
Novo Desenrola termina na segunda-feira; dívidas podem ter desconto de até 90% | Marcello Casal Jr/Agência Brasil
Quem pretende renegociar dívidas pelo Novo Desenrola Brasil precisa agir rápido. O programa federal encerra as adesões na segunda-feira (31) e, até agora, não há previsão de nova prorrogação.
A modalidade voltada às famílias permite renegociar débitos bancários com descontos que podem chegar a 90%, juros limitados a 1,99% ao mês em novas operações de crédito e prazo de até 48 meses para pagamento.
Podem participar pessoas físicas com renda mensal de até cinco salários mínimos, equivalente atualmente a R$ 8.105, desde que a dívida tenha sido contratada até 31 de janeiro de 2026 e esteja atrasada entre 91 dias e dois anos.
O prazo original terminaria em 2 de agosto, mas o governo prorrogou a adesão até o fim deste mês.
Mais de R$ 21 bilhões já foram abatidos em negociações
Até o início da última semana de agosto, o Desenrola Famílias renegociou cerca de 5,03 milhões de dívidas.
Antes dos acordos, esses débitos somavam aproximadamente R$ 26,33 bilhões. Depois das renegociações, o total caiu para cerca de R$ 5,27 bilhões.
Isso representa uma redução superior a R$ 21 bilhões no valor originalmente devido pelos consumidores contemplados pelos acordos.
O desconto, entretanto, varia conforme o tipo de crédito e o tempo de atraso.
Quem pode participar do Novo Desenrola
A modalidade Desenrola Famílias atende pessoas físicas que cumpram os critérios definidos pelo programa.
A dívida precisa:
- ter sido contratada até 31 de janeiro de 2026;
- estar atrasada entre 91 dias e dois anos;
- pertencer a uma instituição financeira participante;
- respeitar o limite de renda de até cinco salários mínimos mensais.
O próprio banco verifica se o consumidor e o débito atendem às regras.
Para isso, a instituição usa informações de seus sistemas e do Sistema de Informações de Crédito (SCR) do Banco Central.
Quais dívidas podem entrar na renegociação
O programa concentra-se principalmente em modalidades de crédito que costumam acumular juros elevados.
Entre elas estão:
- cartão de crédito rotativo;
- parcelamento do cartão;
- cheque especial;
- crédito pessoal sem consignação;
- empréstimos usados para consolidar outras dívidas.
Mesmo que o débito esteja dentro dessas categorias, a renegociação depende da participação da instituição financeira.
Desconto pode chegar a 90%
Os maiores abatimentos são destinados às dívidas mais antigas e a modalidades como cartão rotativo e cheque especial.
Veja os percentuais previstos:
| Tempo de atraso | Cartão rotativo e cheque especial | Crédito direto ao consumidor e parcelamento do cartão |
|---|---|---|
| 91 a 120 dias | 40% | 30% |
| 121 a 150 dias | 45% | 35% |
| 151 a 180 dias | 50% | 40% |
| 181 a 240 dias | 55% | 45% |
| 241 a 300 dias | 70% | 60% |
| 301 a 360 dias | 85% | 75% |
| 1 a 2 anos | 90% | 80% |
Fonte: Ministério do Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte.
Portanto, o desconto de 90% não vale automaticamente para todos os participantes. O percentual depende do tipo de dívida e do período de inadimplência.
Renegociação pode ter juros de até 1,99% ao mês
Quando o acordo envolve uma nova operação de crédito para substituir a dívida antiga, o programa estabelece limites específicos.
As condições incluem:
- juros máximos de 1,99% ao mês;
- prazo de até 48 meses;
- parcela mínima de R$ 50;
- limite de até R$ 15 mil por beneficiário em cada instituição;
- primeira parcela em até 35 dias;
- possibilidade de desconto sobre o saldo original;
- garantia do Fundo Garantidor de Operações (FGO).
Na prática, o novo financiamento substitui os débitos elegíveis por uma operação estruturada dentro das regras do programa.
Não existe uma plataforma única para fazer o acordo
O consumidor não fecha a renegociação em um portal central do governo.
É necessário procurar diretamente o banco ou instituição financeira onde a dívida está registrada.
Dependendo da instituição, o atendimento pode ocorrer por:
- aplicativo;
- internet banking;
- site;
- telefone;
- WhatsApp;
- agência física.
Durante o atendimento, o banco verifica se a dívida pode entrar no programa e apresenta as condições disponíveis.
Entre as instituições participantes estão Caixa Econômica Federal, Banco do Brasil, Itaú, Bradesco, Santander e Nubank.
Prazo vale para fechar o acordo, não apenas pedir negociação
Esse ponto exige atenção de quem pretende deixar o procedimento para a última hora.
O dia 31 de agosto é o prazo para formalizar o acordo.
Portanto, não basta iniciar o atendimento na segunda-feira e deixar a conclusão para depois.
Como o banco precisa verificar a elegibilidade, calcular as condições e apresentar a proposta, o consumidor deve procurar a instituição antes do último dia sempre que possível.
Quando o nome sai do cadastro de inadimplentes
A assinatura do acordo não provoca necessariamente a retirada imediata da dívida dos cadastros de inadimplentes.
Nas renegociações feitas por meio de uma nova operação de crédito, o banco deve solicitar a retirada após o pagamento da primeira parcela.
Por isso, o consumidor precisa cumprir o acordo para manter a regularização.
FGTS pode ajudar a quitar ou reduzir a dívida
O Novo Desenrola também permite, em determinadas operações, o uso de recursos do FGTS para amortizar ou quitar o débito renegociado.
O trabalhador pode utilizar recursos de contas ativas e inativas, com prioridade para as contas inativas.
O limite corresponde ao maior valor entre:
- R$ 1 mil; ou
- 20% do saldo disponível no FGTS.
Para autorizar a operação, o trabalhador precisa acessar o aplicativo FGTS, verificar o saldo e permitir o compartilhamento das informações com o banco responsável pela dívida.
Depois disso, a instituição tem até 30 dias para formalizar o contrato com a Caixa, responsável pela transferência do valor.
Banco não é obrigado a oferecer renegociação
Mesmo que o consumidor cumpra todos os critérios, o acordo não é automático.
A participação das instituições financeiras é voluntária.
Assim, o banco ou financeira precisa ter aderido ao programa e disponibilizar a operação para aquela dívida.
Programa também atende quem ainda não está inadimplente
O Novo Desenrola possui ainda a modalidade Desenrola Adimplente.
Ela atende consumidores que mantêm os pagamentos em dia, mas querem substituir empréstimos mais caros por operações com custo menor antes de entrarem em atraso.
O programa também prevê regras específicas para outros grupos, incluindo estudantes com dívidas do Fies, produtores rurais e micro e pequenas empresas.
O que conferir antes de assinar
Mesmo com desconto elevado, o consumidor deve comparar as condições antes de concluir a renegociação.
É importante verificar:
- valor total da nova dívida;
- percentual efetivo de desconto;
- taxa de juros;
- quantidade de parcelas;
- valor mensal;
- data do primeiro pagamento;
- consequências em caso de novo atraso.
Com o prazo terminando na segunda-feira, quem pretende usar o Novo Desenrola não deve esperar o fim do dia 31 para procurar o banco.










