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Pressão alta também é problema de criança: pesquisa alerta para risco cardiovascular desde a infância

Profissional de saúde mede a pressão arterial de uma criança durante atendimento médico, ilustrando a importância da prevenção cardiovascular na infância.

Pressão alta também é problema de criança: pesquisa alerta para risco cardiovascular desde a infância | Divulgação

A hipertensão arterial costuma ser associada à vida adulta, mas um levantamento recente da Sociedade Brasileira de Cardiologia acende um alerta para a saúde de crianças e adolescentes. A pesquisa Brasil Coração Saudável avaliou 6.092 estudantes de 38 escolas, em Minas Gerais, Rio Grande do Sul e São Paulo, e identificou pressão arterial em faixa compatível com hipertensão em 28,3% dos participantes. Outros 11,6% apresentaram valores classificados como pré-hipertensão.

Os dados chamam atenção também pela relação com o excesso de peso. Uma em cada três crianças e adolescentes avaliados apresentava sobrepeso ou obesidade. Entre os participantes com obesidade, 48,4% tiveram pressão arterial elevada na faixa de hipertensão. Nos adolescentes obesos de 15 a 18 anos, esse percentual chegou a 60,5%.

Para a cardiologista Dra. Isa Bragança, fundadora da Clínica Cardiomex, os resultados reforçam a necessidade de olhar para a prevenção cardiovascular muito antes da vida adulta.

“Durante muito tempo, imaginamos a hipertensão, o colesterol elevado e outros fatores de risco cardiovascular como problemas que surgem apenas depois dos 40 ou 50 anos. Hoje sabemos que esse processo pode começar muito antes. Quando uma criança apresenta excesso de peso, sedentarismo, alimentação inadequada e pressão arterial elevada, já existem sinais que merecem atenção”, explica.

Outro dado do levantamento ajuda a compreender esse cenário: 59% dos estudantes avaliados permaneciam mais de três horas por dia diante de telas, enquanto 66% praticavam apenas uma a duas horas de atividade física por semana.

Prevenção começa dentro de casa

Segundo a cardiologista, hábitos familiares têm papel fundamental na prevenção. Manter uma alimentação equilibrada, reduzir o consumo excessivo de sal e de alimentos ultraprocessados, estimular a prática regular de atividade física, preservar uma rotina adequada de sono e controlar o peso são algumas das medidas que contribuem para reduzir o risco cardiovascular.

“O objetivo não é colocar a criança em uma lógica de doença, mas criar hábitos que protejam sua saúde ao longo da vida. Quanto mais cedo esses cuidados começam, maior a chance de chegarmos à vida adulta com menos fatores de risco”, destaca Dra. Isa.

A própria Sociedade Brasileira de Cardiologia vem reforçando a necessidade de ampliar as estratégias de prevenção cardiovascular, inclusive entre crianças e adolescentes, dentro de iniciativas como o projeto Brasil Coração Saudável.

Uma medida alterada não significa diagnóstico de hipertensão

Apesar do impacto dos números, a especialista alerta que é preciso interpretar o levantamento com cautela.

Uma única medida de pressão arterial elevada não é suficiente para diagnosticar hipertensão em uma criança ou adolescente.

“A pressão pode variar por diversos motivos, inclusive ansiedade, estresse, dor ou até pelas condições em que a medida foi realizada. Quando encontramos um valor alterado, o caminho é repetir as aferições de forma adequada e investigar o paciente”, explica a cardiologista.

A avaliação da pressão arterial na infância também considera fatores como idade, sexo e altura, além do histórico clínico e familiar.

Crianças com obesidade, doenças renais, alterações metabólicas, histórico familiar de hipertensão ou outras condições de risco podem precisar de acompanhamento mais próximo.

E quando a hipertensão é confirmada?

O tratamento depende da idade, da gravidade, da presença de outras doenças e da possível causa da alteração.

Em muitos casos, mudanças no estilo de vida representam a primeira estratégia: prática regular de exercícios, alimentação adequada, redução do excesso de peso e controle do consumo de sódio.

Quando essas medidas não são suficientes ou quando existem níveis mais elevados de pressão arterial, doenças associadas ou comprometimento de órgãos, o médico pode indicar tratamento medicamentoso.

“Hipertensão na infância tem tratamento. O ponto mais importante é não ignorar o problema. Diagnosticar cedo significa ter a oportunidade de intervir antes que esse fator de risco acompanhe o paciente durante décadas”, afirma Dra. Isa.

Segundo a cardiologista, o principal recado para as famílias é simples: a saúde cardiovascular começa muito antes da primeira consulta de um adulto com um cardiologista.

“Quando cuidamos da alimentação, do peso, da atividade física e da pressão arterial de uma criança, estamos também cuidando do coração que ela terá aos 40, 50 ou 60 anos”, conclui.

Sobre a pesquisa

A pesquisa Brasil Coração Saudável, da Sociedade Brasileira de Cardiologia, avaliou 6.092 crianças e adolescentes de 38 escolas entre 3 de junho e 7 de outubro de 2026. Do total, 2.973 participantes eram de Minas Gerais, 3.059 do Rio Grande do Sul e 60 de São Paulo.

O levantamento encontrou pressão arterial em faixa de hipertensão em 28,3% da amostra, pré-hipertensão em 11,6% e excesso de peso em 33,1% dos participantes.

Fonte

Agência Brasil. “Hipertensão atinge 28% de crianças e adolescentes, mostra estudo.” Publicado em outubro de 2026.

Adriana Diniz
Adriana Leite Diniz é jornalista com mais de 20 anos de experiência em grandes redações do Rio de Janeiro, com passagens por Jornal do Brasil, Jornal do Commercio, Expresso e Jornal Extra. Atuou na cobertura de política, saúde, economia e hard news, exercendo funções de repórter, redatora, chefe de reportagem e subeditora. Recebeu a Medalha Tiradentes da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) e integrou série especial do Jornal Extra selecionada para concorrer ao Prêmio Esso de Jornalismo. Atualmente é repórter especial e colunista de Saúde do Folha do Leste, onde escreve sobre saúde pública, prevenção, bem-estar e políticas do setor.

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