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Clima em agosto no Brasil terá calor, seca e El Niño

Clima em agosto no Brasil terá calor e tempo seco em várias regiões, enquanto o Sul deve receber mais chuva

Clima em agosto no Brasil terá calor, seca e El Niño | Reprodução/Gabriel Zaparolli/@gabriel_zaparolli/Instagram

O clima em agosto no Brasil começa com calor e tempo seco em grande parte do país, após um julho marcado pela passagem de massas de ar polar e episódios de frio intenso. Ao mesmo tempo, o Sul continuará sujeito a frentes frias e chuva, enquanto o avanço do El Niño aumenta a atenção para os próximos meses.

A tendência de temperaturas elevadas ganha força especialmente no Centro-Oeste e em áreas do Sudeste. Já o período seco aumenta a preocupação com baixa umidade e queimadas no interior do país.

O meteorologista Márcio Bueno, da Tempo OK, explica que agosto mantém características típicas do inverno brasileiro.

“Agosto é caracterizado pelo inverno no Brasil e marcado, principalmente, pelo período seco no interior e pela passagem frequente de frentes frias sobre o Centro-Sul. E esse padrão geral se repete agora.”

As projeções, porém, variam conforme a região e o modelo meteorológico utilizado. O Instituto Nacional de Meteorologia prevê, por exemplo, chuva acima da média em áreas do Norte, Centro-Oeste e Rio Grande do Sul, enquanto outras partes do país terão precipitação inferior à climatologia de agosto.

Agosto começa com calor em várias regiões

O calor chama atenção já nos primeiros dias do mês.

Uma massa de ar seco favorece temperaturas elevadas no Centro-Oeste, principalmente em Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás.

Para agosto, o modelo climático do Inmet indica temperaturas até 2°C acima da média em áreas do norte e oeste de Mato Grosso, grande parte de Mato Grosso do Sul e centro-oeste de Goiás.

No Sudeste, a tendência também é de temperaturas acima da climatologia em grande parte da região.

Entretanto, isso não elimina a possibilidade de incursões de ar frio. Como agosto ainda integra o inverno, novas massas de origem polar poderão provocar quedas temporárias de temperatura.

Sul terá chuva e mudanças bruscas de temperatura

A Região Sul deve permanecer entre as áreas de maior atenção durante agosto.

O Inmet projeta chuva acima da média principalmente em partes do Rio Grande do Sul. Além disso, sistemas frontais continuarão avançando pela região ao longo do mês.

No começo de agosto, o instituto já prevê volumes elevados de precipitação no Sul. Entre 27 de julho e 3 de agosto, acumulados pontuais podem chegar a 200 milímetros no Rio Grande do Sul.

Apesar das frentes frias, períodos de aquecimento também deverão ocorrer.

Segundo a MetSul Meteorologia, uma corrente de jato em baixos níveis transporta ar quente de origem tropical e favorece forte elevação das temperaturas.

O oeste e o noroeste gaúchos estão entre as áreas que podem sentir mais esse aquecimento.

El Niño já está em atuação

O cenário de agosto também ocorre sob influência do El Niño.

A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) confirmou oficialmente o fenômeno em 11 de junho de 2026. Na ocasião, o órgão informou que as condições já estavam presentes no Pacífico Equatorial.

Desde então, o fenômeno ganhou força.

Na atualização de 9 de julho, a NOAA informou que o índice Niño 3.4 havia alcançado +1,2°C. O órgão também apontou 97% de probabilidade de o El Niño persistir até o início da primavera de 2027 no Hemisfério Norte.

Além disso, a previsão indica 81% de chance de o fenômeno atingir intensidade considerada muito forte entre outubro e dezembro de 2026. Caso isso ocorra, poderá ficar entre os episódios mais intensos desde o início dos registros modernos, em 1950.

A própria NOAA ressalta, entretanto, que mesmo um El Niño muito forte não produz os mesmos efeitos em todos os lugares. O fenômeno altera probabilidades climáticas, mas não determina sozinho cada evento meteorológico.

Como será o clima em agosto no Sul

A tendência aponta para chuva frequente e períodos de instabilidade, principalmente no Rio Grande do Sul.

Ao mesmo tempo, o inverno continuará permitindo a entrada de massas de ar frio.

