O coronel do Exército Álvaro Roberto Cruz Ferreira Lima morreu após cair de parapente no mar da Praia de São Conrado, na Zona Sul do Rio, na tarde de sexta-feira (28). O Clube São Conrado de Voo Livre (CSCVL) afirma que uma linha de pipa com cerol ou linha chilena atingiu o equipamento durante o voo e provocou a queda.
Os bombeiros resgataram Álvaro e o levaram ao Hospital Municipal Miguel Couto, na Gávea. Segundo a Secretaria Municipal de Saúde, ele chegou à unidade em parada cardiorrespiratória. A equipe médica tentou reanimá-lo, mas o coronel não resistiu.
As circunstâncias do acidente ainda deverão passar por apuração. Até o momento, a informação de que uma linha cortante provocou a queda parte do clube de voo livre, que afirma possuir imagens da pipa e das linhas encontradas na região.
Bombeiros mobilizaram equipes aéreas e marítimas
O Corpo de Bombeiros recebeu o chamado às 13h53, para uma ocorrência próxima à área de pouso utilizada por pilotos de asa-delta e parapente em São Conrado.
Participaram do atendimento equipes do 3º Grupamento Marítimo (3º GMAR), do Grupamento de Operações Aéreas (GOA) e da Coordenadoria de Embarcações de Resgate (CER).
Os socorristas prestaram os primeiros atendimentos ainda na praia e encaminharam Álvaro de ambulância ao Miguel Couto.
A Secretaria Municipal de Saúde informou:
“A direção do Hospital Municipal Miguel Couto informa que o paciente Álvaro Ferreira chegou à unidade em parada cardiorrespiratória e, apesar dos esforços da equipe médica, infelizmente não resistiu e faleceu. O outro paciente envolvido no acidente está internado com quadro de saúde estável.”
Bombeiro de folga ajudou no resgate e foi hospitalizado
Durante a ocorrência, Ari Mesquita, militar do Corpo de Bombeiros que estava de folga, participou voluntariamente do resgate.
Ele também precisou receber atendimento médico. Uma aeronave da corporação o transportou até o GOA, na Lagoa, e, depois, ele seguiu para o Hospital Municipal Miguel Couto.
Segundo a Secretaria Municipal de Saúde, Ari permanece internado em estado estável.
Clube diz que linha com cerol atingiu área de voo
Após a morte, o Clube São Conrado de Voo Livre divulgou uma nota e atribuiu o acidente à presença de linhas de pipa com cerol ou linha chilena na área utilizada pelos pilotos.
A entidade classificou o episódio como criminoso e afirmou que Álvaro acabou atingido antes que a linha alcançasse outro praticante.
“O ato acabou sendo contido porque o Coronel Álvaro Roberto Cruz Ferreira Lima acabou servindo de escudo para salvar o próximo. O Coronel sempre serviu ao seu país e servia ao voo livre com dedicação exemplar”, declarou o clube.
O CSCVL informou ainda que possui imagens da pipa e iniciou a retirada das linhas encontradas na região.
“Estamos prestando total auxílio aos familiares e iremos averiguar o ocorrido para tomar todas as providências cabíveis junto aos órgãos competentes”, informou.
Apesar da manifestação do clube, a dinâmica exata da queda e a participação da linha de pipa ainda precisam ser esclarecidas pelas autoridades responsáveis pela investigação.
Pilotos farão homenagem neste sábado
O clube anunciou que dedicará os voos deste sábado (29) à memória de Álvaro.
Segundo a entidade, pilotos deverão sobrevoar a região de São Conrado em homenagem ao coronel e à trajetória dele no voo livre.
“Informamos que o dia de amanhã será dedicado a um dia de voo em homenagem à vida e à trajetória do coronel Álvaro Roberto Cruz Ferreira Lima. Voaremos em sua memória”, afirmou a diretoria.
Álvaro comandou centro do Exército e ocupou cargo na Funarte
Além da carreira militar, Álvaro Roberto Cruz Ferreira Lima ocupou funções públicas e administrativas.
Entre 2013 e 2016, ele comandou o Centro de Estudos de Pessoal e Forte Duque de Caxias (CEP/FDC).
Mais tarde, entre 2020 e 2021, atuou como diretor do Centro de Programas Integrados da Fundação Nacional de Artes (Funarte).
A morte mobilizou também a comunidade de voo livre de São Conrado, uma das áreas mais tradicionais para a prática de asa-delta e parapente no Rio.
Uso de cerol representa risco também fora das ruas
O relato do clube acrescenta uma dimensão diferente ao acidente porque indica que a linha teria alcançado uma área aérea utilizada regularmente por pilotos de voo livre.
Linhas com materiais cortantes podem atingir pessoas, motociclistas, ciclistas e também equipamentos que circulam pelo espaço aéreo em baixa altitude.
No caso de São Conrado, o clube afirma que trabalha para localizar e remover os fios encontrados na região enquanto reúne informações sobre o episódio.
Agora, além da homenagem prevista para este sábado, a entidade pretende levar o caso aos órgãos competentes.
Nota do Clube São Conrado de Voo Livre
“O Clube São Conrado de Voo Livre (CSCVL) informa que, na tarde de hoje, todos os associados da instituição foram vítimas de um ato criminoso causado por linhas de pipa com cerol / linha chilena na área de voo.
O ato acabou sendo contido porque o Coronel Álvaro Roberto Cruz Ferreira Lima acabou servindo de escudo para salvar o próximo. O Coronel sempre serviu ao seu país e servia ao voo livre com dedicação exemplar.
O CSCVL já possui imagens da pipa e está providenciando a retirada das linhas do local. Estamos prestando total auxílio aos familiares e iremos averiguar o ocorrido para tomar todas as providências cabíveis junto aos órgãos competentes, em relação a esse ato criminoso, covarde e sem chance de defesa, que já vitimou inúmeras pessoas no Brasil e no mundo.
Informamos que o dia de amanhã será dedicado a um dia de voo em homenagem à vida e à trajetória do coronel Álvaro Roberto Cruz Ferreira Lima. Voaremos em sua memória.
Atenciosamente,
Diretoria do Clube São Conrado de Voo Livre – CSCVL
José Carlos Srour de Mello e Bruno Menescal
Presidente e Vice-Presidente”











