
Sarau Barril Dobrado reúne diferentes linguagens e transforma livraria em palco em Salvador | Divulgação
Uma livraria deixou de ser apenas lugar de livros durante quatro horas e virou também palco, roda, espaço de dança e território de encontro em Salvador. A primeira edição do Sarau Barril Dobrado da Bahia reuniu diferentes linguagens artísticas na tarde de 14 de agosto, na Livraria LDM, no Shopping Bela Vista.
Entre 14h e 18h, poesia, música, teatro, dança, capoeira e contação de histórias dividiram o mesmo espaço. Além disso, o microfone aberto colocou o público dentro da programação e ampliou a proposta de participação.
Assim, quem chegou para assistir também encontrou espaço para cantar, dançar, declamar e compartilhar experiências.
“Aqui somos todos Barril Dobrado!”, sintetizou o espírito escolhido pelo projeto para sua estreia.
Sarau nasceu dos vínculos de Bruno Black com a Bahia
O poeta, escritor e produtor cultural Bruno Black idealizou o encontro a partir das relações que construiu durante sua trajetória na Bahia.
Em vez de organizar apenas uma sequência de apresentações, ele convidou artistas com quem mantém vínculos para participar também da construção do projeto.
Dessa forma, o Barril Dobrado nasceu com uma proposta coletiva.
A ideia era colocar diferentes trajetórias e formas de expressão lado a lado, sem estabelecer uma linguagem artística como centro da programação.
Por isso, poesia e música dividiram espaço com teatro, dança, capoeira e literatura.
Curadoria reuniu artistas de diferentes áreas
A própria composição da curadoria revela essa diversidade.
Participaram Bruno Black, Chá Rize, Elenia Cardoso, Gleice Ferreira, Herlani Moore e Ras Poeta.
Cada integrante trouxe experiências de áreas distintas. Consequentemente, a programação ganhou formatos e artistas que normalmente poderiam ocupar eventos separados.
No teatro, Andressa Castro Alves participou da programação.
Já a música reuniu Carol Dantas, Opus Três, Nilson Aquino, Rita Moreira e Thais Macedo.
Enquanto isso, Jacqueline Meire conduziu a contação de histórias.
Corpo também ganhou espaço na programação
O sarau não ficou restrito à palavra falada ou cantada.
Ana Paula, Aramis Capoeira, Barbara Simone, Luciana Belly, Manoush e Mestra Giza levaram dança, capoeira e outras expressões corporais para dentro da livraria.
Com isso, o corpo passou a funcionar também como linguagem.
A proposta aproximou movimento, memória e identidade, enquanto o público acompanhava as performances a poucos metros de distância.
Essa proximidade ajudou a romper uma divisão tradicional entre palco e plateia.
Poesia teve presença marcante
Naturalmente, a palavra ocupou posição importante durante a tarde.
Italva Cruz, J. J. Rebouças, Jeane Sánchez, Nice Mendes, Romário Filho e Vagalume participaram das apresentações poéticas.
Entretanto, o Barril Dobrado não confinou a poesia a um bloco isolado.
Ao longo da programação, ela dialogou com a música, o teatro e as demais manifestações.
Esse cruzamento deu ao encontro uma dinâmica diferente de uma simples sucessão de recitais.
Microfone aberto colocou novas vozes no sarau
Outro elemento ampliou a participação.
O microfone aberto permitiu que pessoas além da programação principal também ocupassem o espaço.
Sarah Melo, Ametista, Talita Moore, Nádia Siqueira e Marcus Valério participaram desse momento.
Assim, o projeto colocou em prática uma de suas ideias centrais: o público não precisava permanecer apenas diante da arte.
Também poderia produzi-la.
Essa troca ajudou a dar ao evento uma característica mais espontânea e menos rígida.
Quando a livraria virou palco
O endereço escolhido também influenciou a experiência.
Em meio às estantes da LDM, performances começaram a ocupar um ambiente normalmente associado à leitura silenciosa, aos lançamentos e à circulação de leitores.
Naquela tarde, porém, as histórias saíram das páginas.
Ganharam voz na poesia e na contação.
Ganharam melodia nas apresentações musicais.
Além disso, ganharam movimento por meio da dança, do teatro e da capoeira.
Desse modo, a livraria não funcionou simplesmente como sede do sarau. Tornou-se parte da experiência proposta pelo encontro.
Público deixou de ocupar apenas a plateia
A interação se tornou uma das características mais evidentes da primeira edição.
Ao longo das quatro horas, participantes responderam às apresentações, cantaram, dançaram e ocuparam o microfone.
Consequentemente, a fronteira entre quem apresentava e quem assistia ficou menos rígida.
O resultado aproximou artistas com diferentes experiências, gerações e trajetórias.
Também permitiu que manifestações culturais distintas dividissem o mesmo público.
Mais do que reunir atrações, portanto, o sarau apostou no encontro entre elas.
“Barril Dobrado” ganha sentido coletivo
Na Bahia, a própria expressão escolhida para nomear o projeto carrega força.
No sarau, porém, “Barril Dobrado” ganhou um uso próprio.
Passou a representar a reunião de talentos, histórias e formas de expressão em torno de uma experiência coletiva.
Daí a frase que atravessou o evento:
“Aqui somos todos Barril Dobrado!”
Nesse sentido, o nome deixa de identificar apenas quem está sobre o palco.
Também alcança quem participa, responde, dança, declama ou simplesmente ajuda a construir o ambiente.
Primeira edição abre caminho para o projeto
A estreia mostrou um formato com possibilidade de continuidade justamente porque não depende de uma única linguagem.
O Barril Dobrado pode reunir escritores e músicos, mas também artistas do corpo, atores, contadores de histórias e pessoas que encontram no microfone aberto a primeira oportunidade de apresentação.
Além disso, a experiência em Salvador demonstrou que espaços dedicados aos livros também podem servir como pontos de encontro para manifestações artísticas diversas.
A primeira edição terminou depois de quatro horas.
Contudo, deixou como principal marca algo que não cabe apenas na lista de atrações: a tentativa de fazer artistas e público ocuparem o mesmo território cultural.
Naquela tarde, entre livros, versos, música e movimento, o sarau transformou sua própria frase em proposta.
Ali, pelo menos durante algumas horas, todos foram Barril Dobrado.
Participantes do Sarau Barril Dobrado da Bahia
Curadoria: Bruno Black, Chá Rize, Elenia Cardoso, Gleice Ferreira, Herlani Moore e Ras Poeta.
Teatro: Andressa Castro Alves.
Música: Carol Dantas, Opus Três, Nilson Aquino, Rita Moreira e Thais Macedo.
Contação de histórias: Jacqueline Meire.
Dança, capoeira e expressões corporais: Ana Paula, Aramis Capoeira, Barbara Simone, Luciana Belly, Manoush e Mestra Giza.
Poesia: Italva Cruz, J. J. Rebouças, Jeane Sánchez, Nice Mendes, Romário Filho e Vagalume.
Microfone aberto: Sarah Melo, Ametista, Talita Moore, Nádia Siqueira e Marcus Valério.







