
Anvisa aprova Aquipta, novo remédio oral para prevenir crises de enxaqueca em adultos | Marcello Casal Jr/Agência Brasil
Adultos que enfrentam pelo menos quatro episódios de enxaqueca por mês passam a contar com uma nova opção de tratamento preventivo no Brasil. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou nesta terça-feira (8) o Aquipta (atogepanto), medicamento de uso oral desenvolvido para reduzir a frequência das crises.
O registro foi solicitado pela AbbVie Farmacêutica e consta em resolução publicada no Diário Oficial da União. Segundo a Anvisa, os estudos apresentados apontaram uma redução significativa no número de dias de enxaqueca por mês entre pacientes tratados com a substância.
A aprovação não significa que o medicamento sirva para qualquer dor de cabeça. A indicação autorizada envolve adultos com frequência mínima de quatro episódios mensais de enxaqueca, dentro de uma estratégia de prevenção das crises.
Aquipta age antes que a crise apareça
A principal diferença do novo medicamento está justamente no objetivo do tratamento.
Em vez de atuar somente quando a dor já começou, o atogepanto busca prevenir o aparecimento das crises ao bloquear uma via envolvida na transmissão da dor.
A Anvisa destaca que já existem medicamentos utilizados para prevenção da enxaqueca. Entretanto, parte dessas terapias não atua diretamente sobre mecanismos específicos relacionados à doença.
Nesse cenário, o Aquipta amplia as alternativas disponíveis com uma opção preventiva administrada por via oral.
Estudos mostraram menos dias de enxaqueca por mês
Para conceder o registro, a Anvisa avaliou os dados apresentados no processo pela farmacêutica.
De acordo com a agência, os estudos indicaram que o atogepanto conseguiu diminuir significativamente a quantidade de dias mensais em que os pacientes apresentavam enxaqueca.
Esse resultado é especialmente relevante para pessoas que convivem com crises recorrentes, já que a frequência dos episódios pode interferir em trabalho, estudos, sono e atividades cotidianas.
O registro sanitário reconhece a relação entre segurança, eficácia e qualidade do medicamento para a indicação aprovada. A utilização, contudo, deve ocorrer conforme as orientações médicas e as condições estabelecidas para o produto.
Quem poderá usar o novo medicamento
A indicação aprovada pela Anvisa estabelece um recorte específico:
adultos que apresentam pelo menos quatro episódios de enxaqueca por mês.
Portanto, o Aquipta entra no mercado brasileiro como uma alternativa de tratamento preventivo, e não simplesmente como um analgésico para utilização indiscriminada durante episódios de dor de cabeça.
A definição da melhor estratégia para cada paciente depende da avaliação clínica, inclusive porque frequência, intensidade e características das crises podem variar consideravelmente entre pessoas com enxaqueca.
Enxaqueca vai além de uma dor de cabeça comum
A enxaqueca provoca crises recorrentes de dor moderada a intensa e pode vir acompanhada de outros sintomas.
Entre os mais frequentes estão:
- náuseas;
- vômitos;
- sensibilidade à luz;
- sensibilidade ao som.
Em alguns pacientes, as crises comprometem atividades básicas e podem exigir interrupção de compromissos profissionais, acadêmicos ou sociais.
A doença alcança aproximadamente 15% da população mundial, o que ajuda a explicar a busca por terapias capazes não apenas de aliviar uma crise já instalada, mas também de diminuir sua frequência.
Aprovação amplia opções preventivas no Brasil
A chegada do atogepanto acrescenta uma nova alternativa ao conjunto de tratamentos disponíveis para pessoas com enxaqueca recorrente.
Para a Anvisa, o diferencial está na atuação direcionada a uma via relacionada à transmissão da dor e na possibilidade de prevenir novas crises por meio de tratamento oral.
A aprovação, entretanto, não permite concluir que o medicamento será a opção mais adequada para todo paciente com enxaqueca. A indicação individual deve considerar o quadro clínico e a orientação do profissional responsável pelo tratamento.








