Uma embarcação desaparece no oceano. Uma aeronave deixa de transmitir sua posição em uma região de mata fechada. Em ambos os casos, encontrar os ocupantes pode exigir horas de trabalho, aeronaves especializadas e a coordenação de profissionais que atuam a centenas de quilômetros uns dos outros.
Na Força Aérea Brasileira (FAB), uma das unidades dedicadas a essas missões é o Segundo Esquadrão do Décimo Grupo de Aviação (2º/10º GAV), conhecido como Esquadrão Pelicano.
Criado em 6 de dezembro de 1957, o esquadrão está sediado na Base Aérea de Campo Grande, em Mato Grosso do Sul. Sua atuação envolve missões de busca e salvamento, internacionalmente identificadas pela sigla SAR, de Search and Rescue.
Para executar essas atividades, a unidade emprega aeronaves como o SC-105 Amazonas e o H-60L Black Hawk, além de tripulações treinadas para atuar em ambientes complexos.
Entretanto, uma operação de resgate não depende apenas dos pilotos. Ela também envolve centros de coordenação, observadores especializados, equipes de apoio e, frequentemente, outras instituições.
O que é o Esquadrão Pelicano?
O Esquadrão Pelicano integra a estrutura operacional da FAB e possui uma trajetória diretamente relacionada à formação da aviação brasileira de busca e salvamento.
A unidade surgiu em 1957 para executar missões destinadas a localizar e socorrer pessoas em situações de perigo.
Desde então, sua atuação passou a incluir diferentes ambientes, como regiões de selva, áreas continentais isoladas e extensas superfícies marítimas.
O esquadrão também contribui para o desenvolvimento e a disseminação de conhecimentos relacionados à atividade SAR.
Além disso, seus militares participam de exercícios e treinamentos destinados a manter a preparação operacional.
A missão sintetizada no lema da aviação de busca e salvamento, “Para que outros possam viver”, expressa uma finalidade humanitária que ultrapassa o emprego militar convencional.
Como funciona uma operação de busca e salvamento?
Uma missão SAR pode começar com um pedido de socorro, uma informação de desaparecimento ou um alerta recebido pelos sistemas responsáveis.
Quando ocorre uma emergência aeronáutica, os órgãos do Sistema de Busca e Salvamento Aeronáutico Brasileiro (SISSAR) avaliam as informações disponíveis.
Os centros de coordenação organizam as ações, identificam possíveis áreas de busca e verificam quais recursos podem ser empregados.
Depois disso, as unidades acionadas preparam seus equipamentos e seguem para a região determinada.
Entretanto, nem todas as buscas terminam imediatamente após o primeiro avistamento.
A equipe precisa confirmar o objeto localizado, transmitir sua posição e avaliar as condições necessárias para prestar assistência.
Conforme o caso, o resgate pode exigir outra aeronave, uma embarcação ou profissionais especializados no atendimento às vítimas.
Assim, a operação reúne etapas de alerta, coordenação, busca, localização e salvamento, que podem envolver organizações diferentes.
O que é o SISSAR e quem coordena os resgates?
O SISSAR é o sistema brasileiro responsável pela organização dos serviços de busca e salvamento aeronáutico.
Seu órgão central é o Departamento de Controle do Espaço Aéreo (DECEA), que atua no planejamento, na regulamentação e na supervisão dessa atividade.
A estrutura inclui Centros de Coordenação de Salvamento Aeronáutico, conhecidos pela sigla ARCC ou pela denominação operacional SALVAERO.
Esses centros recebem informações, acompanham emergências e coordenam os meios necessários para a resposta.
Segundo o DECEA, a área de responsabilidade brasileira pelas operações SAR abrange aproximadamente 22 milhões de quilômetros quadrados, incluindo extensas regiões do Oceano Atlântico.
Entretanto, essa área de responsabilidade internacional por busca e salvamento não deve ser confundida com a extensão territorial do Brasil.
Além disso, o sistema conta com a cooperação de diferentes instituições, incluindo a Marinha do Brasil.
Por isso, o Esquadrão Pelicano é uma unidade executora especializada, mas não representa sozinho todo o sistema nacional de busca e salvamento.
Como o SC-105 Amazonas encontra pessoas desaparecidas?
O SC-105 Amazonas é uma aeronave turboélice preparada para missões de busca e salvamento.
Diferentemente de um avião utilizado apenas para transporte, a versão SAR possui equipamentos destinados a ampliar a capacidade de observação e localização.
Entre seus recursos estão sensores eletro-ópticos, sistemas infravermelhos, radar de busca e equipamentos de comunicação.
Essas tecnologias ajudam as tripulações a investigar áreas extensas e reconhecer possíveis alvos.
Em determinadas condições, os sensores podem auxiliar na identificação de embarcações ou objetos que seriam difíceis de localizar apenas pela observação direta.
Além disso, o avião consegue percorrer grandes distâncias e permanecer na área de operação conforme sua autonomia e as condições da missão.
