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Reuters informa que Flávio Bolsonaro fugiu para os EUA; PF não registra saída regular

Senador Flávio Bolsonaro aparece em primeiro plano, com expressão séria, durante evento público, cercado por apoiadores.

Reuters informa que Flávio Bolsonaro fugiu para os EUA; PF não registra saída regular | Joédson Alves/Agência Brasil

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) está nos Estados Unidos, segundo informações divulgadas pela agência internacional Reuters nesta terça-feira (27). Um aliado próximo do parlamentar e uma fonte do governo norte-americano confirmaram a viagem à agência. Entretanto, a Polícia Federal (PF) não identificou registro de saída do senador por postos regulares de controle migratório brasileiro.

A informação foi publicada pela Agência Brasil às 15h18, poucas horas depois da confirmação de que a Polícia Federal cancelou os passaportes comum e diplomático de Flávio. O senador descumpriu o prazo de 24 horas estabelecido pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), para entregar os documentos.

Apesar das confirmações obtidas pela Reuters, ainda não há esclarecimento oficial sobre quando, por onde e em quais circunstâncias Flávio Bolsonaro teria deixado o território brasileiro. As autoridades argentinas também informaram que não encontraram registro de entrada do parlamentar no país.

Reuters confirma viagem de Flávio Bolsonaro com duas fontes

A Reuters informou que obteve a confirmação da viagem por meio de duas fontes distintas. Uma delas integra o círculo próximo do senador. A outra pertence ao governo dos Estados Unidos.

Entretanto, a agência não identificou publicamente os informantes nem divulgou documentos migratórios que comprovassem a rota utilizada pelo parlamentar.

Além disso, a reportagem não esclareceu o meio de transporte empregado na viagem. Também não confirmou se Flávio Bolsonaro chegou ao território norte-americano acompanhado por outras pessoas.

A defesa do senador não respondeu imediatamente ao pedido de manifestação encaminhado pela agência internacional.

Assim, a informação de que Flávio Bolsonaro está nos Estados Unidos tem como origem a apuração da Reuters. A confirmação oficial do trajeto e das circunstâncias da saída permanece pendente.

Argentina informa que não registrou entrada do senador

Antes da divulgação da Reuters, informações sobre uma possível passagem de Flávio Bolsonaro pela Argentina mobilizaram autoridades migratórias dos dois países.

A suspeita surgiu após uma publicação do portal argentino Infobae apontar que o parlamentar teria chegado a Puerto Iguazú, município argentino próximo à fronteira com Foz do Iguaçu, no Paraná.

Segundo o relato, Flávio pretendia seguir para os Estados Unidos em uma aeronave executiva Gulfstream G400, de matrícula LV-JQW, pertencente à empresa Baires Fly S.A.

Entretanto, a Direção Nacional de Migrações da Argentina informou que não havia encontrado registro de entrada do senador no território argentino.

As autoridades também realizaram verificações na aeronave mencionada. De acordo com o comunicado argentino, a documentação da empresa estava regular e não havia plano de voo que identificasse integrantes da família Bolsonaro.

Portanto, a informação sobre a presença de Flávio Bolsonaro em Puerto Iguazú continua sem comprovação oficial. O comunicado argentino também não esclarece a rota indicada posteriormente pelas fontes ouvidas pela Reuters.

Polícia Federal não identifica saída por controle migratório regular

No Brasil, a Polícia Federal informou que não havia registro da passagem de Flávio Bolsonaro por postos regulares de controle migratório.

O dado é relevante porque as autoridades brasileiras controlam a saída de pessoas do território nacional por aeroportos, portos e passagens terrestres habilitadas.

Entretanto, a ausência de registro não permite determinar, isoladamente, como uma pessoa teria deixado o país. Para estabelecer a rota, seria necessário reunir outras informações documentais e operacionais.

No caso do senador, permanecem sem esclarecimento público o local de saída, o horário da viagem e os procedimentos migratórios eventualmente utilizados.

Além disso, não há confirmação documental de que a aeronave identificada inicialmente na Argentina tenha transportado Flávio Bolsonaro.

O governo argentino também informou que não recebeu pedido de asilo político relacionado ao parlamentar, segundo as informações divulgadas pela Reuters.

Flávio havia negado intenção de deixar o Brasil

Na segunda-feira (26), Flávio Bolsonaro confirmou que agentes da Polícia Federal o intimaram após uma visita ao pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, em Brasília.

Na ocasião, o senador informou que o ministro Alexandre de Moraes havia determinado a entrega de seus passaportes. Além disso, confirmou a proibição de deixar o território brasileiro.

