
Meta lança ferramenta que usa IA para criar experiências de realidade virtual | Folha do Leste/Imagem ilustrativa gerada por IA
A Meta lançou uma atualização de suas ferramentas de realidade virtual que permite criar ambientes tridimensionais com ajuda de inteligência artificial. Disponível desde 14 de outubro de 2026, o Immersive Web SDK 1.0 oferece recursos para agentes de IA escreverem código, manipularem cenas e testarem experiências diretamente em dispositivos Meta Quest. Além disso, uma integração com o v0, da Vercel, permite iniciar projetos a partir de instruções em linguagem natural.
Na prática, o desenvolvedor pode descrever a experiência desejada, gerar uma estrutura inicial e visualizar o resultado no navegador. Depois, pode publicar o projeto na internet e abri-lo em um headset compatível. Entretanto, a criação de produtos completos ainda exige testes, ajustes de desempenho e decisões técnicas.
A novidade também prepara o desenvolvimento de aplicativos para os Meta VR Glasses, óculos de realidade virtual anunciados para 2027. Embora o dispositivo ainda não esteja disponível comercialmente, a Meta já oferece ferramentas para simular parte de suas interações.
Como funciona a criação de realidade virtual com inteligência artificial?
O Immersive Web SDK, conhecido pela sigla IWSDK, é um conjunto de ferramentas de código aberto destinado à criação de experiências imersivas para a web.
Em vez de exigir que cada desenvolvedor construa todos os componentes do zero, o sistema fornece recursos prontos para movimentação, interação com objetos, interfaces tridimensionais e realidade mista.
Além disso, a versão 1.0 incorpora ferramentas que permitem aos agentes de inteligência artificial compreender melhor o funcionamento dos projetos.
Esses agentes podem consultar as interfaces oficiais do SDK, examinar cenas e identificar determinados problemas durante os testes.
Assim, a IA deixa de atuar apenas como uma ferramenta para sugerir trechos de código e passa a participar de outras etapas do desenvolvimento.
Vercel permite transformar descrições em protótipos de realidade virtual
A Meta também desenvolveu, em parceria com a Vercel, um modelo de projeto para a ferramenta v0.
O recurso permite escrever, em linguagem natural, como deve funcionar uma experiência de realidade virtual. Em seguida, a ferramenta gera uma estrutura inicial de código e apresenta uma prévia no navegador.
O modelo já inclui componentes do Immersive Web SDK e configurações para interações em realidade virtual.
Além disso, utiliza tecnologias conhecidas no desenvolvimento web, como TypeScript, Three.js e Vite.
Por isso, programadores familiarizados com aplicações web podem aproveitar conhecimentos existentes para começar a trabalhar com ambientes tridimensionais.
Entretanto, o resultado gerado por IA precisa ser revisado. Recursos mais complexos, integração com serviços externos e otimizações continuam dependendo das necessidades do projeto.
Projetos podem funcionar no navegador do Meta Quest
Uma das propostas da integração é simplificar a publicação de experiências imersivas.
Depois de criar um protótipo no v0, o desenvolvedor pode enviá-lo para hospedagem na Vercel e obter um endereço da web.
Em seguida, basta abrir esse endereço no navegador do Meta Quest para testar a experiência, desde que o projeto seja compatível com o dispositivo.
Esse processo utiliza WebXR, tecnologia que permite executar determinados conteúdos de realidade virtual e aumentada por meio do navegador.
Assim, o usuário não precisa necessariamente instalar um aplicativo separado para acessar uma experiência publicada na web.
Entretanto, a disponibilidade das funcionalidades depende do navegador, do dispositivo e das permissões utilizadas.
Agentes de IA agora podem testar projetos em headsets reais
O IWSDK 1.0 amplia os recursos disponíveis para ferramentas automatizadas de desenvolvimento.
Antes da atualização, a Meta oferecia um ambiente de simulação no computador para testar o comportamento de aplicações imersivas.
Agora, um agente de IA compatível também pode executar determinados testes em um Meta Quest conectado ao computador.
Segundo a empresa, esse recurso permite observar o funcionamento da aplicação no próprio equipamento, incluindo renderização e desempenho.
Com isso, o agente pode identificar problemas, modificar o código e repetir o teste.
Entretanto, o processo não substitui completamente a avaliação humana. Conforto, acessibilidade, usabilidade e qualidade da experiência continuam exigindo verificação.
Editor visual permite trabalhar junto com a inteligência artificial
Outra novidade é o Agentic Scene Composer, editor destinado à criação e organização de cenas tridimensionais.
A ferramenta procura resolver uma dificuldade comum em projetos que utilizam IA para gerar código: a separação entre o trabalho visual e as mudanças realizadas por um agente.
No novo sistema, o desenvolvedor pode posicionar objetos, ajustar elementos e editar a cena diretamente.
Enquanto isso, o agente de inteligência artificial pode alterar componentes do projeto utilizando código e verificar os resultados.
Ambos trabalham sobre a mesma estrutura, o que facilita a continuidade do desenvolvimento.