Entretanto, o SC-105 não é um helicóptero e não dispõe da mesma capacidade de pairar sobre um ponto para realizar uma retirada por guincho.
Por isso, sua principal função nessas operações costuma estar associada à localização e ao acompanhamento dos alvos.
Qual é o papel dos observadores SAR?
Durante as missões, a tripulação do SC-105 pode contar com observadores SAR, militares especializados na identificação de pessoas, embarcações e outros objetos procurados.
Esses profissionais utilizam as informações disponíveis e acompanham visualmente a área investigada.
Também contribuem para confirmar possíveis contatos identificados pelos sensores da aeronave.
Em setembro de 2026, por exemplo, a FAB relatou que um SC-105 localizou uma embarcação pesqueira desaparecida a centenas de quilômetros do litoral brasileiro.
Na operação, a tripulação utilizou radar e sistemas de comunicação para identificar um possível alvo. Em seguida, os observadores SAR confirmaram visualmente a embarcação.
Esse exemplo demonstra que a tecnologia e a avaliação humana desempenham funções complementares.
A presença de equipamentos modernos não elimina a necessidade de profissionais capazes de interpretar as informações reunidas durante o voo.
Como o helicóptero H-60L Black Hawk participa dos resgates?
O H-60L Black Hawk permite executar determinadas missões que exigem características diferentes das oferecidas por um avião de asas fixas.
O helicóptero pode atuar em regiões de difícil acesso e realizar procedimentos de aproximação, embarque e retirada de pessoas conforme os equipamentos instalados e as condições operacionais.
Além disso, sua capacidade de permanecer em voo estacionário pode ser importante quando não existe uma área convencional de pouso.
Entretanto, isso não significa que todos os resgates possam ser executados por helicóptero.
As equipes precisam considerar distância, autonomia, condições meteorológicas, características do terreno e segurança da operação.
Em algumas situações, a FAB utiliza helicópteros de outros esquadrões, inclusive o H-36 Caracal.
O Folha do Leste já explicou como o H-36 Caracal atua em missões de resgate e transporte militar.
Dessa forma, diferentes aeronaves podem desempenhar funções complementares, dependendo da necessidade.
Como a FAB procura pessoas desaparecidas no mar?
Uma busca marítima pode envolver enormes extensões oceânicas, nas quais pequenas embarcações são difíceis de identificar.
Por isso, os centros de coordenação reúnem informações sobre a última posição conhecida, a situação relatada e outros elementos disponíveis.
Depois disso, as equipes definem os recursos necessários e organizam as buscas.
A atuação de aeronaves como o SC-105 permite examinar áreas que exigiriam deslocamentos prolongados por embarcações.
Entretanto, a localização de uma pessoa ou de um barco não encerra necessariamente a operação.
A retirada dos sobreviventes pode depender de navios, helicópteros ou equipes de superfície.
A cooperação entre a FAB e a Marinha é especialmente importante nessas situações.
Enquanto os meios aéreos podem localizar e acompanhar a ocorrência, embarcações podem assumir a retirada dos ocupantes, conforme suas capacidades.
O que aconteceu no resgate realizado no litoral paulista em outubro de 2026?
Uma operação divulgada pela FAB em 26 de outubro de 2026 demonstra como funciona essa divisão de responsabilidades.
No dia anterior, o Esquadrão Pelicano empregou dois aviões SC-105 Amazonas para procurar uma embarcação de bombeiros que havia ficado à deriva no litoral paulista.
O barco transportava dois militares do Grupamento de Bombeiros Marítimo e foi localizado a aproximadamente 240 quilômetros da costa de Santos.
As tripulações da FAB realizaram buscas noturnas e se revezaram para manter o acompanhamento da embarcação.
Segundo a Força Aérea, a operação mobilizou 24 tripulantes e somou aproximadamente 13 horas de voo.
Depois da localização, os aviões permaneceram acompanhando a situação até a chegada de um navio mercante, responsável pelo resgate dos dois bombeiros.
Portanto, a FAB localizou e acompanhou a embarcação, mas não realizou diretamente a retirada dos ocupantes com os SC-105.
O episódio oferece um exemplo real da atuação integrada entre aeronaves e embarcações.
O Esquadrão Pelicano também realiza buscas na Amazônia?
Sim. A experiência da unidade inclui missões em regiões de selva e áreas de difícil acesso.
Nesses ambientes, a vegetação e as características do terreno podem dificultar a localização visual de aeronaves acidentadas e pessoas desaparecidas.
Em setembro de 2020, por exemplo, um SC-105 do Esquadrão Pelicano participou da localização de ocupantes de um helicóptero que havia perdido contato na região de Itaituba, no Pará.
Depois que a equipe identificou os sobreviventes, um H-60 Black Hawk do Esquadrão Harpia participou da retirada das pessoas.
Nesse caso, a missão exigiu a integração de unidades diferentes.