Esses episódios, porém, poderão ser intercalados por períodos de temperaturas mais altas. Dessa forma, o mês poderá apresentar mudanças bruscas entre frio e calor.

O Inmet também projeta temperaturas acima da média climatológica em praticamente toda a região durante agosto.

Como será agosto no Sudeste

No Sudeste, a tendência predominante é de temperaturas acima da média.

O modelo do Inmet aponta desvios de até 1°C em grande parte da região durante agosto.

Além disso, o começo do mês terá predomínio de tempo firme em extensas áreas.

Entre o fim de julho e o início de agosto, há previsão apenas de chuva fraca em pontos do litoral paulista, sul do Rio de Janeiro e sul de Minas Gerais.

Entretanto, a chegada de frentes frias poderá provocar mudanças rápidas no tempo.

Por isso, São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro ainda poderão experimentar períodos curtos de temperaturas mais baixas ao longo do mês.

Centro-Oeste terá calor e baixa umidade

O Centro-Oeste começa agosto sob forte influência do período seco.

Goiás e o Distrito Federal terão predomínio de tempo firme nos primeiros dias. Além disso, as chuvas previstas para Mato Grosso e Mato Grosso do Sul serão bastante localizadas.

As temperaturas, por outro lado, deverão ficar acima da média em praticamente toda a região.

A combinação de calor, baixa umidade e vegetação seca aumenta o risco de incêndios e queimadas.

O sul de Mato Grosso do Sul é uma das áreas que poderão sentir com maior frequência os efeitos da passagem de frentes frias vindas do Sul.

Norte terá grandes diferenças entre áreas

A situação será menos uniforme na Região Norte.

O Inmet prevê chuva acima da média em grande parte de Rondônia, no centro-oeste e noroeste do Amazonas e no norte do Pará.

Por outro lado, Roraima, o norte do Amazonas e áreas do noroeste paraense poderão terminar agosto com chuva abaixo do normal.

No início do mês, os maiores volumes devem se concentrar no oeste do Amazonas e em Roraima, podendo superar 80 milímetros em pontos isolados.

O calor continuará predominando em grande parte da região.

Nordeste terá predomínio de tempo seco

No Nordeste, o interior deverá permanecer majoritariamente seco.

O começo de agosto terá pouca ou nenhuma chuva principalmente no Sertão, seguindo o padrão característico desta época do ano.

A faixa litorânea terá comportamento diferente.

Instabilidades vindas do Oceano Atlântico ainda poderão provocar chuva entre áreas do litoral do Maranhão e trechos compreendidos entre a Paraíba e a Bahia.

Portanto, embora o interior enfrente tempo seco, áreas costeiras ainda poderão contabilizar episódios de chuva.

Baixa umidade aumenta risco de queimadas

O período seco exige atenção principalmente no Centro-Oeste, Sudeste, Norte e interior do Nordeste.

A combinação de altas temperaturas, baixa umidade do ar e vegetação ressecada cria condições mais favoráveis para a propagação do fogo.

Com isso, agosto marca a entrada em uma fase tradicionalmente crítica para queimadas em várias regiões brasileiras.

O cenário poderá se intensificar conforme o país se aproxima de setembro, mês historicamente associado aos níveis mais baixos de umidade em partes do interior.

Clima também exige atenção no campo

O tempo seco pode favorecer algumas operações agrícolas, como colheita e circulação de máquinas nas lavouras.

Entretanto, períodos prolongados sem chuva aumentam o risco de perda de umidade do solo.

No Centro-Oeste, calor elevado e irregularidade das precipitações poderão aumentar o estresse hídrico de determinadas culturas.

Já no Sul, o problema pode ser inverso. Onde a chuva ficar acima da média, o excesso de umidade poderá dificultar operações de campo e favorecer doenças fúngicas.

Assim, o início de agosto apresenta um Brasil dividido entre calor e estiagem no interior, chuva mais frequente no Sul e influência crescente do El Niño.

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Enzo Carvalho
Enzo Carvalho é jornalista profissional, com atuação voltada à cobertura de inovação, tecnologia, cotidiano e esportes. Ex-jogador profissional de e-sports, traz para o jornalismo uma compreensão prática do universo digital, das plataformas tecnológicas e das transformações provocadas pela cultura conectada.

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