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Governo estuda crédito para empresas se adaptarem ao fim da escala 6×1

Ministro da Fazenda Dario Durigan fala sobre medidas para empresas após o fim da escala 6x1

Governo estuda crédito para empresas se adaptarem ao fim da escala 6×1 | Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

O governo federal estuda criar linhas de crédito e programas de capacitação para empresas que tiverem dificuldades para se adaptar ao fim da escala de trabalho 6×1. A informação foi dada nesta sexta-feira (16) pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan.

Segundo ele, a equipe econômica ainda vai medir o impacto da mudança sobre diferentes setores e portes de empresas. Mesmo assim, o governo já avalia instrumentos de financiamento para ajudar negócios que precisem investir em inovação, produtividade e reorganização das atividades.

“É possível que a gente faça, por exemplo, uma espécie de linha de crédito ou de capacitação para a inovação”, afirmou Durigan em entrevista à TV Band.

Crédito pode financiar adaptação à nova jornada

O ministro explicou que o governo pretende identificar quais empresas enfrentarão maior dificuldade durante a transição.

Depois disso, a equipe econômica poderá direcionar o apoio aos negócios mais afetados.

Na prática, a adaptação pode exigir modernização de processos, treinamento de funcionários e adoção de novas tecnologias. Assim, as empresas poderiam tentar preservar a produção com uma jornada semanal menor.

“Os empresários têm que ter apoio do governo para participar desse novo tempo, que é uma mudança civilizacional”, declarou Durigan.

Sebrae pode participar da capacitação

Durigan citou o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) entre os possíveis parceiros para ações de capacitação.

Além disso, o ministro mencionou outros sistemas de treinamento profissional que poderiam apoiar principalmente os pequenos negócios.

A ideia é combinar financiamento com qualificação. Dessa forma, empresas com menor capacidade de investimento poderiam reorganizar processos sem depender apenas de recursos próprios.

Governo não anunciou desoneração da folha

Apesar de discutir mecanismos de apoio, Durigan não anunciou desoneração da folha de pagamento nem compensação financeira direta aos empregadores.

Até agora, a equipe econômica trabalha com duas possibilidades principais: crédito direcionado e programas de capacitação.

“Já temos uma previsão de ter linhas de crédito específicas para essa transição, tanto da reforma tributária quanto do fim da jornada 6×1”, afirmou o ministro.

Pequenas empresas já tiveram limite de crédito ampliado

Durigan também afirmou que o governo ampliou de R$ 250 mil para R$ 500 mil o limite de crédito disponível para pequenas empresas.

Segundo ele, os recursos também podem financiar capital de giro, usado para despesas necessárias ao funcionamento cotidiano dos negócios.

Além disso, a Fazenda avalia medidas semelhantes para empresas que precisem se adaptar aos efeitos da reforma tributária.

Fim da escala 6×1 foi promulgado

O Congresso Nacional promulgou nesta sexta-feira (16) a Emenda Constitucional 141/2026, que substitui a escala de seis dias de trabalho por um de descanso pela jornada com dois dias de repouso semanal remunerado.

A mudança ocorrerá de forma gradual e sem redução salarial.

Dois meses após a publicação da emenda, a jornada máxima cairá de 44 para 42 horas semanais. Além disso, passará a valer o direito a dois dias de descanso por semana.

Depois de mais 12 meses, a jornada máxima cairá para 40 horas semanais. Portanto, a transição completa ocorrerá em aproximadamente 14 meses.

Impacto sobre empresas ainda será medido

A equipe econômica ainda não apresentou uma estimativa definitiva sobre o impacto da nova jornada nos diferentes setores.

Durigan afirmou que o governo pretende analisar separadamente empresas de diferentes portes e atividades antes de definir os mecanismos de apoio.

Segundo dados citados pelo ministro durante a entrevista, entre 68% e 70% dos empregos no país já funcionam fora da escala 6×1.

Por isso, ele argumenta que o impacto deve se concentrar em uma parcela específica dos empregadores.

Fazenda aposta em produtividade

O ministro também associou a redução da jornada a possíveis ganhos de produtividade.

Segundo ele, experiências internacionais mostram que empresas podem compensar parte da redução do tempo de trabalho com processos mais eficientes, inovação e menor rotatividade de funcionários.

Assim, o governo pretende direcionar parte das medidas de apoio justamente para a modernização das empresas.

Durigan também fala em ajuste fiscal gradual

Durante a entrevista, o ministro também abordou juros e contas públicas.

Durigan defendeu a continuidade do ajuste fiscal e a busca por superávits primários maiores nos próximos anos. No entanto, rejeitou mudanças abruptas na condução da política econômica.

“Vamos continuar melhorando as contas públicas, gerando superávit, mas de maneira gradual, sem dar cavalo de pau na tua vida, sem gerar incerteza e imprevisibilidade”, afirmou.

Segundo ele, um ajuste muito rápido poderia exigir cortes em políticas sociais e provocar efeitos negativos sobre a atividade econômica.

Enzo Carvalho
Enzo Carvalho é jornalista profissional, com atuação voltada à cobertura de inovação, tecnologia, cotidiano e esportes. Ex-jogador profissional de e-sports, traz para o jornalismo uma compreensão prática do universo digital, das plataformas tecnológicas e das transformações provocadas pela cultura conectada.

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