
Niterói aparece entre as 30 cidades com maior bem-estar estrutural do Brasil | Divulgação/Claudio Fernandes/Prefeitura de Niterói
Niterói aparece entre as 30 cidades brasileiras com melhores condições estruturais de bem-estar em 2026. O município ocupa a 24ª posição, com nota 8,58 de 10, em levantamento publicado pela Revista Bula.
Entre as cidades do estado do Rio de Janeiro, Niterói é a única presente na lista.
Embora o estudo use a expressão “cidades mais felizes”, o próprio levantamento faz uma ressalva importante: ele não mede diretamente a felicidade dos moradores.
Na prática, o ranking combina indicadores públicos relacionados às condições que podem favorecer o bem-estar.
O que o ranking realmente mede
O levantamento se inspira no World Happiness Report, mas utiliza uma metodologia própria para municípios brasileiros.
Isso ocorre porque o Brasil não dispõe de uma pesquisa nacional padronizada que pergunte aos moradores de todas as cidades como avaliam a própria vida.
Por isso, o estudo trabalha com um índice proxy de bem-estar estrutural.
Em outras palavras, analisa as condições oferecidas pela cidade, e não o sentimento individual de felicidade de cada morador.
Oito áreas entram na avaliação
A metodologia divide o levantamento em oito dimensões.
A segurança pessoal recebe o maior peso, com 16%.
Em seguida aparecem capacidade material e segurança econômica e saúde e longevidade, ambas com peso de 15%.
Também entram no cálculo:
- apoio social e proteção contra vulnerabilidade;
- liberdade prática e capacidade de escolha;
- confiança institucional e integridade pública;
- civismo, generosidade e vida comunitária;
- habitabilidade e serviços urbanos básicos.
Os indicadores foram padronizados em uma escala de zero a dez.
Niterói recebeu nota 8,58
Para integrar a seleção final, uma cidade precisava alcançar pelo menos 8,5 pontos.
Niterói obteve 8,58 e ficou na 24ª colocação nacional.
Além disso, o município precisava apresentar dados suficientes em pelo menos seis das oito dimensões.
Quatro delas eram obrigatórias: economia, saúde, segurança pessoal e serviços urbanos.
O estudo também aplicou um ajuste para considerar diferenças entre cidades pequenas e grandes centros urbanos.
Dados vieram de bases públicas
O levantamento utilizou informações de diferentes bases oficiais.
Entre elas aparecem dados do IBGE, PNUD, Ipea, INEP, DataSUS, SNIS e Siconfi.
Segundo a metodologia, os responsáveis excluíram indicadores quando não encontraram cobertura municipal suficiente ou comparabilidade adequada.
Dessa forma, o estudo buscou comparar municípios com critérios semelhantes.
Saneamento ajuda a explicar desempenho de Niterói
Niterói também apresenta desempenho elevado em outros indicadores urbanos.
No Ranking do Saneamento 2026, do Instituto Trata Brasil, por exemplo, a cidade aparece como a mais bem colocada do estado do Rio entre os 100 maiores municípios brasileiros.
Os dados utilizados pelo instituto indicam 100% de atendimento com abastecimento de água e 95,6% de cobertura de esgoto.
Esse tipo de indicador integra justamente uma das áreas consideradas no levantamento sobre bem-estar: a habitabilidade e a oferta de serviços urbanos.
Cidade também se destaca em mobilidade
Outro indicador recente envolve a mobilidade por bicicleta.
Em 2026, Niterói apareceu na primeira posição da América Latina em levantamento da Copenhagenize sobre cidades favoráveis ao uso da bicicleta.
A cidade passou de cerca de 20 quilômetros de infraestrutura cicloviária, em 2013, para aproximadamente 100 quilômetros atualmente.
Esse dado não determina sozinho a posição no ranking de bem-estar, mas ajuda a contextualizar algumas das características urbanas avaliadas em estudos sobre qualidade de vida.
“Cidade mais feliz” não significa pesquisa com moradores
A diferença é importante.
O ranking não entrevistou moradores para perguntar se eles se consideram felizes.
Portanto, a 24ª posição não significa que Niterói tenha a 24ª população mais feliz do país.
O resultado indica que, dentro da metodologia utilizada, a cidade reúne condições econômicas, sociais e urbanas associadas a maior bem-estar.
Essa distinção também separa o levantamento brasileiro do World Happiness Report, cuja metodologia internacional utiliza avaliações subjetivas de vida feitas pela própria população.








