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Montoro participa de 1 em cada 4 finalizações do Botafogo, mas Danilo pesa mais nos gols

Álvaro Montoro com a camisa do Botafogo durante partida do Campeonato Brasileiro

Montoro participa de 1 em cada 4 finalizações do Botafogo, mas Danilo pesa mais nos gols | Vitor Silva/Botafogo

Álvaro Montoro concentra uma parcela importante da criação ofensiva do Botafogo, mas os números mostram que o time não depende apenas do argentino para transformar jogadas em gols. No Campeonato Brasileiro, o camisa 10 participa de aproximadamente uma em cada quatro finalizações construídas pelo Alvinegro quando está em campo.

Ao mesmo tempo, Danilo e Alex Telles apresentam participação proporcional maior nos gols da equipe.

A diferença ajuda a explicar o papel de cada jogador antes da retomada do Brasileirão. Enquanto Montoro funciona principalmente como articulador, Danilo combina construção e chegada à área. Já Alex Telles acrescenta produção ofensiva a partir da lateral.

Esse equilíbrio será uma das questões para Tite administrar durante a preparação para o clássico contra o Vasco, marcado para 7 de outubro, às 20h30, no Nilton Santos.

Montoro participa de 25,5% das finalizações construídas

Montoro disputou 25 partidas do Botafogo no Brasileirão.

Nesse período, o Alvinegro produziu 325 finalizações, descontando pênaltis e cobranças diretas de falta.

O argentino apareceu diretamente em 83 dessas jogadas.

Portanto, participou de 25,54% da produção de finalizações da equipe — aproximadamente uma em cada quatro.

A conta reúne diferentes formas de contribuição. Montoro finalizou 30 vezes com bola rolando, distribuiu 28 passes que terminaram em chute e ainda participou de 25 pré-assistências para finalizações.

Esses números ajudam a mostrar uma função que nem sempre aparece apenas nas estatísticas tradicionais de gols e assistências.

Montoro não precisa necessariamente dar o último passe. Muitas vezes, ele participa da ação anterior que desmonta a defesa e cria a condição para a finalização.

Danilo supera argentino na participação em gols

Quando a comparação muda para gols, entretanto, aparece outro protagonista.

O Botafogo marcou 35 vezes nas partidas do Brasileirão em que Montoro esteve em campo. O argentino participou de oito desses gols, considerando gol, assistência e pré-assistência.

Isso corresponde a 22,86%.

Montoro soma um gol, cinco assistências e duas pré-assistências nesse recorte.

Já Danilo participou de 11 dos 28 gols marcados pelo Botafogo nas partidas em que atuou, alcançando 39,29% de participação.

O volante também reúne números mais altos de produção direta: nove gols e duas assistências.

Assim, os números mostram funções diferentes.

Montoro aparece com enorme frequência na construção das jogadas. Danilo, por outro lado, consegue transformar sua participação ofensiva em gols com frequência proporcionalmente maior.

Essa característica já apareceu pouco antes da chegada de Tite. Na vitória por 3 a 2 sobre o Grêmio, Danilo marcou duas vezes e Montoro completou o placar alvinegro. O Folha do Leste mostrou como aquela vitória encerrou uma sequência de seis partidas sem triunfo no Brasileirão.

Alex Telles também aparece acima na participação em gols

Outro nome importante surge pela esquerda.

Alex Telles participou de 31,58% dos gols marcados pelo Botafogo nas partidas que disputou.

O lateral acumula três gols, quatro assistências e cinco pré-assistências, totalizando 12 participações.

Na criação de finalizações, ele aparece em 19,56% das jogadas.

Portanto, Montoro concentra mais ações na construção ofensiva, mas Danilo e Alex Telles entregam participação proporcional superior quando a jogada termina efetivamente em gol.

Esse contraste impede uma conclusão simplista de que o Botafogo seja ofensivamente dependente apenas do camisa 10.

Botafogo venceu duas vezes sem Montoro

Outro dado reforça essa leitura.

Montoro ficou fora de campo em apenas três rodadas do Brasileirão.

Sem o argentino, o Botafogo acumulou duas vitórias e uma derrota.

O time perdeu por 3 a 0 para o Flamengo, mas derrotou a Chapecoense por 4 a 1 e o Santos por 2 a 1.

Os treinadores utilizaram alternativas diferentes nesses jogos. Barrera, Villalba e uma composição de meio-campo com Danilo, Medina e Edenilson assumiram funções normalmente ocupadas pelo argentino.

A amostra, entretanto, ainda é pequena. Três partidas não permitem afirmar que a presença ou ausência de Montoro determina o rendimento coletivo.

O que os números mostram com maior segurança é outra coisa: o argentino concentra grande parcela da criação, mas a capacidade de decisão está distribuída pelo time.

Renovação mudou status de Montoro no Botafogo

A importância esportiva também ajuda a entender uma mudança recente no planejamento do clube.

Durante a janela, o Botafogo chegou a trabalhar com a possibilidade de negociar o argentino por aproximadamente 25 milhões de euros.

Entretanto, o cenário mudou.

Em agosto, o clube renovou o contrato de Montoro até dezembro de 2030 e passou a tratá-lo como peça central do novo projeto esportivo.

Antes disso, o próprio Folha do Leste havia mostrado que o Botafogo esperava propostas pelo jogador e projetava uma venda milionária.

A permanência transformou a discussão.

Em vez de preparar sua substituição, o clube passou a buscar formas de potencializar o jovem de 19 anos dentro de um elenco que agora será moldado por Tite.

Tite terá Montoro como peça de criação contra o Vasco

O clássico contra o Vasco será o segundo jogo de Tite pelo Botafogo.

A estreia terminou com derrota por 2 a 0 para o Mirassol. Depois disso, a Data Fifa abriu um período prolongado de treinamentos antes da volta ao Brasileirão.

O Botafogo ocupa a 12ª colocação, com 35 pontos, e precisa reagir nas dez rodadas finais para se afastar definitivamente da parte inferior e voltar a disputar posições mais altas.

Nesse contexto, Montoro tende a continuar como uma das principais referências para fazer a bola chegar ao ataque.

Os números, porém, mostram uma pista importante para Tite: quanto mais o Botafogo conseguir aproximar Danilo, Alex Telles e outros jogadores da produção ofensiva de Montoro, menos previsível poderá se tornar a equipe.

Aos 19 anos, o argentino já concentra um quarto da construção das finalizações alvinegras. O próximo passo será transformar essa influência crescente em ainda mais gols — dele e dos companheiros.

Enzo Carvalho
Enzo Carvalho é jornalista profissional, com atuação voltada à cobertura de inovação, tecnologia, cotidiano e esportes. Ex-jogador profissional de e-sports, traz para o jornalismo uma compreensão prática do universo digital, das plataformas tecnológicas e das transformações provocadas pela cultura conectada.

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