Além disso, o sistema permite que a IA gere modelos tridimensionais e os examine de diferentes ângulos antes de incorporá-los à experiência.
Ferramentas incluem movimentação, física e realidade mista
O Immersive Web SDK 1.0 reúne componentes utilizados frequentemente na construção de aplicativos imersivos.
Entre eles estão sistemas para agarrar objetos, apontar, interagir à distância e reconhecer determinados movimentos das mãos.
O pacote também oferece recursos para deslocamento contínuo, teletransporte e mudanças de direção dentro dos ambientes virtuais.
Além disso, inclui mecanismos de física baseados na tecnologia Havok, interfaces espaciais e suporte a recursos de realidade mista.
Segundo a Meta, parte do processamento de física pode funcionar em uma tarefa separada, reduzindo a disputa por recursos com a renderização da cena.
Esses componentes ajudam a acelerar a criação de protótipos. Entretanto, sua utilização não elimina a necessidade de avaliar o desempenho final em cada dispositivo.
Meta prepara aplicativos para óculos de realidade virtual de 2027
As novas ferramentas também foram desenvolvidas para os Meta VR Glasses, apresentados durante o Meta Connect 2026.
A empresa prevê o lançamento do dispositivo na primavera de 2027 do hemisfério norte, período correspondente aproximadamente aos meses de março a junho.
Diferentemente das experiências concentradas em controles físicos, os novos óculos foram projetados para utilizar principalmente olhar e gestos das mãos.
Por isso, o IWSDK permite tratar a direção do olhar como um apontador e utilizar o gesto de pinça para selecionar elementos.
Os desenvolvedores já podem simular essas interações em computadores. Além disso, os Meta Quest 3 e Quest 3S permitem determinados testes com adaptações do campo de visão.
Entretanto, essas simulações não reproduzem integralmente as características de um equipamento que ainda não chegou ao mercado.
É necessário comprar um Meta Quest para desenvolver?
Não necessariamente. A Meta disponibiliza um emulador que permite iniciar o desenvolvimento e testar determinados comportamentos em computadores.
Assim, o programador pode trabalhar em cenas e validar interações básicas antes de utilizar um headset.
O v0, da Vercel, também oferece uma forma de preparar projetos diretamente no navegador.
Entretanto, testar uma experiência em equipamentos reais continua importante para avaliar desempenho, conforto e funcionamento dos controles.
Além disso, cada ferramenta pode apresentar requisitos próprios de conta, configuração e serviços utilizados.
Aplicativos podem chegar à Meta Horizon Store
Uma experiência criada para a web pode ser disponibilizada por meio de um endereço HTTPS, acessível em navegadores compatíveis.
Entretanto, a Meta também oferece um caminho para transformar determinados projetos em Progressive Web Apps, conhecidos pela sigla PWA.
Esses aplicativos podem ser preparados para distribuição pela Meta Horizon Store, conforme as regras e os requisitos aplicáveis à plataforma.
Isso significa que um projeto inicialmente desenvolvido como página web pode evoluir para um aplicativo distribuído pela loja.
Entretanto, publicar na web não garante aprovação automática na Horizon Store. A submissão depende das políticas, dos procedimentos e dos critérios da Meta.
Como começar a criar experiências de VR com o v0?
Os desenvolvedores interessados podem utilizar o modelo de projeto do Immersive Web SDK disponibilizado para o v0.
O processo inicial envolve três etapas:
- Abrir o modelo do Meta IWSDK na plataforma v0, da Vercel, e descrever a experiência desejada.
- Revisar a estrutura gerada, testar o protótipo e publicar o projeto em um endereço HTTPS.
- Abrir o endereço no navegador de um Meta Quest compatível e testar a experiência imersiva.
Quem prefere iniciar diretamente pelo código também pode criar um projeto utilizando o comando npm create @iwsdk@latest, disponibilizado na documentação oficial.
Entretanto, esse caminho requer a preparação de um ambiente de desenvolvimento compatível.
Para conhecer as ferramentas, os interessados podem consultar o guia oficial de integração entre Meta e Vercel.
O que muda para o desenvolvimento de jogos em realidade virtual?
A principal mudança está na possibilidade de reduzir o trabalho necessário para criar e testar protótipos imersivos.
Ferramentas de IA podem ajudar na escrita do código, na organização dos ambientes e na identificação de falhas.
Além disso, a utilização de tecnologias web permite compartilhar determinados projetos por links, sem depender exclusivamente de instalações tradicionais.
Entretanto, a criação de jogos completos continua envolvendo desafios de design, desempenho, narrativa, interação e conforto do usuário.
Por isso, a integração não representa uma substituição automática dos profissionais envolvidos no desenvolvimento.
Com o Immersive Web SDK 1.0 e o modelo do v0, a Meta procura tornar a realidade virtual mais acessível aos desenvolvedores web. Ao mesmo tempo, prepara ferramentas para a próxima geração de dispositivos, prevista para 2027.








