A mobilização contra o avanço do sarampo levou milhares de paulistanos aos postos de saúde neste sábado (08). A vacinação contra o sarampo em São Paulo provocou filas grandes em 57 dos 62 locais abertos na capital por volta das 13h, segundo a plataforma municipal De Olho na Fila.
Em algumas unidades, a espera ultrapassava uma hora.
O movimento acontece depois de a cidade registrar, somente na sexta-feira (7), 84.632 doses contra o sarampo, além de 24.952 aplicações de outros imunizantes.
Ao todo, foram 109.584 doses em um único dia, maior número desde o início da atual mobilização, em 3 de agosto, segundo a Coordenadoria de Vigilância em Saúde (Covisa).
57 dos 62 postos tinham fila grande
A concentração de pessoas alcançava praticamente toda a rede aberta neste sábado.
Dos 62 locais disponíveis, o De Olho na Fila classificava 57 com fila grande por volta das 13h.
Outras duas unidades apareciam com movimento intermediário:
- AMA UBS Pari, na Zona Leste;
- AMA UBS Massagista Mário Américo, na Casa Verde.
Já a AMA UBS Jardim São Jorge Paulo Eduardo Elias, na região da Raposo Tavares, apresentava fila pequena.
A plataforma mostrava ainda a AMA UBS Fazenda do Carmo, na Cidade Tiradentes, e a AMA UBS Vila Medeiros como unidades sem fila. Entretanto, as informações desses dois locais não recebiam atualização desde o início da manhã.
Espera passava de uma hora na Água Rasa
Na AMA UBS Integrada Água Rasa Dr. Marcos Andrade Corsato, entre Tatuapé e Mooca, na Zona Leste, a procura fez a fila ultrapassar os limites da unidade.
Por volta do meio-dia, pacientes aguardavam mais de uma hora para receber o imunizante.
Ana Beatriz Chacur, de 42 anos, estava havia aproximadamente meia hora na fila acompanhada das filhas gêmeas, de 12 anos, e do marido, de 47.
A família decidiu procurar a vacinação depois de receber informações pelas redes sociais e pela escola das adolescentes.
“A escola pediu o reforço na vacinação, já que eles não podem obrigar os estudantes a se vacinar. Então, como nós todos estamos na faixa etária elegível para tomar a vacina, viemos. Nós já sabíamos que este posto de vacinação estaria aberto”, contou.
São Paulo tem surto ativo de sarampo
A corrida aos postos acontece diante de uma mudança importante no cenário epidemiológico.
O Ministério da Saúde confirmou no fim de julho um surto ativo de sarampo relacionado a uma cadeia de transmissão associada à importação do vírus.
Na atualização de 28 de julho, o país contabilizava 11 casos ligados ao surto: nove no município de São Paulo e dois em São Bernardo do Campo.
As investigações epidemiológicas continuavam em andamento.
Diante desse cenário, o Ministério ampliou temporariamente a estratégia de vacinação em São Paulo, São Bernardo do Campo e Guarulhos.
Durante a campanha de agosto, pessoas entre 6 meses e 59 anos podem receber o imunizante nesses municípios, independentemente da situação vacinal anterior, conforme a estratégia estabelecida para conter a circulação do vírus.
Jovem procurou vacina antes que doença avance
A preocupação com os casos recentes também levou João Silva, de 21 anos, à AMA UBS Integrada Água Rasa.
Ele ocupava a última posição da fila quando relatou ter procurado informações pela internet para localizar uma unidade aberta.
“Fiquei sabendo pela internet que havia um surto de sarampo chegando em São Paulo. Então procurei um posto para me vacinar antes que a doença avance”, afirmou.
Na realidade, autoridades sanitárias já confirmaram transmissão relacionada ao atual surto na capital paulista.
A vacinação passou, portanto, a desempenhar papel central na tentativa de interromper novas cadeias de contágio.
Apenas 62 postos funcionavam neste sábado
A quantidade reduzida de unidades abertas no fim de semana também contribuiu para concentrar a procura.
A plataforma municipal listava 512 postos de vacinação, mas apenas 62 estavam em funcionamento neste sábado.
A Zona Leste concentrava a maior oferta, com 24 unidades abertas.
A distribuição era a seguinte:
- Zona Leste: 24 postos;
- Zona Sul: 17 postos;
- Zona Norte: 16 postos;
- Zona Oeste: 5 postos;
- Centro: nenhum posto.
Durante a semana, a Prefeitura mantém vacinação nas UBSs da capital.
Aos sábados, o serviço fica disponível principalmente nas AMAs/UBSs Integradas, das 7h às 19h.
Mais de 84 mil doses contra sarampo em um dia
O grande movimento deste sábado ocorre depois de um recorde na sexta-feira.
Segundo a Covisa, 84.632 pessoas receberam vacina contra o sarampo em 7 de agosto.
Além disso, os serviços aplicaram outras 24.952 doses de diferentes imunizantes.
O total chegou a 109.584 aplicações em um único dia.
Desde o início da mobilização, em 3 de agosto, nenhuma outra data havia alcançado número semelhante.
Quem deve tomar a vacina contra o sarampo
Na rotina do calendário de vacinação, o esquema varia conforme a idade.
Crianças entre 12 meses e 29 anos precisam ter duas doses da vacina com componente contra o sarampo.
Já pessoas entre 30 e 59 anos devem ter pelo menos uma dose.
Trabalhadores da saúde precisam comprovar duas doses, independentemente da idade.
Além disso, diante da circulação atual do vírus, São Paulo também aplica a chamada dose zero em bebês entre 6 e 11 meses.
Essa aplicação adicional não substitui as doses previstas posteriormente no calendário infantil.
Durante a estratégia emergencial de agosto na capital paulista, porém, a recomendação foi ampliada para todas as pessoas de 6 meses a 59 anos.
Tríplice viral protege contra três doenças
O principal imunizante utilizado é a vacina tríplice viral.
Ela protege contra:
- sarampo;
- caxumba;
- rubéola.
O sarampo é uma doença viral altamente transmissível.
Entre os principais sintomas estão febre alta, manchas vermelhas pelo corpo, tosse, coriza, irritação nos olhos e mal-estar intenso.
Por isso, autoridades sanitárias reforçam que a vacinação continua sendo a principal estratégia para interromper a transmissão e evitar novos casos.
Com a forte procura registrada neste sábado, a vacinação contra o sarampo em São Paulo entra em uma nova etapa de mobilização enquanto a cidade tenta conter o atual surto.








