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Bambu Lab lança hoje R1, laser CO₂ que corta acrílico e trabalha com peças de até 3 metros

Bambu Lab R1 usa laser CO₂ para corte e gravação de materiais.

Bambu Lab lança hoje R1, laser CO₂ que corta acrílico e trabalha com peças de até 3 metros | Reprodução

A Bambu Lab abre uma nova frente nesta terça-feira (22). Conhecida principalmente pelas impressoras 3D, a fabricante lança o R1, seu primeiro equipamento independente dedicado a gravação e corte a laser.

E não será um pequeno módulo adaptado a uma impressora.

O Bambu Lab R1 utiliza laser CO₂, consegue trabalhar com acrílico transparente e acabou sendo apresentado pela empresa como capaz de processar projetos com até 3 metros de comprimento.

A fabricante também cita madeira, couro e vidro entre os materiais compatíveis, embora ainda não tenha detalhado exatamente quais operações — corte, gravação ou marcação — serão possíveis em cada um deles.

Até a manhã desta terça-feira, a Bambu ainda mantinha sob sigilo especificações importantes como potência do laser, área útil, profundidade máxima de corte e preço.

R1 não é uma impressora 3D com laser

Essa distinção é importante.

A Bambu Lab já oferece recursos a laser dentro de sua linha de fabricação pessoal. O H2D, por exemplo, pode utilizar módulos de laser de diodo opcionais.

O R1 é outra categoria de produto.

Quando apresentou o equipamento pela primeira vez, em agosto, a fabricante definiu o modelo como seu primeiro gravador e cortador a laser e indicou que ele faria parte de uma estratégia mais ampla de transformar seu ecossistema em uma espécie de central pessoal de fabricação.

Na prática, significa separar duas funções.

A impressora continua imprimindo plástico camada por camada. O R1 fica responsável por cortar, gravar e trabalhar materiais planos ou peças maiores usando laser.

Laser CO₂ muda o tipo de material que pode ser cortado

A escolha do CO₂ não é apenas uma diferença de potência.

Esse tipo de laser opera em comprimento de onda diferente dos lasers de diodo azuis normalmente encontrados em equipamentos domésticos.

Uma das vantagens práticas aparece justamente no acrílico transparente.

Lasers de diodo visíveis podem atravessar materiais transparentes sem que a energia seja absorvida adequadamente. O laser CO₂ interage de maneira diferente com o acrílico, permitindo cortar materiais que costumam ser problemáticos para sistemas de diodo.

A própria Bambu colocou isso no centro da divulgação do R1, afirmando que a máquina poderá cortar acrílico transparente com a mesma facilidade apresentada para madeira.

Madeira, acrílico, couro e vidro estão na lista

A lista oficial divulgada pela Bambu inclui:

  • madeira;
  • acrílico transparente;
  • couro;
  • e vidro.

É preciso, porém, fazer uma separação importante.

A fabricante escreveu que o R1 consegue “trabalhar” com esses materiais, mas ainda não detalhou se cada um deles poderá ser cortado, gravado ou apenas marcado.

Isso é especialmente relevante no caso do vidro.

Lasers CO₂ são amplamente utilizados para gravação e marcação de superfícies de vidro, enquanto o corte convencional desse material envolve desafios diferentes.

Portanto, até que a ficha técnica seja publicada, não é correto afirmar que o R1 simplesmente “corta vidro”.

Máquina poderá trabalhar com peças de até 3 metros

Outra pista divulgada pela Bambu mostra que o R1 não pretende ficar restrito a pequenas placas decorativas.

A empresa afirma que o equipamento poderá trabalhar em escala de mobiliário, chegando a projetos com até 3 metros de comprimento.

Na imagem usada pela fabricante, o R1 aparece associado tanto a pequenos objetos decorativos quanto a peças maiores, como uma luminária de chão.

A Bambu ainda não explicou publicamente como realizará esse processamento de peças longas.

Sistemas concorrentes costumam usar mesas de passagem ou mecanismos de alimentação que movem o material pelo equipamento enquanto diferentes trechos são processados.

No R1, porém, esse mecanismo ainda precisa ser confirmado oficialmente.

Calibração automática é outra aposta

Um dos problemas clássicos de máquinas a laser CO₂ está no alinhamento óptico.

Em diversos equipamentos, o usuário precisa conferir manualmente a trajetória do feixe por meio de espelhos e realizar testes para garantir que o laser chegue corretamente ao ponto de corte.

A Bambu indicou nos materiais prévios que o R1 fará parte desse alinhamento automaticamente.

Esse detalhe pode ser tão importante quanto a potência.

A fabricante construiu boa parte da reputação de suas impressoras 3D oferecendo processos automáticos que antes exigiam calibração manual do usuário.

Se conseguir repetir essa filosofia no laser, o R1 pode mirar justamente quem quer cortar materiais sem transformar a oficina em uma pós-graduação em óptica.

Primeiro produto da Bambu fora da impressão 3D

O lançamento também representa uma mudança estratégica.

Até agora, a identidade da Bambu Lab estava diretamente ligada às impressoras 3D FDM, sistemas multicoloridos AMS e acessórios relacionados.

O R1 será o primeiro equipamento independente da empresa que não é uma impressora 3D.

Logo, isso coloca a marca mais diretamente contra fabricantes como xTool e Creality, que já vendem máquinas dedicadas de corte e gravação a laser.

Também aproxima impressão 3D e corte a laser dentro do mesmo fluxo maker.

Uma peça pode, por exemplo, combinar componentes impressos em 3D com painéis de madeira ou acrílico cortados sob medida.

Ainda faltam os números mais importantes

Apesar dos teasers, várias respostas continuam guardadas para o lançamento.

Até a manhã de 22 de setembro, a Bambu ainda não havia detalhado publicamente:

  • potência do tubo CO₂;
  • área útil de trabalho;
  • espessura máxima de corte;
  • velocidade máxima;
  • sistema de refrigeração;
  • extração de fumaça;
  • dimensões do equipamento;
  • e preço.

Também não havia preço oficial para o Brasil.

Qualquer valor atribuído ao produto antes da divulgação da fabricante deve, portanto, ser tratado como especulação.

Segurança também será parte importante do R1

Um equipamento CO₂ não é simplesmente uma impressora 3D que trocou o bico por uma luz mais forte.

Lasers usados para corte podem provocar incêndios, queimaduras e lesões oculares graves caso sejam operados sem as proteções adequadas.

Dessa forma, a própria documentação de segurança já usada pela Bambu para seus módulos de laser exige sistemas de intertravamento, ventilação adequada e acompanhamento durante a operação.

No R1, será especialmente importante observar como a fabricante implementará:

  • enclausuramento do laser;
  • sensores de abertura;
  • detecção de chama;
  • exaustão de fumaça;
  • e bloqueios de segurança.

São detalhes menos chamativos do que cortar um pedaço de acrílico transparente, mas decisivos em um equipamento que pode ficar dentro de uma oficina doméstica.

Enzo Carvalho
Enzo Carvalho é jornalista profissional, com atuação voltada à cobertura de inovação, tecnologia, cotidiano e esportes. Ex-jogador profissional de e-sports, traz para o jornalismo uma compreensão prática do universo digital, das plataformas tecnológicas e das transformações provocadas pela cultura conectada.

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