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Criminosos atacam policiais na saída da Cidade Alta e tiroteio fecha unidades de saúde na Zona Norte

Motoristas parados na Avenida Brasil durante tiroteio na altura da Cidade Alta

Criminosos atacam policiais na saída da Cidade Alta e tiroteio fecha unidades de saúde na Zona Norte | Reprodução/X

Criminosos atacaram policiais civis na manhã desta quinta-feira (27) quando os agentes deixavam a Cidade Alta, em Cordovil, na Zona Norte do Rio, após participarem da Operação Sinal Oculto. Apesar dos disparos, a equipe conseguiu sair da região em segurança e, segundo a Polícia Civil, não houve confronto entre os agentes e os criminosos.

O episódio, porém, assustou quem passava pela Avenida Brasil. Motoristas e passageiros interromperam o deslocamento e buscaram proteção enquanto ouviam os tiros. Em um dos momentos de maior tensão, pessoas chegaram a se esconder atrás de um caminhão.

O Fogo Cruzado registrou o tiroteio às 10h20.

Vídeos que circulam nas redes sociais mostram carros parados na altura da Cidade Alta durante a sequência de disparos. Em uma das gravações, um motorista descreve o medo de quem ficou preso no trecho.

“Pessoal está escondido, não sabe o que fazer. É assim agora, todo o tempo é isso. Pessoal escondido atrás do caminhão porque o tiro e a bala estão ‘comendo’”, afirmou.

Tiroteio interrompe atendimento em unidades de saúde

Além de afetar o trânsito e assustar motoristas, a ocorrência interferiu diretamente nos serviços públicos da região.

A Secretaria Municipal de Saúde suspendeu o funcionamento de três unidades de Atenção Primária para proteger profissionais e pacientes.

Enquanto isso, uma quarta unidade permaneceu aberta, mas interrompeu as atividades realizadas fora da unidade, entre elas as visitas domiciliares.

Já as escolas municipais mantiveram o atendimento presencial, segundo a Secretaria Municipal de Educação. As redes estaduais de Saúde e Educação também continuaram funcionando normalmente.

Operação mira grupo que roubava e revendia veículos

O ataque aconteceu durante a Operação Sinal Oculto, deflagrada pela Polícia Civil para desmontar um esquema de roubo, adulteração e revenda de veículos.

Segundo as investigações, o grupo roubava automóveis, alterava os sinais identificadores e depois anunciava os veículos em redes sociais e plataformas digitais, inclusive no TikTok.

A operação terminou com um suspeito preso.

Além da Cidade Alta, os policiais realizaram diligências em diferentes pontos da Zona Oeste, Zona Sudoeste, Niterói e São Gonçalo.

Assim, a ofensiva desta quinta-feira ampliou uma sequência de operações que as forças de segurança realizam na região nos últimos dias.

Complexo de Israel enfrenta operações sucessivas

A Cidade Alta integra o Complexo de Israel, conjunto de cinco comunidades controladas pelo Terceiro Comando Puro: Cidade Alta, Vigário Geral, Parada de Lucas, Cinco Bocas e Pica-Pau.

Desde a última sexta-feira (21), quando a Polícia Militar anunciou uma ocupação por tempo indeterminado, a região passou a receber ações praticamente diárias.

Na primeira etapa, equipes do Comando de Operações Especiais retiraram seis estruturas usadas para dificultar a entrada dos policiais, liberaram duas vias, fecharam três valas e demoliram outra barreira.

Além disso, os agentes localizaram barricadas com explosivos e veículos preparados para detonação, segundo a PM.

Motorista de ônibus foi baleado durante uma das ações

A sequência de operações já atingiu diretamente trabalhadores da região.

Durante uma das ocorrências, um motorista de ônibus foi baleado quando chegava para trabalhar na viação Caprichosa, em Parada de Lucas.

Outro rodoviário prestou socorro e levou a vítima ao Hospital Getúlio Vargas, na Penha. Depois, o motorista passou por cirurgia.

O caso evidenciou o risco imposto pela troca de tiros a quem circula pela área durante as operações.

Criminosos incendiaram caminhões na Avenida Brasil

Na segunda-feira (24), a tensão atingiu novamente a Avenida Brasil.

Criminosos incendiaram quatro caminhões na altura de Coelho Neto e bloquearam os dois sentidos da via.

As equipes só conseguiram liberar completamente o trecho no início da tarde, após a retirada dos veículos e a limpeza realizada pela Comlurb.

Na mesma operação, policiais do Bope prenderam quatro criminosos depois de uma negociação para rendição em uma área de mata.

Ao final da ação, as forças de segurança contabilizaram nove presos e apreenderam sete fuzis, três pistolas, quatro granadas, dois rádios transmissores, munições, carregadores, drogas, um colete e roupas camufladas.

Polícia prende suspeita apontada como braço-direito de Peixão

Na terça-feira (25), policiais civis e militares voltaram ao Complexo de Israel e prenderam cinco pessoas.

Entre elas estava Luana Rosa de Araújo, de 32 anos, conhecida como “Madrinha da Cidade Alta”.

Segundo as investigações, ela atua como braço-direito de Álvaro Malaquias Santa Rosa, o “Peixão”, apontado como liderança do tráfico na região.

Durante a mesma ação, os policiais localizaram uma mansão ligada a Peixão e a Leandro Santos Sabino, o “Flamengo”.

Também encontraram um artefato explosivo próximo à estação de Parada de Lucas, o que obrigou o sistema ferroviário a alterar temporariamente a circulação.

Além disso, os agentes descobriram uma estrutura usada por traficantes de frente para a plataforma dos trens, com abertura para observação e proteção reforçada.

Disputa entre facções aumenta tensão na região

Na quarta-feira (26), a Polícia Militar voltou às ruas para impedir uma possível ofensiva do Comando Vermelho contra áreas controladas pelo TCP.

A operação alcançou comunidades da Zona Norte e também o Parque das Missões, em Duque de Caxias.

Segundo a PM, integrantes do Comando Vermelho planejavam avançar sobre Vigário Geral, Parada de Lucas, Cidade Alta, Cinco Bocas e Pica-Pau.

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Enzo Carvalho
Enzo Carvalho é jornalista profissional, com atuação voltada à cobertura de inovação, tecnologia, cotidiano e esportes. Ex-jogador profissional de e-sports, traz para o jornalismo uma compreensão prática do universo digital, das plataformas tecnológicas e das transformações provocadas pela cultura conectada.

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