Esportes

Jóquei Leandro Henrique morre aos 27 anos após queda no Jockey Club Brasileiro

Jóquei Leandro Henrique no Hipódromo da Gávea, no Jockey Club Brasileiro

Jóquei Leandro Henrique morre aos 27 anos após queda no Jockey Club Brasileiro | Reprodução/Instagram

O jóquei Leandro Henrique morreu aos 27 anos na madrugada desta quarta-feira (19), três dias depois de sofrer uma grave queda durante uma corrida no Jockey Club Brasileiro, na Gávea, Zona Sul do Rio. A morte, confirmada pela família e pelo próprio clube.

Leandro estava internado desde domingo (16). Inicialmente, foi socorrido no Hospital Municipal Miguel Couto e submetido a uma cirurgia de emergência. Na terça-feira (18), havia sido transferido para a Casa de Saúde São José, no Humaitá, onde permaneceu sob cuidados médicos.

A morte interrompe a carreira de um dos jóqueis de maior destaque de sua geração. Leandro havia conquistado em 2025 o Grande Prêmio Brasil (G1), principal prova do turfe brasileiro, montando Sinsel.

Como aconteceu o acidente com Leandro Henrique

O acidente ocorreu durante o segundo páreo da programação de domingo, no Hipódromo da Gávea.

Segundo o Jockey Club Brasileiro, o cavalo Regal Flex não completou a curva e acabou levando Native Coffee, montado por Leandro, para a parte externa da pista. O animal ultrapassou os cavaletes e o jóquei caiu violentamente.

Leandro recebeu atendimento ainda na pista e acabou sendo levado ao Miguel Couto.

Inicialmente desacordado, recuperou a consciência e chegou a reconhecer pessoas próximas. Os exames identificaram fratura exposta no quadril e traumatismo craniano. Uma avaliação neurológica inicial não apontou lesão cerebral, enquanto a fratura no quadril exigiu intervenção imediata.

A cirurgia começou por volta das 18h30 de domingo e terminou aproximadamente às 22h. Os médicos instalaram um fixador externo para estabilizar a região atingida e consideraram satisfatório o resultado daquele primeiro procedimento.

Quadro havia apresentado sinais de evolução

Na terça-feira, Leandro foi transferido para um hospital particular.

Segundo informações divulgadas pela equipe do atleta antes da morte, ele respondia aos estímulos e apresentava sinais considerados positivos. Caso a evolução continuasse, uma nova cirurgia estava prevista para os dias seguintes.

O Jockey Club confirmou que ele foi transferido na terça-feira para a Casa de Saúde São José, no Humaitá.

O quadro, porém, sofreu uma reviravolta durante a madrugada.

Na manhã desta quarta-feira, a jóquei e treinadora Victoria Mota, companheira de Leandro, comunicou a morte nas redes sociais.

“Estive aqui até o último segundo. Lutamos juntos e fizemos tudo o que foi possível”, escreveu Victoria.

Ela também pediu privacidade à família e agradeceu pelas manifestações recebidas desde o acidente.

“Te amo além da vida”

Victoria publicou ainda uma despedida ao companheiro.

“Assim como você esteve comigo, eu estive com você. Sempre, para tudo, até o meu fim. Eu te amei, te amo e sempre vou amar”, escreveu.

Na mensagem, ela citou também a filha do casal, Manoela.

“É inacreditável o que está acontecendo, não sei de onde vou tirar forças, só sei que preciso ser firme para a nossa menina! Te amo além da vida para todo o sempre.”

Leandro tornou-se pai em 2025. O Jockey Club relembrou Manoela ao prestar homenagem ao atleta nesta quarta-feira.

Jockey Club lamenta morte

O Jockey Club Brasileiro publicou uma nota de pesar durante a madrugada.

A instituição destacou a importância de Leandro para o esporte e manifestou solidariedade a Victoria, Manoela, familiares e amigos.

Segundo o clube, Leandro deixa uma trajetória marcante no turfe brasileiro e uma ausência profunda entre profissionais, familiares e admiradores.

