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Bap reconhece excessos em embates com Leila, mas mantém críticas

Bap e Leila Pereira protagonizam embates entre Flamengo e Palmeiras

Bap reconhece excessos em embates com Leila, mas mantém críticas | Gilvan de Souza/Flamengo

A relação entre Bap e Leila Pereira ganhou um novo capítulo nesta semana. Presidente do Flamengo, Luiz Eduardo Baptista reconheceu que também contribuiu para o desgaste com a mandatária do Palmeiras e admitiu excessos nos embates públicos entre os dois.

Apesar disso, Bap deixou claro que não considera necessário criar uma relação de amizade. Para ele, Flamengo e Palmeiras precisam, acima de tudo, manter condições de diálogo quando os interesses institucionais dos clubes estiverem em jogo.

“Flamengo e Palmeiras não precisam ser amigos, mas precisam sentar na mesa e discutir negócio como deve ser feito”, afirmou durante participação no podcast Sport Market Makers.

Em seguida, o dirigente assumiu parte da responsabilidade pela escalada de tensão.

“Ela não é culpada por tudo de ruim da relação, também tenho minha parte. O jogo tem isso, às vezes, umas cotoveladas, ofensas. Eu sei o que fiz, e ela também”, declarou.

Bap admite desgaste, mas defende diálogo

A fala representa uma mudança de tom em relação aos últimos meses.

Embora não tenha recuado das críticas feitas anteriormente, Bap reconheceu que os atritos ultrapassaram, em alguns momentos, a disputa meramente institucional.

Ainda assim, ele separou as divergências pessoais da relação entre os clubes.

“Isso impede a gente de conversar? Não impede, especialmente se o tema for negócio”, afirmou.

Dessa forma, o presidente do Flamengo defende que eventuais diferenças não impeçam negociações futuras entre duas das instituições mais influentes do futebol brasileiro.

Relação entre Flamengo e Palmeiras se desgastou na Libra

Boa parte da tensão recente nasceu nas discussões envolvendo a Libra e a distribuição das receitas de transmissão.

O Flamengo questionou critérios previstos nos contratos e chegou a recorrer à Justiça. Depois, o clube conseguiu um acordo que alterou parte da distribuição dos valores.

Enquanto isso, Leila Pereira criticou duramente a postura rubro-negra e decidiu retirar o Palmeiras do grupo. Em junho, ela afirmou que o ambiente ficou “muito complicado” depois que Bap assumiu a presidência do Flamengo e tentou rediscutir contratos já assinados.

Posteriormente, entretanto, Flamengo e outros clubes voltaram a discutir caminhos para uma liga unificada.

Assim, embora as divergências permaneçam, os próprios interesses comerciais empurram as partes novamente para a mesa de negociação.

Bap cita boa relação com ex-presidentes do Palmeiras

Ao tratar especificamente do Palmeiras, Bap fez questão de diferenciar a relação institucional dos atritos pessoais com Leila.

Ele destacou que sempre manteve bom relacionamento com ex-presidentes como Paulo Nobre e Maurício Galiotte.

Portanto, segundo o dirigente, o problema atual não envolve o Palmeiras como instituição.

A dificuldade está na forma como ele e Leila passaram a se relacionar em debates sobre negócios, governança e interesses dos clubes.

Reunião da Libra virou símbolo do conflito

Bap também relembrou uma reunião da Libra que, segundo ele, ajudou a aumentar o desgaste.

O presidente do Flamengo afirmou que pretendia apresentar seus argumentos durante um encontro decisivo. Entretanto, segundo seu relato, Leila deixou a reunião sem ouvi-lo.

Além disso, ela teria anunciado previamente que votaria contra uma proposta que exigia unanimidade.

Para Bap, o episódio atingiu diretamente a confiança necessária para futuras negociações.

“Você faz negócio com quem não confia, não conhece, não tem um nível mínimo de admiração?”, questionou.

Logo depois, comparou a situação a uma relação na qual uma das partes se sente desrespeitada.

“Se eu vou a um evento na sua casa e você me trata mal, por que você acha que vou te tratar bem?”, afirmou.

Presidente do Flamengo diz que reage aos ataques

Bap também rejeitou a ideia de que suas declarações contra Leila tenham surgido unilateralmente.

Segundo ele, boa parte das respostas ocorreu depois de críticas vindas da presidente palmeirense.

“Quem bate esquece, quem apanha não esquece jamais”, declarou.

Além disso, o dirigente afirmou que não pretende mudar a forma de responder apenas porque Leila é mulher.

“Eu não vou tratar quem é deselegante ou não tem respeito de uma forma diferente por ser mulher”, disse.

Em seguida, adotou um tom ainda mais duro.

“Se me taca uma pedra, vou tacar outra.”

Apesar da linguagem forte, Bap classificou parte do problema como um choque de personalidades.

SAF do Vasco abriu novo capítulo na disputa

Os atritos também extrapolaram a Libra.

Em junho, Bap afirmou que poderia recorrer à Justiça caso Marcos Lamacchia, enteado de Leila Pereira, avançasse na compra de 90% da SAF do Vasco.

Na ocasião, o dirigente alegou enxergar possível conflito jurídico por causa da relação familiar entre o empresário e a presidente do Palmeiras.

Leila reagiu imediatamente. Além de negar qualquer participação no negócio, ameaçou processar Bap caso ele continuasse fazendo o que classificou como insinuações e acusações falsas.

Assim, um debate sobre a estrutura societária do Vasco acabou reacendendo uma disputa que já vinha de meses anteriores.

Leila também já criticou postura de Bap

Do lado palmeirense, Leila Pereira também expôs publicamente suas insatisfações.

Em entrevista concedida em junho, ela afirmou que a chegada de Bap à presidência do Flamengo mudou o ambiente dentro da Libra.

Segundo a dirigente, o Flamengo tentou rever compromissos que já estavam assinados. Por isso, o Palmeiras decidiu adotar uma posição mais dura e, posteriormente, deixou o bloco.

Em outras ocasiões, Leila também rebateu declarações de Bap sobre a relação do Palmeiras com outros clubes.

Portanto, a troca de críticas se tornou recorrente e passou a ocupar espaço fora dos debates estritamente comerciais.

Rivalidade também reflete disputa por protagonismo

Flamengo e Palmeiras concentram receitas, títulos e influência política no futebol brasileiro.

Consequentemente, os interesses dos dois clubes frequentemente se cruzam em temas como direitos de transmissão, liga nacional, fair play financeiro e modelos de governança.

Esse protagonismo ajuda a explicar por que divergências administrativas ganham repercussão tão grande.

Ainda assim, Bap agora reconhece que a disputa pessoal não pode bloquear negociações institucionais.

Ao admitir sua própria parcela de responsabilidade, o presidente do Flamengo sinaliza alguma abertura para reduzir a temperatura.

Por outro lado, ele não indica intenção de encerrar as críticas.

Assim, a relação entre Bap e Leila Pereira continua marcada por desconfiança e divergências, mas com uma diferença importante: o próprio dirigente rubro-negro admite que Flamengo e Palmeiras precisam preservar canais de diálogo, mesmo sem amizade entre seus presidentes.

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Enzo Carvalho
Enzo Carvalho é jornalista profissional, com atuação voltada à cobertura de inovação, tecnologia, cotidiano e esportes. Ex-jogador profissional de e-sports, traz para o jornalismo uma compreensão prática do universo digital, das plataformas tecnológicas e das transformações provocadas pela cultura conectada.

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