
Madring estreia sob críticas na F1 após corrida com apenas quatro ultrapassagens | Divulgação/Mercedes
A estreia do Madring no calendário da Fórmula 1 terminou cercada por críticas de pilotos e dirigentes. Apesar da expectativa criada em torno do novo circuito de Madri, a principal reclamação depois do GP da Espanha foi a dificuldade para ultrapassar durante a corrida.
Segundo levantamento compilado por u/BuxtonEU e compartilhado no Reddit, a prova registrou apenas quatro ultrapassagens na pista depois da primeira volta. O número ficou muito abaixo da média da temporada antes da chegada da categoria à capital espanhola, que era de 61 por corrida.
O vencedor da etapa, Kimi Antonelli, classificou o traçado como interessante para uma volta rápida, mas problemático em situação de corrida.
“Há algumas curvas que precisam ser alteradas para criar mais oportunidades de ultrapassagem, porque é bom em uma volta, mas na corrida você fica preso atrás”, afirmou o piloto da Mercedes.
Bortoleto chama corrida de “chata”
Gabriel Bortoleto também criticou abertamente a dinâmica da prova.
O brasileiro terminou em 13º lugar depois de passar parte da corrida dentro da zona de pontuação, mas avaliou que o baixo número de disputas comprometeu o espetáculo.
“Foi uma corrida chata. Foi chato para vocês também vendo a corrida? Para a gente foi a mesma coisa lá dentro, não teve muita movimentação, nem ultrapassagem”, disse Bortoleto ao ge.
A percepção do piloto da Audi encontra respaldo no levantamento divulgado depois da prova.
Além das quatro ultrapassagens após a primeira volta em Madri, outras etapas tiveram números muito superiores em 2026. O GP da China aparece na liderança, com 101, seguido por Miami, com 88, e Japão, com 85.
Até Mônaco, tradicionalmente criticado pela dificuldade para ultrapassar, registrou dez, mais que o dobro do Madring.
Curvas dificultam lado a lado, diz McLaren
A avaliação negativa não ficou restrita aos pilotos.
Andrea Stella, chefe da McLaren, apontou um problema específico no desenho do circuito: mesmo quando um carro consegue se aproximar na reta, a entrada das curvas praticamente impede uma tentativa lado a lado.
“É uma pena que seja tão difícil. É preciso uma diferença de tempo de volta muito grande para conseguir ultrapassar”, afirmou.
Em seguida, completou:
“Neste momento, a reta pode até ser longa o suficiente, mas não há absolutamente nenhuma maneira de os dois carros entrarem na curva juntos. É praticamente impossível tentar ultrapassar.”
Verstappen reforça crítica ao novo circuito
Max Verstappen já havia demonstrado desconfiança em relação ao traçado antes da realização do primeiro GP.
Depois da corrida, voltou ao tema.
“Se você ficar um pouco no meio da pista, não consegue ultrapassar”, resumiu o holandês.
A reclamação reforça um ponto comum entre os pilotos: o problema não está necessariamente na extensão das retas, mas em como os carros chegam às zonas de frenagem e nas possibilidades de dividir espaço nas curvas seguintes.
Mudanças já entram em discussão para 2027
A organização do Madring poderá reagir rapidamente às críticas.
Toto Wolff revelou que conversas sobre possíveis ajustes no circuito já aconteciam antes mesmo da primeira corrida.
“A parte complicada é criar uma pista espetacular para os pilotos e, ao mesmo tempo, construí-la de forma a permitir muitas ultrapassagens”, disse o chefe da Mercedes.
Wolff acrescentou que encontrou abertura por parte dos responsáveis pelo circuito:
“Conversei (no sábado) com o CEO do circuito e eles estão totalmente abertos à ideia para o ano que vem.”
O Madring combina trechos de vias públicas com setores construídos especificamente para a Fórmula 1 e possui contrato de dez anos para receber o GP da Espanha.
Depois de uma estreia marcada por poucas disputas diretas, o desafio passa a ser transformar um circuito considerado exigente em uma pista que também ofereça mais oportunidades de ataque e defesa durante a corrida.








