O Samba 03 da Mangueira 2027 inicia sua caminhada nas eliminatórias neste sábado, 1º de agosto, no Palácio do Samba. A abertura dos portões está marcada para 20h, na quadra da Estação Primeira de Mangueira.
A parceria reúne Gilson Bernini, Xande de Pilares, Gustavo Clarão, Karinah, Beto Savanna e Felipe Mussili. O grupo disputa a oportunidade de transformar sua composição no samba oficial do enredo “Oyá Por Nós”.
Ao todo, dez obras participam do concurso organizado pela Verde e Rosa. A escola realizará a final em 5 de setembro, também na quadra, na Zona Norte do Rio.
Parceria apresenta samba inspirado na força de Oyá
O enredo desenvolvido pelo carnavalesco Sidnei França aborda a ancestralidade afrorreligiosa e a presença de Oyá na formação cultural brasileira.
Também conhecida como Iansã, a orixá representa os ventos, as tempestades, o movimento, a coragem e as transformações. A narrativa destaca ainda a força feminina e a ligação espiritual da divindade com a comunidade mangueirense.
Única mulher entre os seis compositores do Samba 03, Karinah relacionou o enredo às mulheres que construíram e preservaram a história da escola.
“Participar do concurso representa muito mais do que compor um samba. Representa cantar mulheres que fizeram e continuam fazendo a história da Mangueira”, afirmou.
Para a cantora, a mulher mangueirense carrega características associadas a Oyá. Ela destacou a coragem, o trabalho, a preservação da memória e a transmissão do amor pela escola entre gerações.
“Quando penso em Oyá, penso imediatamente na mulher mangueirense: forte, destemida e trabalhadora”, declarou Karinah.
Karinah leva trajetória no samba para a parceria
Cantora, sambista e compositora, Karinah mantém uma relação antiga com a Estação Primeira de Mangueira.
Segundo o material divulgado pela parceria, ela participa de projetos sociais, realiza apresentações na quadra e já ocupou o posto de musa da escola.
Ao longo da carreira, Karinah trabalhou com artistas como Alcione, Leci Brandão, Zeca Pagodinho, Arlindo Cruz, Jorge Aragão e Moacyr Luz.
Agora, a cantora pretende levar ao concurso uma interpretação feminina do enredo. Para ela, a obra precisa representar tanto a espiritualidade de Oyá quanto a vivência das mulheres da comunidade.
Xande de Pilares recorda ligação familiar com a Mangueira
Xande de Pilares construiu sua projeção nacional como integrante do Grupo Revelação. Posteriormente, o cantor e compositor seguiu carreira solo e ampliou sua presença na música popular brasileira.
Apesar de ter iniciado sua trajetória em rodas de samba ligadas ao subúrbio carioca, Xande mantém uma relação familiar com a Mangueira.
O artista cresceu no Morro do Turano, de onde avistava o Morro da Mangueira. Além disso, afirmou que a mãe, a avó e outros familiares sempre torceram pela Verde e Rosa.
Entre suas referências mangueirenses, Xande citou Cartola, Nelson Cavaquinho, Tantinho, Jurandir e Xangô da Mangueira.
“A minha relação com a Mangueira começa dentro de casa. Lá em casa, todo mundo é mangueirense”, contou.
Gustavo Clarão retorna à disputa verde e rosa
Nascido em São Gonçalo, Gustavo Clarão atua como compositor, cantor e cavaquinista. Além da trajetória musical, ele possui formação em Medicina.
Clarão já integrou parcerias vencedoras na Mangueira em 1993 e 2009. Agora, retorna ao concurso atraído pelo enredo dedicado a Oyá e pela ligação com a escola.
“É uma honra estar de volta a uma disputa na Mangueira. Temos um samba com melodia linda, aguerrida e preparado para encerrar o desfile”, afirmou.
Beto Savanna representa a comunidade mangueirense
Beto Savanna integra a ala de compositores da Mangueira desde 1997.
