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Fábio chega aos 46 sem jogar um minuto pela Seleção; entenda a história

Fábio, goleiro do Fluminense, durante partida na temporada de 2026

Fábio chega aos 46 sem jogar um minuto pela Seleção; entenda a história | Lucas Merçon/Fluminense

Aos 46 anos, Fábio continua titular do Fluminense, disputa uma semifinal de Libertadores e aparece entre os goleiros com mais defesas do Campeonato Brasileiro. Entretanto, existe uma particularidade pouco comum em uma carreira que atravessou mais de duas décadas: ele nunca entrou em campo pela Seleção Brasileira principal.

Não faltaram convocações.

Fábio integrou grupos do Brasil desde o início dos anos 2000, participou da Copa das Confederações de 2003 e fez parte do elenco campeão da Copa América de 2004. Depois, voltou a receber oportunidades durante a passagem de Mano Menezes pela Seleção.

Ainda assim, terminou todas essas convocações sem disputar uma partida.

A história reaparece justamente quando Carlo Ancelotti promove uma renovação profunda na posição. Nesta Data Fifa, o treinador deixou nomes experientes fora e abriu espaço para Hugo Souza, Otávio e Pedro Morisco.

Aos 46 anos, Fábio já não se encaixa no projeto esportivo pensado para a Copa do Mundo de 2030. Porém, seu momento no Fluminense torna a trajetória pela Seleção ainda mais curiosa.

Fábio foi campeão da Copa América sem entrar em campo

As primeiras oportunidades na equipe principal chegaram quando Fábio ainda defendia o Vasco.

Em 2003, Carlos Alberto Parreira convocou o goleiro para a Copa das Confederações. O Brasil também contava com Dida e Júlio César para a posição.

No ano seguinte, Fábio participou da campanha da Copa América de 2004, no Peru.

O Brasil conquistou o título ao derrotar a Argentina nos pênaltis depois do empate por 2 a 2 na final. Júlio César, porém, ocupou o gol durante toda a competição.

Assim, Fábio ganhou oficialmente um título com a Seleção principal sem ter disputado uma partida.

Depois daquele período, a concorrência continuou elevada.

Últimas convocações aconteceram em 2011

Fábio voltou com mais força ao radar da Seleção durante o trabalho de Mano Menezes.

Em maio de 2011, recebeu convocação para os amistosos diante de Holanda e Romênia.

Naquele momento, a lista também reunia Júlio César, Jefferson e Victor.

Depois, Fábio voltou a aparecer em outras convocações durante o mesmo ano. Sua última chamada ocorreu para um confronto com a Argentina pelo Superclássico das Américas.

Entretanto, uma pancada na cabeça sofrida durante uma partida do Cruzeiro contra o próprio Fluminense provocou seu corte da delegação.

Victor entrou em seu lugar.

Desde então, Fábio nunca mais recebeu uma convocação para a equipe principal.

Melhores temporadas coincidiram com goleiros consolidados

A ausência ganhou mais atenção justamente porque algumas das melhores temporadas da carreira aconteceram nos períodos anteriores às Copas do Mundo.

Em 2010, Fábio terminou o Campeonato Brasileiro como um dos protagonistas do vice-campeonato do Cruzeiro e recebeu o prêmio da CBF de melhor goleiro da competição.

Porém, Dunga já havia levado Júlio César, Gomes e Doni ao Mundial da África do Sul.

Três anos depois, Fábio capitaneou o Cruzeiro na conquista do Brasileirão de 2013 e voltou a receber reconhecimento individual.

Naquele ciclo, Luiz Felipe Scolari construiu sua hierarquia para a Copa de 2014 com Júlio César, Jefferson e Victor.

A situação voltou a ocorrer em outro momento importante.

Em 2017, Fábio teve participação decisiva no título da Copa do Brasil. Parou Luan na semifinal diante do Grêmio e defendeu a cobrança de Diego na decisão contra o Flamengo.

Tite chegou a elogiar publicamente o nível apresentado pelo goleiro. Mesmo assim, trabalhava naquele período com alternativas como Alisson, Ederson, Cássio, Weverton e Diego Alves.

Nem Libertadores pelo Fluminense mudou cenário

A longevidade permitiu que Fábio continuasse acumulando argumentos esportivos mesmo depois dos 40 anos.

Em 2023, já pelo Fluminense, conquistou a Libertadores aos 43.

Curiosamente, o técnico campeão continental, Fernando Diniz, também comandava interinamente a Seleção Brasileira naquele período.

Mesmo assim, a convocação feita logo depois da conquista manteve outros goleiros.

A trajetória continuou.

Fábio tornou-se o jogador com mais partidas oficiais registradas na história do futebol, superou 300 jogos pelo Fluminense e ampliou recordes na Libertadores.

Em 2026, ainda recebeu o prêmio de craque do Campeonato Carioca. O Folha do Leste registrou o domínio tricolor na seleção do Estadual e a escolha individual do goleiro como principal jogador da competição. Seleção do Campeonato Carioca 2026 tem Fábio como craque

Aos 46, Fábio segue decisivo na Libertadores

A temporada atual reforçou o contraste.

Fábio acumula 99 defesas em 28 partidas do Brasileirão, segunda maior marca entre os goleiros da competição.

Na Libertadores, sua influência ganhou ainda mais peso.

Nas oitavas de final contra o Independiente Rivadavia, o goleiro defendeu duas cobranças de pênalti e colocou o Fluminense nas quartas.

O Folha do Leste acompanhou aquela noite em Mendoza, quando Fábio virou o personagem central da classificação tricolor. Fluminense elimina Rivadavia em noite heroica de Fábio

Marcão chegou a chamá-lo de “São Fábio” após a decisão. Marcão exalta “São Fábio” após classificação

O goleiro voltou a fazer defesas importantes diante do Platense nas quartas e chega à semifinal contra o Palmeiras como uma das referências do time.

Ancelotti olha para 2030 e testa nova geração

O momento atual da Seleção torna a comparação ainda mais interessante.

Ancelotti iniciou o ciclo posterior à Copa de 2026 buscando atletas com perspectiva para a Copa América de 2028 e o Mundial de 2030.

O próprio treinador deixou claro que a prioridade não consiste necessariamente em convocar apenas quem apresenta o melhor rendimento imediato. A comissão também considera idade, potencial e capacidade de acompanhar o próximo ciclo.

Por isso, chamou Hugo Souza, Otávio e Pedro Morisco nesta Data Fifa.

O Folha do Leste mostrou que a convocação contém oito estreantes e representa uma das maiores renovações recentes da Seleção. Oito estreantes simbolizam renovação de Ancelotti

Portanto, aos 46 anos, uma convocação de Fábio hoje teria lógica muito diferente daquela existente durante seus melhores momentos no Cruzeiro.

Sua história com a camisa amarela, entretanto, permanece incomum: foi convocado, participou de competições internacionais, tornou-se campeão da Copa América e atravessou diferentes gerações de goleiros — sem jamais entrar em campo pela Seleção principal.

Enzo Carvalho
Enzo Carvalho é jornalista profissional, com atuação voltada à cobertura de inovação, tecnologia, cotidiano e esportes. Ex-jogador profissional de e-sports, traz para o jornalismo uma compreensão prática do universo digital, das plataformas tecnológicas e das transformações provocadas pela cultura conectada.

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