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Stratasys anuncia nova impressão 3D para fabricar peças em série

Impressora 3D industrial produz peças plásticas em série, enquanto engenheiros acompanham a fabricação em uma instalação tecnológica.

Stratasys anuncia nova impressão 3D para fabricar peças em série | Folha do Leste/Imagem ilustrativa gerada por IA

A Stratasys anunciou uma nova solução de impressão 3D destinada à fabricação de peças plásticas em série, com apresentação marcada para 17 de novembro de 2026. A fabricante confirmou nesta quinta-feira (29) que revelará o equipamento durante a Formnext, em Frankfurt, na Alemanha. A tecnologia pretende ampliar a produção de componentes utilizados diretamente em produtos industriais, em vez de concentrar a fabricação aditiva apenas em protótipos e ferramentas.

A companhia ainda mantém em segredo o nome, o processo de impressão e as especificações da nova máquina. Entretanto, já confirmou sua proposta: produzir grandes quantidades de peças poliméricas com consistência e capacidade de expansão.

Além da novidade, a Stratasys apresentará a impressora F870 ao mercado europeu e demonstrará aplicações desenvolvidas por fabricantes como Toyota e General Motors. A programação também inclui materiais avançados, equipamentos de pós-processamento e tecnologias utilizadas nas indústrias aeroespacial, automotiva e de defesa.

Nova impressora 3D da Stratasys será revelada em novembro

A apresentação acontecerá em 17 de novembro, às 13h no horário da Alemanha, equivalentes às 9h de Brasília. O anúncio ocorrerá no estande D129, localizado no pavilhão 12.1 da Formnext 2026.

Segundo a fabricante, o novo sistema foi desenvolvido para produzir componentes poliméricos finais em grandes quantidades, mantendo características consistentes entre as unidades.

Essa proposta responde a um dos principais desafios da manufatura aditiva industrial. Afinal, fabricar uma peça funcional não significa necessariamente conseguir produzir centenas ou milhares de unidades com o mesmo desempenho.

Quando uma empresa pretende incorporar componentes impressos aos produtos que comercializa, precisa considerar repetibilidade, produtividade e controle de qualidade.

Além disso, deve compreender como os equipamentos se comportam durante operações prolongadas e quais processos garantem a estabilidade das peças produzidas.

A Stratasys afirma que o novo sistema foi concebido para atender a essas exigências. Entretanto, a empresa ainda não divulgou dados que permitam medir sua capacidade de produção.

Também permanecem desconhecidos o volume de impressão, os materiais compatíveis, a velocidade de fabricação e o preço comercial.

Portanto, não é possível afirmar que a novidade será mais rápida ou econômica que determinados equipamentos concorrentes antes da apresentação de seus resultados técnicos.

Produção em série exige mais do que imprimir peças rapidamente

Na fabricação convencional, a produção em série busca manter características semelhantes entre componentes fabricados em grandes quantidades.

Para alcançar esse resultado com impressão 3D, os fabricantes precisam controlar diferentes etapas, desde a preparação do arquivo digital até a inspeção final.

Temperatura, comportamento do material, posicionamento das peças e condições de processamento podem influenciar os resultados.

Além disso, a repetibilidade precisa continuar adequada ao longo de diferentes ciclos de fabricação. Não basta que uma única impressão apresente qualidade satisfatória.

Outro aspecto importante envolve a produtividade. Uma impressora pode produzir uma peça excelente, mas apresentar dificuldades para atender à demanda de uma fábrica que necessita de quantidades elevadas todos os dias.

Por isso, a avaliação de sistemas industriais também considera quantas peças aprovadas conseguem produzir durante determinado período.

Esse indicador depende não apenas do tempo de impressão, mas também da preparação, manutenção, remoção dos componentes e eventuais retrabalhos.

A nova plataforma da Stratasys pretende avançar nessa direção. Contudo, a fabricante ainda não apresentou informações suficientes para calcular sua produtividade efetiva.

Stratasys F870 também será apresentada na Formnext

Além do equipamento inédito, a fabricante levará à Alemanha a Stratasys F870, lançada originalmente em 9 de setembro de 2026.

A impressora utiliza tecnologia FDM, baseada na extrusão de materiais termoplásticos. Nesse processo, um cabeçote aquece e deposita material camada por camada até formar o objeto.

O equipamento apresenta uma câmara de impressão de 1.000 × 610 × 610 milímetros, permitindo fabricar componentes com até um metro de comprimento no eixo principal de construção.

Além disso, a estrutura possui aquecimento controlado, característica importante para trabalhar com determinados polímeros industriais.

Segundo a Stratasys, a câmara pode operar a 95 °C. Dessa maneira, o sistema procura reduzir diferenças térmicas capazes de provocar deformações durante a fabricação de peças grandes.

O equipamento também apresenta secagem integrada de materiais e cabeçotes desenvolvidos para diferentes necessidades de processamento.

Entretanto, a F870 não é a máquina inédita que a empresa pretende revelar em 17 de novembro. Sua participação na Formnext marcará a estreia europeia de um produto já anunciado e apresentado anteriormente.