O parlamentar questionou publicamente a decisão judicial e afirmou que pretendia cumpri-la.

Também declarou que não tinha intenção de sair do país e que permaneceria no Brasil para organizar sua atuação política após a derrota presidencial.

Entretanto, o prazo terminou na manhã desta terça-feira sem que os documentos fossem entregues à Polícia Federal.

Diante do descumprimento, a corporação cancelou os passaportes e informou que comunicaria o ocorrido ao ministro Alexandre de Moraes.

A notícia sobre a presença de Flávio nos Estados Unidos surgiu posteriormente, por meio da apuração da Reuters.

Decisão de Moraes proibia viagem ao exterior

A restrição imposta pelo ministro Alexandre de Moraes integra um inquérito que investiga suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo o senador e o advogado Willer Tomaz.

A Polícia Federal apura possíveis operações financeiras relacionadas a negócios com plataformas de apostas e outras transações sob investigação.

Além da entrega dos passaportes, Moraes determinou que Flávio Bolsonaro não deixasse o Brasil. A decisão também estabeleceu restrições de comunicação com outro investigado.

O processo tramita sob segredo de Justiça. Portanto, nem todos os fundamentos e documentos relacionados às medidas cautelares estão disponíveis para consulta pública.

Flávio Bolsonaro e Willer Tomaz negam irregularidades, conforme suas manifestações relatadas pela Agência Brasil.

A existência dos inquéritos não representa condenação criminal. Entretanto, as determinações judiciais permanecem obrigatórias enquanto estiverem em vigor.

Senador deixou de entregar os passaportes no prazo judicial

O descumprimento da ordem de entrega dos documentos constitui um fato distinto da informação sobre a possível saída do território brasileiro.

O primeiro já motivou uma providência administrativa da Polícia Federal: o cancelamento dos passaportes comum e diplomático.

Já a eventual violação da proibição de viagem dependerá da apuração das circunstâncias em que o senador teria deixado o Brasil.

A Polícia Federal deverá comunicar ao Supremo Tribunal Federal as informações relacionadas ao não cumprimento do prazo estabelecido.

Por sua vez, caberá ao ministro Alexandre de Moraes examinar os fatos e decidir sobre eventuais medidas adicionais.

Até a divulgação das informações consultadas, não havia confirmação de nova decisão judicial decorrente especificamente da notícia de que o parlamentar estaria nos Estados Unidos.

Eduardo Bolsonaro havia defendido saída do irmão do Brasil

Na semana anterior ao segundo turno, Eduardo Bolsonaro defendeu publicamente que Flávio deixasse o Brasil caso perdesse a eleição presidencial.

O ex-deputado federal, que reside nos Estados Unidos, fez a declaração durante uma entrevista concedida a um comunicador norte-americano.

A manifestação foi posteriormente mencionada por Flávio Bolsonaro ao comentar a decisão judicial que restringiu suas viagens.

Entretanto, a declaração de Eduardo não comprova a realização da viagem nem esclarece a participação de terceiros em eventual deslocamento do senador.

Eduardo Bolsonaro também enfrenta uma situação judicial própria no Brasil, distinta dos inquéritos envolvendo seu irmão.

Derrota presidencial antecedeu decisão judicial e notícias sobre viagem

Flávio Bolsonaro disputou o segundo turno das Eleições 2026 contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), reeleito no domingo (25).

Após a totalização, o senador questionou o resultado e anunciou medidas judiciais relacionadas à prorrogação do horário de votação.

Por outro lado, o presidente nacional do Partido Liberal, Valdemar Costa Neto, reconheceu oficialmente a vitória de Lula em manifestação pública.

Na segunda-feira, Moraes determinou a entrega dos passaportes e proibiu Flávio Bolsonaro de deixar o território nacional.

Já nesta terça-feira, a Polícia Federal cancelou os documentos após o descumprimento do prazo. Horas depois, a Reuters divulgou as confirmações obtidas com suas fontes sobre a presença do parlamentar nos Estados Unidos.

Assim, o principal ponto ainda pendente é a comprovação da rota e das circunstâncias da viagem. A informação sobre o destino tem origem em duas fontes ouvidas pela Reuters, enquanto os registros migratórios brasileiros e argentinos consultados não esclarecem o deslocamento.

Enzo Carvalho
Enzo Carvalho é jornalista profissional, com atuação voltada à cobertura de inovação, tecnologia, cotidiano e esportes. Ex-jogador profissional de e-sports, traz para o jornalismo uma compreensão prática do universo digital, das plataformas tecnológicas e das transformações provocadas pela cultura conectada.

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