Além disso, os militares utilizaram recursos de observação adequados às condições da região.
Assim, a busca aérea e o salvamento propriamente dito podem ser realizados por equipes distintas, conforme as necessidades da ocorrência.
Qual é a diferença entre o Esquadrão Pelicano e o PARA-SAR?
O Esquadrão Pelicano é uma unidade aérea especializada em busca e salvamento, responsável pela operação de aeronaves e pela execução de missões relacionadas à atividade.
Já o Esquadrão Aeroterrestre de Salvamento (EAS), conhecido como PARA-SAR, reúne militares preparados para atividades especializadas de salvamento e outras operações previstas em sua missão institucional.
Os dois possuem capacidades diferentes e podem atuar de maneira complementar.
Enquanto o Pelicano fornece meios aéreos e tripulações SAR, o PARA-SAR pode empregar equipes especializadas em situações que exigem atuação direta no terreno.
Entretanto, não é correto considerar que todo integrante do Esquadrão Pelicano seja automaticamente um militar do PARA-SAR.
As unidades possuem estruturas e processos próprios de formação.
Como a FAB utiliza satélites para receber pedidos de socorro?
O sistema brasileiro de busca e salvamento também utiliza informações do programa internacional COSPAS-SARSAT.
Essa estrutura permite receber e processar alertas provenientes de transmissores de emergência compatíveis.
Dependendo do equipamento, os sinais podem estar associados a aeronaves, embarcações ou dispositivos pessoais.
No Brasil, o sistema integra a infraestrutura de apoio às operações SAR coordenadas pelo DECEA.
Entretanto, receber um alerta não significa que a equipe saiba imediatamente tudo sobre a ocorrência.
É necessário verificar as informações, estabelecer a área provável e organizar a resposta.
Além disso, nem todo desaparecimento envolve um transmissor de emergência disponível e funcionando corretamente.
Por isso, os sistemas de alerta são importantes, mas precisam atuar em conjunto com outras fontes de informação.
Os pilotos e tripulantes treinam para situações reais?
Sim. A preparação das unidades SAR exige treinamento contínuo.
As tripulações precisam manter conhecimentos relacionados à navegação, aos equipamentos de bordo, à coordenação com outras aeronaves e aos procedimentos de busca.
Além disso, o DECEA também forma profissionais para atuar nos centros de coordenação.
Em maio de 2026, por exemplo, o Instituto de Controle do Espaço Aéreo concluiu uma turma do Curso de Coordenação SAR, com oito semanas de atividades teóricas e exercícios simulados.
O treinamento buscou desenvolver competências relacionadas à organização de operações complexas e à integração de diferentes instituições.
Isso demonstra que uma missão de busca e salvamento depende tanto do preparo de quem está na aeronave quanto da capacitação das equipes que coordenam o trabalho em terra.
Quem é responsável por resgates marítimos: FAB ou Marinha?
As duas instituições podem participar de operações de busca e salvamento no mar, respeitando suas respectivas responsabilidades.
A Marinha possui o serviço SALVAMAR, voltado às atividades de busca e salvamento marítimo.
A FAB, por meio do SISSAR, mantém estruturas de coordenação aeronáutica e unidades aéreas capazes de participar de diferentes ocorrências.
O sistema brasileiro prevê cooperação entre essas organizações.
Assim, uma emergência marítima pode envolver aeronaves da FAB e embarcações da Marinha, além de outros participantes.
O Folha do Leste já apresentou a atuação da Marinha e seus navios-patrulha oceânicos na segurança das águas brasileiras.
Entretanto, o fato de uma aeronave participar de uma busca não significa que a FAB assuma automaticamente todas as responsabilidades pelo atendimento marítimo.
O objetivo da coordenação é utilizar os recursos disponíveis de maneira integrada para proteger vidas.
Por que o Esquadrão Pelicano continua importante para o Brasil?
O Brasil possui uma extensa área de responsabilidade por busca e salvamento, que inclui grandes regiões marítimas e áreas continentais de difícil acesso.
Atender emergências nesses ambientes exige aeronaves preparadas, profissionais especializados e centros capazes de coordenar operações complexas.
Desde sua criação em 1957, o Esquadrão Pelicano participa dessa estrutura e desenvolve capacidades destinadas à localização e ao socorro de pessoas.
O emprego do SC-105 Amazonas, dos helicópteros H-60L Black Hawk e de recursos de observação amplia as possibilidades de atuação em diferentes cenários.
Entretanto, nenhum equipamento elimina os riscos ou garante o sucesso de todas as operações.
O resultado depende das informações disponíveis, das condições ambientais, do preparo das equipes e da cooperação entre instituições.
A principal contribuição do Esquadrão Pelicano está em transformar recursos de aviação militar em capacidade de proteção à vida humana, reunindo tecnologia, treinamento e coordenação para encontrar pessoas que precisam de socorro.