F870 permite fabricar ferramentas industriais de grande porte

A Stratasys desenvolveu a F870 principalmente para produzir ferramentas, dispositivos de fixação, gabaritos e equipamentos auxiliares utilizados nas fábricas.

Esses componentes não precisam integrar os produtos comercializados ao consumidor. Mesmo assim, podem desempenhar funções importantes durante a montagem, a inspeção e a movimentação de materiais.

Um dispositivo de fixação, por exemplo, ajuda a manter uma peça na posição correta enquanto um trabalhador ou uma máquina executa determinada operação.

Já os gabaritos permitem orientar procedimentos de montagem e verificar características de componentes.

Segundo a fabricante, a F870 suporta até duas semanas de operação contínua sem supervisão, conforme as condições e configurações anunciadas para o equipamento.

Entretanto, essa capacidade representa uma especificação comercial. Não significa que qualquer trabalho poderá permanecer duas semanas sem acompanhamento ou que todas as empresas alcançarão o mesmo resultado.

A Stratasys também destaca a possibilidade de utilizar termoplásticos industriais, incluindo materiais reforçados com fibra de carbono.

Assim, a empresa pretende oferecer uma alternativa para organizações que precisam fabricar ferramentas grandes sem depender exclusivamente de fornecedores externos.

Toyota e General Motors mostram impressão 3D no chão de fábrica

A indústria automotiva terá espaço importante na apresentação da Stratasys. A empresa anunciou demonstrações de aplicações realizadas por fabricantes como Toyota e General Motors.

Entre as atividades previstas está uma apresentação sobre simulação e validação de ferramentas industriais produzidas por impressão 3D de grande formato.

O engenheiro William Martin, da Toyota, participará da programação de 18 de novembro ao lado de Fadi Abro, executivo da Stratasys especializado no setor automotivo.

O objetivo será discutir como ferramentas impressas podem atender às exigências de ambientes reais de produção.

A General Motors também representa um exemplo dessa transformação. Conforme o Folha do Leste mostrou em reportagem sobre a impressão 3D nas fábricas da GM, a montadora utiliza fabricação aditiva para resolver problemas diretamente nas linhas de montagem.

Em uma de suas unidades, trabalhadores conseguiram fabricar em quatro horas um suporte necessário ao funcionamento de um equipamento industrial.

Essa aplicação demonstra que a impressão 3D pode ter valor mesmo quando não produz diretamente uma peça do automóvel.

Entretanto, a utilização da tecnologia pela GM não significa que todas as suas instalações empreguem a nova F870. A Stratasys mantém diferentes plataformas industriais, e o anúncio não atribui todos os exemplos apresentados a um único modelo.

Novas resinas prometem ajudar na fabricação de moldes

A programação da Formnext também inclui novidades destinadas às fundições e aos fabricantes de componentes metálicos.

Entre elas está a resina Somos ShellCast, apresentada em conjunto com o módulo ShellGen, do software GrabCAD Print Pro.

A combinação foi desenvolvida para trabalhar com a impressora Neo 800+, que utiliza estereolitografia, também conhecida pela sigla SLA.

Essa tecnologia emprega luz para solidificar materiais fotopoliméricos e produzir objetos tridimensionais.

No caso anunciado pela Stratasys, o objetivo é fabricar modelos utilizados em processos de fundição de precisão.

O processo permite criar estruturas que servem de referência para a preparação de moldes destinados à fabricação posterior de peças metálicas.

A empresa também destaca a possibilidade de produzir modelos sem antimônio, característica relacionada à composição dos materiais empregados.

Entretanto, o processo não significa que a impressora Neo 800+ produza diretamente o componente metálico final. Ela fabrica elementos utilizados em uma etapa anterior da cadeia produtiva.

A proposta é reduzir determinadas operações tradicionais de preparação e ampliar as possibilidades de produção de geometrias complexas.

Equipamento sCure automatiza acabamento de peças impressas

Outra novidade anunciada pela Stratasys é o sCure, equipamento desenvolvido para automatizar etapas posteriores à impressão 3D.

A solução foi apresentada para a plataforma Origin P3, que utiliza um processo de fotopolimerização para fabricar componentes.

Depois da impressão, determinadas peças precisam passar por procedimentos adicionais para alcançar as características desejadas.

Essas atividades podem envolver secagem, exposição à luz ultravioleta, aquecimento e outras formas de tratamento.

O sCure reúne secagem, cura com diferentes comprimentos de onda de luz UV, aquecimento e fotobranqueamento em um único sistema.

Segundo a fabricante, a integração procura melhorar a consistência das peças e reduzir a dependência de intervenções manuais.

Isso interessa especialmente às empresas que precisam repetir o mesmo processo durante a produção de grandes quantidades.

Entretanto, a Stratasys ainda não apresentou dados suficientes para estabelecer quanto tempo ou trabalho cada operação poderá economizar.

Por isso, a automação deve ser compreendida como uma proposta técnica cuja produtividade dependerá das condições de uso.

