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Impressão 3D corta de semanas para horas produção de peças de drones

Drone da Lightcraft com componentes produzidos por impressão 3D

Impressão 3D corta de semanas para horas produção de peças de drones | Reprodução/Lightcraft/Formlabs

Uma peça de drone que antes podia levar semanas para chegar agora pode ficar pronta em horas.

A fabricante e operadora de drones Lightcraft passou a usar impressão 3D SLS dentro da própria oficina para acelerar o desenvolvimento de aeronaves voltadas a cinema, aplicações industriais e defesa.

O ganho aparece principalmente no ciclo de testes.

Em vez de enviar uma peça para usinagem ou moldagem externa, esperar pela entrega e só então descobrir se ela funciona, a equipe consegue alterar o projeto durante o dia, imprimir durante a noite e testar novamente no dia seguinte.

Impressão 3D virou parte da própria fábrica

A Lightcraft trabalha com drones personalizados e produz muitos componentes em pequenas quantidades.

Esse tipo de operação cria um problema.

Usinagem e moldagem por injeção funcionam muito bem em determinados volumes, mas podem ficar caras e lentas quando o projeto muda constantemente.

Por isso, a empresa decidiu trazer parte da fabricação para dentro de casa.

Hoje, a equipe usa uma Formlabs Fuse 1+ 30W, baseada em sinterização seletiva a laser, ou SLS.

Segundo a própria Lightcraft, o equipamento reduziu o prazo de produção de partes estruturais e suportes de semanas para horas.

Engenheiro pode mudar uma peça e testar no dia seguinte

Essa redução muda mais do que o calendário.

Ela altera a forma como a equipe desenvolve o drone.

Se um engenheiro identifica um problema em um suporte, por exemplo, pode modificar o modelo CAD, preparar uma nova versão e colocá-la para imprimir.

No dia seguinte, a peça já pode seguir para teste.

Antes, uma falha descoberta depois de semanas de espera podia significar mais algumas semanas até a chegada de uma substituta.

Agora, o ciclo projeto → impressão → teste → correção acontece muito mais rápido.

SLS substituiu parte do que antes ia para terceiros

A Lightcraft já utilizava impressoras FDM e máquinas de resina mais simples.

Essas tecnologias continuam úteis para prototipagem.

Entretanto, a empresa considerava que acabamento e propriedades mecânicas das peças FDM nem sempre atendiam aos componentes finais dos drones.

Por isso, algumas peças seguiam para usinagem em alumínio ou moldagem por injeção.

Esse processo aumentava custo e prazo.

Com o SLS, parte desses componentes agora fica dentro da própria oficina.

Suportes, estruturas e peças de proteção saem da impressora

A empresa usa o processo para fabricar diferentes componentes.

Entre eles estão:

  • suportes de GPS;
  • suportes de motores;
  • grommets;
  • tampas para fechamento de aberturas;
  • componentes de proteção contra entrada de poeira;
  • partes estruturais de drones.

A Lightcraft utiliza principalmente Nylon 12 Tough Powder nessas aplicações.

Depois da impressão, as peças passam por limpeza e acabamento antes de entrarem na aeronave.

SLS permite imprimir mecanismos já montados

Outra vantagem aparece na geometria.

Na impressão SLS, o próprio pó ao redor da peça funciona como suporte durante a fabricação.

Por isso, a tecnologia permite criar estruturas que seriam mais complicadas de produzir em FDM.

A Lightcraft aproveitou isso até para imprimir mecanismos articulados já montados.

Um dos exemplos é um pequeno drone que sai da máquina em uma única peça e consegue dobrar e desdobrar sua própria estrutura.

Isso reduz etapas de montagem e abre espaço para projetos que seriam difíceis de fabricar por métodos convencionais.

FDM continua útil, mas não resolve tudo

A empresa não abandonou a impressão FDM.

Ela mantém mais de dez impressoras 3D, incluindo máquinas FDM e equipamentos de resina.

Entretanto, cada tecnologia assumiu uma função diferente.

A FDM continua interessante para protótipos rápidos e baratos.

Já o SLS entra quando a equipe precisa de melhor acabamento, resistência e geometria mais complexa para peças funcionais.

Ou seja, uma tecnologia não substitui automaticamente a outra.

A escolha depende do papel da peça dentro do drone.

Pós-processamento também entrou no fluxo

Produzir a peça é apenas parte do trabalho.

Depois da impressão, a Lightcraft utiliza equipamentos como Fuse Sift e Fuse Blast para remover pó e melhorar o acabamento superficial.

Esse processo também reduz trabalho manual.

Segundo a empresa, automatizar a limpeza permite que os engenheiros gastem menos tempo em tarefas repetitivas e voltem mais rapidamente ao desenvolvimento.

Empresa chama oficina de microfábrica

A Lightcraft descreve sua estrutura como uma espécie de microfábrica.

A ideia é produzir internamente o máximo possível.

Isso reduz dependência de fornecedores externos e permite adaptar peças conforme cada projeto.

Além disso, como muitos drones são personalizados, fabricar pequenas séries internamente evita pagar pela estrutura de produção pensada para grandes volumes.

Nesse cenário, a impressão 3D funciona menos como ferramenta de protótipo e mais como parte da própria linha de fabricação.

Impressão 3D muda onde o gargalo aparece

O caso da Lightcraft mostra uma mudança interessante.

Quando o desenvolvimento depende de fornecedores externos, o gargalo muitas vezes está na espera pela peça.

Com produção interna, esse tempo diminui drasticamente.

Então o problema passa a ser outro: projetar, testar e decidir mais rápido.

É justamente aí que a impressão 3D ganha valor.

Não porque transforme qualquer componente em algo melhor automaticamente, mas porque permite errar, corrigir e testar novamente antes que semanas desapareçam no calendário.

Enzo Carvalho
Enzo Carvalho é jornalista profissional, com atuação voltada à cobertura de inovação, tecnologia, cotidiano e esportes. Ex-jogador profissional de e-sports, traz para o jornalismo uma compreensão prática do universo digital, das plataformas tecnológicas e das transformações provocadas pela cultura conectada.

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