido, menciona a chantagem feita por Donald Trump ao Brasil, mediante o anúncio de sanções econômicas contra o Brasil por conta do processo que Bolsonaro responde no STF.

Ministro Alexandre de Moraes afirma que determinação de prisão ocorre por violação de medidas cautelares alternativas | Marcelo Camargo/Agência Brasil

Ministro Alexandre de Moraes afirma que determinação de prisão ocorre por violação de medidas cautelares alternativas | Marcelo Camargo/Agência Brasil

Além disso, há ainda as medidas anunciadas contra o próprio Moraes, como sua proibição de entrar nos Estados Unidos. Também, de enquadramento na Lei Magnitsky, cuja aplicação se destina a violadores de direitos humanos.

As postagens ocorreram no domingo (3), durante atos públicos em diversas capitais em apoio ao ex-presidente.

“Não há dúvidas de que houve o descumprimento da medida cautelar imposta a Jair Messias Bolsonaro”, escreveu o ministro, ao apontar que o ex-presidente, mesmo sem utilizar diretamente suas redes, burlou de forma deliberada as restrições impostas pela Corte.

As medidas cautelares em vigor desde 25 de julho incluíam o uso de tornozeleira eletrônica, proibição de sair de casa à noite e nos fins de semana, e proibição de uso de redes sociais — próprias ou de terceiros. As restrições foram impostas no âmbito do inquérito que apura suposta tentativa de golpe de Estado.

Moraes entendeu que a publicação de um vídeo no perfil do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), com discurso gravado do pai durante manifestação em Brasília, configura violação explícita da ordem judicial.

Casa monitorada e celulares apreendidos

Polícia Federal faz busca e apreensão na casa do ex-presidente Jair Bolsonaro, em ato anterior ao decreto de prisão domiciliar do ministro Alexandre de Moraes | Marcelo Camargo/Agência Brasil

Agora, a nova decisão do STF estabelece que Jair Bolsonaro cumpra prisão domiciliar integral em seu endereço residencial em Brasília. Ele está proibido de receber visitas. A exceção, entretanto, se resume a familiares diretos e advogados. Alexandre de Moraes também determinou o recolhimento do aparelhos de telefonia móvel de Bolsonaro. Tal medida, assim como o reforço das restrições visam impedir novas violações à decisão anterior do Supremo.

Em contrapartida à decisão, a Polícia Federal esteve na casa de Jair Bolsonaro no fim da tarde desta segunda-feira (04) para cumprir o mandado. Inicialmente, ele não queria assinar o documento, argumentando que desejava fazê-lo na presença de seus advogados. Entretanto, por convencimento dos próprios agentes federais, entregou seu telefone e tomou ciência por escrito da decisão .


Atos públicos e manifestações políticas

Durante os atos de domingo, políticos, religiosos e apoiadores de Bolsonaro criticaram as decisões do STF e pediram anistia para os envolvidos nos ataques de 8 de janeiro. O evento na Avenida Paulista, em São Paulo, contou com a presença de lideranças da direita, como o pastor Silas Malafaia. Também houve protestos em Brasília e no Rio de Janeiro.

Alguns manifestantes exibiram bandeiras dos Estados Unidos e faixas com críticas à Corte. Moraes mencionou esses elementos como agravantes do cenário. O Ministro considerou que os eventos foram usados para “driblar a censura judicial” e difundir discursos contrários à ordem constitucional.

Escalada institucional e cenário indefinido

A decisão, ainda monocrática, passará por análise colegiada da 1ª Turma do  STF Supremo Tribunal Federal, Enquanto isso não acontece, seus efeitos já colocam o país em um novo patamar de tensão.

A prisão domiciliar do ex-presidente precisa estar amparada por fatos e fundamentos robustos capazes de explicar todos os pressupostos violados da preservação da autoridade do Judiciário. Em outras palavras, teremos mais um embate de interpretações  e ponderações jurídicas dos limites da liberdade de expressão. Para isso, os sistemas de freios e contrapesos da Constituição Federal ficarão mais uma vez em xeque. Tal fato, a nosso ver, revela extrema gravidade e raridade institucional.

O processo judicial segue seu curso, com garantias legais asseguradas. No entanto, os desdobramentos políticos — que deveriam passar longe da Corte — permanecem incertos.

O Brasil passará por um grande teste nas próximas horas, sobretudo para o equilíbrio institucional do país.

André Freitas
Diretor-Executivo e repórter do Folha do Leste e da Brasil 21 Comunicação. Radialista e Jornalista desde a década de 1990. Narrador esportivo e cronista especializado em Carnaval, com 26 coberturas presenciais na Marquês de Sapucaí. Tem vasta experiência na cobertura da editoria de política em razão dos cargos públicos que exerceu nos poderes Legislativo e Executivo: Câmaras Municipais de Niterói, São Gonçalo, Campos dos Goytacazes, além da Alerj e ainda na Prefeitura de Niterói. Dirigiu a Rádio Absoluta por 15 anos, onde apresentou programas noticiosos diários. Pela emissora, cobriu por mais de uma década a seleção brasileira de futebol e esteve em duas Copas do Mundo e uma Olimpíada. Narrador esportivo e cronista especializado em Carnaval, tem 26 coberturas presenciais na Marquês de Sapucaí. Trabalhou, também, nas rádios Campos Difusora (Campos/RJ) e (Litorânea/ES). Exerceu cargo de editor-chefe em Olho Vivo (Niterói/RJ) e A Tribuna (Niterói/RJ). Colunista do jornal O Diário (Campos dos Goytacazes/RJ).

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