Ainda não foram divulgadas informações definitivas sobre velório e sepultamento. O Jockey informou que os detalhes serão comunicados posteriormente.

Leandro começou no turfe aos 9 anos

Natural de Recife, em Pernambuco, Leandro começou muito cedo.

Aos 9 anos, ingressou na Escola de Pôneis. Aos 14, já competia no Hipódromo da Madalena. Pouco depois, mudou-se para o Rio e começou a construir uma trajetória meteórica na Gávea.

Sua primeira vitória no principal hipódromo carioca aconteceu em 7 de junho de 2015, montando Urbanesco.

No primeiro ano completo na Gávea, alcançou um feito histórico.

Leandro venceu a estatística de jóqueis da temporada 2016/2017, aos 16 anos, tornando-se o único aluno da Escola de Profissionais do Turfe do Jockey Club Brasileiro a conquistar o título nessas condições.

Mais de mil vitórias nas pistas

A carreira cresceu rapidamente.

Em 2021, montando Casa Blanca, Leandro alcançou a marca de mil vitórias, justamente ao conquistar o GP Henrique de Toledo Lara (G2).

Entre seus triunfos de Grupo 1 aparecem algumas das provas mais importantes do calendário brasileiro.

Com Emperor Roderic, venceu o GP Cruzeiro do Sul — Derby Brasileiro. Já com London Moon conquistou, entre outras provas, o GP Jockey Club Brasileiro, o GP Estado do Rio de Janeiro e o GP Presidente da República.

O próprio Leandro considerava London Moon o melhor cavalo que havia montado.

GP Brasil de 2025 marcou a carreira

A conquista mais simbólica veio em junho de 2025.

Leandro conduziu Sinsel à vitória no 93º Grande Prêmio Brasil, na Gávea.

A chegada foi decidida por diferença mínima. Sinsel conseguiu superar Valparaiso no photochart e colocou Leandro pela primeira vez entre os vencedores da principal corrida do país.

O GP Brasil coroou uma temporada especialmente marcante para o jóquei.

No mesmo ano em que alcançou o maior título de sua carreira, Leandro também se tornou pai de Manoela.

Estava em grande fase antes do acidente

A morte acontece quando Leandro seguia competitivo no mais alto nível.

Na semana passada, ele venceu seis corridas entre os dias 10 e 11 de agosto e saltou para a segunda posição da estatística da temporada 2026/2027, com 15 vitórias.

Ele havia acabado também de iniciar uma nova etapa profissional como jóquei titular do Haras Santa Maria de Araras.

Sua última grande conquista foi com Passion Of Details no GP Margarida Polak Lara — Taça de Prata.

Ou seja, o acidente não atingiu um atleta em fim de carreira, mas um jóquei de 27 anos ainda entre os protagonistas das pistas brasileiras.

Outros acidentes marcaram trajetória

Leandro já havia enfrentado acidentes graves anteriormente.

Em 2022, uma queda provocou fraturas em quatro costelas e perfuração pulmonar. Ele precisou passar por uma cirurgia torácica antes de retornar às pistas.

No início de 2026, outra queda provocou uma fratura na clavícula.

Mesmo depois das interrupções, Leandro sempre conseguiu retornar às competições e recuperar espaço entre os principais jóqueis da Gávea.

Desta vez, porém, as consequências da queda sofrida no domingo foram fatais.

Aos 27 anos, Leandro Henrique deixa Victoria Mota e a filha Manoela, além de uma carreira que começou ainda na infância, ultrapassou mil vitórias e chegou ao ponto mais alto do turfe nacional com o GP Brasil.

+ MAIS NOTÍCIAS DE ESPORTES
Enzo Carvalho
Enzo Carvalho é jornalista profissional, com atuação voltada à cobertura de inovação, tecnologia, cotidiano e esportes. Ex-jogador profissional de e-sports, traz para o jornalismo uma compreensão prática do universo digital, das plataformas tecnológicas e das transformações provocadas pela cultura conectada.

Leave a reply