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Bap diz que fim das bets ameaça parcela de Paquetá e reforços do Flamengo

Luiz Eduardo Baptista, Bap, presidente do Flamengo, durante evento do clube

Bap diz que fim das bets ameaça parcela de Paquetá e reforços do Flamengo | Reprodução/Flamengo TV

O Flamengo já trabalha com um cenário de redução de receitas para 2027 após a proibição das bets no Brasil. Presidente do clube, Luiz Eduardo Baptista, o Bap, afirmou que a possível perda do patrocínio da Betano coloca pressão sobre compromissos assumidos para os próximos anos e citou diretamente as parcelas da contratação de Lucas Paquetá.

A preocupação ganhou força depois da publicação da Medida Provisória 1.394/2026, que proíbe exploração, oferta, intermediação, publicidade e patrocínio ligados às apostas de quota fixa. O texto já está em vigor, mas ainda precisa passar pelo Congresso Nacional para ser convertido definitivamente em lei.

Bap espera que a medida seja revertida no Congresso ou por decisão judicial. Enquanto isso, admite que o Flamengo procura alternativas, mas considera improvável substituir integralmente uma receita do tamanho da obtida com a Betano.

“Causa uma apreensão enorme nos contratos que assumimos para o futuro. Como vou pagar a parcela do Paquetá em janeiro? Eu assumi um compromisso importante.”

Paquetá vira exemplo da preocupação para 2027

A contratação de Lucas Paquetá representa o exemplo mais evidente do modelo financeiro citado pelo dirigente.

O Flamengo fechou a operação com o West Ham em janeiro e acertou pagamentos distribuídos até janeiro de 2028.

No balanço do primeiro semestre, o clube registrou custo total de R$ 315,669 milhões com a contratação. Desse valor, R$ 299,059 milhões correspondem a direitos federativos e luvas, enquanto outros R$ 16,610 milhões aparecem como despesas de intermediação.

Há compromissos importantes ainda pela frente.

Uma das parcelas previstas para janeiro de 2027 gira em torno de R$ 71 milhões. Outro pagamento de valor semelhante está previsto para 2028.

Foi justamente essa obrigação futura que Bap utilizou para explicar por que considera a mudança regulatória capaz de atingir o planejamento esportivo do clube.

Receita da Betano estava prevista no planejamento

O contrato entre Flamengo e Betano começou em agosto de 2025 e tem duração prevista até 31 de dezembro de 2028.

O acordo é considerado pelo próprio clube o maior patrocínio de sua história.

O Flamengo não divulga oficialmente todos os valores da operação, mas o contrato é estimado pelo mercado em aproximadamente R$ 268,5 milhões por temporada.

A parceria não envolve apenas o uniforme do futebol masculino. A Betano também aparece nas equipes femininas, modalidades olímpicas e propriedades comerciais da FlamengoTV.

Por isso, uma eventual interrupção do contrato produziria efeito maior do que simplesmente retirar uma marca da camisa.

A receita também fazia parte das projeções utilizadas pelo Flamengo para assumir obrigações futuras.

Bap prevê redução nas contratações

O presidente deixou claro que uma queda significativa de receita comercial afetaria diretamente o departamento de futebol.

“Nós vamos deixar de contratar jogadores e contratar advogados. Nós não temos condições, hoje, de honrar os compromissos que nós assumimos baseados em contratos legais.”

Bap também afirmou que o Flamengo procurará novos parceiros comerciais caso seja necessário substituir a Betano.

A avaliação do dirigente, entretanto, é de que haverá dificuldade para manter o mesmo patamar financeiro.

“Vamos buscar alternativas, novos patrocinadores, mas os valores serão muito abaixo dos atuais.”

A projeção parte de uma questão de oferta.

Vários clubes brasileiros possuem casas de apostas como patrocinadoras principais. Caso todos precisem procurar substitutos ao mesmo tempo, uma quantidade elevada de propriedades comerciais chegaria ao mercado simultaneamente.

Na visão de Bap, isso reduziria o poder de negociação das equipes.

Mercado pode receber propriedades de vários clubes

O Flamengo já acompanha empresas interessadas no espaço.

Nos últimos dias, surgiram movimentações envolvendo marcas de outros setores. A Lubrax, por exemplo, manifestou interesse em discutir uma eventual ocupação do patrocínio máster.

Isso não significa que exista um acordo encaminhado.

O clube ainda trabalha com a Betano e acompanha a tramitação da medida antes de tomar decisões definitivas sobre a propriedade.

A dificuldade estará justamente na diferença entre o valor atual e aquilo que outras empresas estariam dispostas a oferecer.

Bap acredita que esse efeito não ficará restrito ao Flamengo.

Presidente prevê impacto também fora do futebol

O dirigente incluiu no alerta as modalidades olímpicas e outras propriedades comerciais do clube.

A Betano também participa do financiamento de esportes como basquete, vôlei e futebol feminino.

Assim, uma eventual perda de receita pode provocar revisão de investimentos além do elenco profissional.

Bap já havia estimado anteriormente impacto superior a R$ 400 milhões anuais para o Flamengo, considerando não apenas o contrato máster, mas também outras receitas relacionadas ao mercado de apostas.

Essa é uma projeção da administração rubro-negra, e não uma perda financeira já contabilizada.

O tamanho efetivo do impacto dependerá da permanência ou não da MP, das condições para encerramento dos contratos existentes e da capacidade do clube de encontrar novas receitas.

Medida Provisória ainda passa pelo Congresso

A proibição das bets entrou em vigor com a publicação da MP 1.394/2026, em 25 de setembro.

O texto encerra o modelo regulado implantado anteriormente e alcança também publicidade, marketing e patrocínio das casas de apostas.

O governo justifica a medida pelos impactos associados ao endividamento das famílias, saúde mental e exposição de crianças e adolescentes às apostas.

Por outro lado, clubes e empresas do setor sustentam que a interrupção dos contratos provoca insegurança jurídica e perda de receitas já previstas.

A MP ainda está sob análise do Congresso.

O calendário legislativo estabelece prazo para deliberação até 23 de novembro. Câmara e Senado podem aprovar, modificar ou rejeitar o texto.

Entidades representativas das casas de apostas também recorreram ao Supremo Tribunal Federal contra a medida.

Bap contesta efeito sobre endividamento

Ao comentar a justificativa para a mudança, Bap apresentou uma avaliação diferente da defendida pelo governo.

“Na Argentina estão celebrando. Vai haver um enfraquecimento ainda maior do futebol brasileiro. E você não vai reduzir o endividamento com essa decisão. A gente tem certeza absoluta disso.”

A afirmação sobre o efeito da proibição no endividamento representa a opinião do dirigente. O impacto econômico e social da medida ainda dependerá de sua aplicação e não pode ser determinado neste momento.

No Flamengo, entretanto, a administração já trabalha com um problema concreto de planejamento.

O clube contratou jogadores, estruturou orçamentos e assumiu obrigações com receitas comerciais projetadas para os próximos anos.

Entre elas está a maior contratação de sua história.

Por isso, quando Bap pergunta como pagará a próxima parcela de Paquetá, o dirigente transforma a discussão nacional sobre as bets em uma questão diretamente ligada à montagem do Flamengo de 2027.

Enzo Carvalho
Enzo Carvalho é jornalista profissional, com atuação voltada à cobertura de inovação, tecnologia, cotidiano e esportes. Ex-jogador profissional de e-sports, traz para o jornalismo uma compreensão prática do universo digital, das plataformas tecnológicas e das transformações provocadas pela cultura conectada.

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