De acordo com o material da parceria, ele já levou oito obras às finais da escola. A primeira participação decisiva ocorreu na disputa relacionada ao enredo “A Seiva da Vida”.
Para o compositor, cada verso do Samba 03 nasceu da relação dos integrantes com a Estação Primeira.
“Temos grandes amigos e ídolos reunidos no mesmo propósito. Cada verso foi construído com muito amor pela Mangueira”, declarou.
Savanna também destacou o caráter competitivo da composição. Segundo ele, o grupo pretende entregar um samba capaz de sustentar um desfile forte na Marquês de Sapucaí.
Felipe Mussili destaca responsabilidade do samba-enredo
Empresário e compositor, Felipe Mussili define sua relação com a Mangueira como uma experiência de pertencimento.
Para ele, a escola representa resistência, cultura, identidade e transformação social. Por isso, o samba-enredo precisa emocionar, ensinar e dar voz às histórias desenvolvidas pelo carnavalesco.
“Estar nesta parceria é uma honra e uma grande responsabilidade. Acredito que este samba reúne emoção, verdade e a força da comunidade”, afirmou.
Mussili também possui experiência em disputas realizadas por escolas como União da Ilha e Unidos de Padre Miguel.
Gilson Bernini busca o sexto samba na Mangueira
Com mais de quatro décadas dedicadas ao gênero, Gilson Bernini aparece entre os integrantes mais experientes da parceria.
O compositor afirma ter conquistado cinco disputas na Estação Primeira. Além disso, suas obras já foram interpretadas por artistas e grupos como Fundo de Quintal, Zeca Pagodinho, Revelação, Caetano Veloso, Xande de Pilares e Jorge Aragão.
Bernini atribuiu sua entrada na parceria à confiança nos demais integrantes e à conexão espiritual com o enredo.
“O que me motivou foram as pessoas sérias, dedicadas e que amam a Mangueira acima de tudo”, afirmou.
O compositor espera que a obra desperte no público a mesma emoção sentida pelo grupo durante sua criação.
Mangueira terá dez sambas na primeira eliminatória
A disputa começa com dez obras concorrentes, todas inspiradas no universo de Oyá.
Além dos sambas, a noite terá apresentações das baianas, passistas, casais de mestre-sala e porta-bandeira e da velha guarda.
A bateria Tem Que Respeitar Meu Tamborim também participará da programação. O carro de som terá o comando do intérprete Dowglas Diniz.
Segundo Sidnei França, cada parceria oferece uma interpretação própria sobre o enredo.
“Cada samba revela um olhar particular sobre Oyá e ajuda a ampliar a potência dessa narrativa”, afirmou o carnavalesco.
Mangueira encerrará os desfiles do Grupo Especial
A Mangueira será a última escola a desfilar na terça-feira de Carnaval, 9 de fevereiro de 2027.
A noite começará com a Portela. Depois, desfilarão Viradouro e Grande Rio, antes do encerramento com a Verde e Rosa.
Portanto, a obra vencedora precisará sustentar o último desfile competitivo do Grupo Especial no ano.
A ordem aumenta a expectativa dos compositores por um samba vibrante, capaz de manter a comunidade cantando durante a apresentação que encerrará a programação.
Ouça o Samba 03 da Mangueira
A gravação completa do Samba 03 está disponível no YouTube.
A obra apresenta a interpretação da parceria formada por Gilson Bernini, Beto Savanna, Xande de Pilares, Karinah, Felipe Mussili e Gustavo Clarão.
Serviço
Evento: primeira eliminatória de samba-enredo da Mangueira;
Carnaval: 2027;
Enredo: “Oyá Por Nós”;
Data: sábado, 1º de agosto de 2026;
Horário: a partir das 20h;
Local: quadra da Estação Primeira de Mangueira — Palácio do Samba;
Endereço: Rua Visconde de Niterói, 1.072, Mangueira, Rio de Janeiro;
Ingressos: disponíveis pela plataforma Sympla;
Final da disputa: 5 de setembro de 2026.