Material ToughONE Black amplia recursos das impressoras PolyJet

A empresa também anunciou o PolyJet ToughONE Black, material desenvolvido para as impressoras J3 e J5.

A proposta combina propriedades mecânicas destinadas a aplicações de engenharia com acabamento visual preto.

Assim, fabricantes poderão avaliar determinadas características funcionais e estéticas durante o desenvolvimento de um mesmo componente.

Essa capacidade pode interessar a empresas que precisam validar encaixes, geometrias, aparência e comportamento de protótipos antes de iniciar a produção definitiva.

Entretanto, a denominação comercial do material não significa que ele substitua automaticamente plásticos utilizados em processos convencionais de fabricação.

A aplicação dependerá das propriedades necessárias, das condições de utilização e da compatibilidade com o equipamento.

Além disso, a Stratasys anunciou atualizações para sua linha FDM, incluindo novos materiais e recursos de pós-processamento.

Entre as tecnologias detalhadas recentemente estão o ABS Draft, destinado a aplicações com exigências específicas de custo, e soluções que facilitam a remoção de suportes.

O conjunto reforça a estratégia de ampliar não apenas a quantidade de impressoras disponíveis, mas também as possibilidades dos processos associados à fabricação.

Indústria aeroespacial terá novos dados de qualificação de materiais

A Stratasys também levará à Formnext resultados relacionados à qualificação de materiais utilizados em aplicações aeroespaciais.

O destaque envolve dados publicados pelo National Center for Advanced Materials Performance (NCAMP), organização que desenvolve referências técnicas utilizadas na avaliação de materiais avançados.

As informações abrangem os polímeros Antero 800NA e Antero 840CN03, processados na impressora industrial Stratasys F900.

Segundo a fabricante, os conjuntos de dados passaram por revisão independente e oferecem uma base compartilhada para organizações que precisam avaliar componentes utilizados em aplicações exigentes.

Esse tipo de documentação pode ajudar fabricantes a reduzir a repetição de determinadas etapas de caracterização.

Entretanto, a publicação dos dados não representa uma certificação automática de qualquer peça produzida com esses materiais.

Componentes destinados a aplicações críticas ainda precisam atender aos requisitos específicos do projeto, do processo e das autoridades competentes.

O avanço confirmado está na disponibilidade de informações técnicas que poderão apoiar novos procedimentos de qualificação.

Formnext 2026 reúne impressão 3D, automação e fabricação industrial

A Formnext acontecerá entre 17 e 20 de novembro de 2026, no centro de exposições Messe Frankfurt, na Alemanha.

O evento reúne fabricantes de impressoras, desenvolvedores de materiais, especialistas em software e empresas interessadas em incorporar a fabricação aditiva às atividades industriais.

A Stratasys ocupará o estande D129, no pavilhão 12.1, com demonstrações de diferentes tecnologias.

Além dos equipamentos, a programação apresenta palestras sobre aplicações industriais, incluindo produção automotiva e desenvolvimento de componentes para fundição.

O estúdio LAIKA também participará das apresentações técnicas. Seus representantes discutirão o uso da impressão 3D na produção de expressões faciais para animações em stop-motion, incluindo o filme Wildwood.

Já no Formnext Defense Summit, a Stratasys apresentará aplicações de fabricação aditiva relacionadas às necessidades das indústrias de defesa e aeroespacial.

Entretanto, a participação nesses encontros não significa que todas as tecnologias exibidas estejam qualificadas ou disponíveis comercialmente para qualquer aplicação.

Quando a nova impressora Stratasys chegará ao mercado?

A Stratasys confirmou a apresentação oficial de sua nova solução de produção em série para 17 de novembro de 2026.

Entretanto, a empresa ainda não anunciou uma data comercial de entrega, lista de países atendidos ou preço do equipamento.

Também não apresentou informações sobre disponibilidade no Brasil ou condições de aquisição por fabricantes nacionais.

Da mesma maneira, ainda não é possível estabelecer se a novidade utilizará FDM, SAF, PolyJet ou outro processo de impressão 3D.

Esses detalhes serão essenciais para avaliar a posição do sistema no mercado e compreender suas possibilidades de aplicação.

Para os fabricantes, a comparação precisará considerar produtividade, repetibilidade, materiais, custo por peça e integração com processos já existentes.

Com o anúncio, a Stratasys reforça sua estratégia de levar a fabricação aditiva da prototipagem para a produção industrial contínua.

Agora, o principal teste será verificar se o novo equipamento conseguirá oferecer vantagens comprováveis em ambientes de fabricação que precisam produzir componentes finais em grandes quantidades e com padrões consistentes de qualidade.

Enzo Carvalho
Enzo Carvalho é jornalista profissional, com atuação voltada à cobertura de inovação, tecnologia, cotidiano e esportes. Ex-jogador profissional de e-sports, traz para o jornalismo uma compreensão prática do universo digital, das plataformas tecnológicas e das transformações provocadas pela cultura conectada.

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