
Morre Benedito Ruy Barbosa, autor de “Pantanal” e “O Rei do Gado”, aos 95 anos | Reprodução/TV Globo
A teledramaturgia brasileira perdeu, nesta terça-feira (07), Benedito Ruy Barbosa, um de seus autores mais importantes. Aos 95 anos, ele morreu em São Paulo após complicações ligadas à insuficiência renal crônica, informou o Hcor, onde estava internado.
O dramaturgo construiu uma obra que marcou gerações e levou o Brasil rural, as disputas por terra, os conflitos familiares e personagens populares para o centro da televisão. Entre seus maiores sucessos estão “Pantanal”, “Renascer”, “O Rei do Gado”, “Terra Nostra” e “Velho Chico”.
O corpo será velado nesta terça-feira, das 15h às 21h, no Funeral Home, na Bela Vista, região central de São Paulo.
Hospital confirmou morte do dramaturgo
Em nota, o Hcor informou que Benedito enfrentava complicações provocadas por um quadro de insuficiência renal crônica.
“A instituição se solidariza com os familiares e amigos neste momento de pesar”, declarou o hospital.
Benedito deixa quatro filhos: Edmara, Edilene, Ruy Maurício e Marcelo. Eles nasceram do relacionamento de mais de cinco décadas do autor com Marilene Barbosa, que morreu em agosto de 2014.
Autor transformou o interior em protagonista das novelas
Nascido em 17 de abril de 1931, em Gália, no interior paulista, Benedito construiu uma linguagem própria na televisão. Suas histórias exploraram fazendas, migrações, disputas políticas, conflitos de classe e relações familiares intensas.
Ele estreou na TV Globo em 1976, com “O Feijão e o Sonho”. Depois, assinou obras como “À Sombra dos Laranjais”, “Cabocla” e “Sinhá Moça”.
No entanto, foi fora da Globo que ele alcançou um de seus maiores feitos. Em 1990, Benedito escreveu “Pantanal” para a TV Manchete. A novela virou fenômeno nacional e ajudou a redefinir o espaço da dramaturgia brasileira.
“Renascer” e “O Rei do Gado” consolidaram legado
Após retornar à Globo, Benedito assinou novelas que se tornaram referências da televisão.
Em “Renascer”, exibida em 1993, ele voltou ao universo rural com uma trama marcada por rivalidades familiares e misticismo. Já em “O Rei do Gado”, de 1996, uniu conflitos agrários, política e disputas entre famílias.
Depois, vieram “Terra Nostra”, em 1999, “Meu Pedacinho de Chão”, em 2014, e “Velho Chico”, em 2016.
A trajetória do autor também passou pela TV Tupi, Excelsior, Record, TV Cultura, TV Bandeirantes e TV Manchete. Na Band, ele escreveu “Os Imigrantes”, exibida em 1981.
Família manteve tradição na dramaturgia
As filhas Edmara e Edilene Barbosa participaram de remakes de produções escritas pelo pai, como “Cabocla”, “Sinhá Moça” e “Paraíso”.
Já o neto Bruno Luperi conduziu as novas versões de “Pantanal”, em 2022, e “Renascer”, em 2024.
Assim, o legado de Benedito continuou vivo também nas adaptações que aproximaram suas histórias de novas gerações.
Problemas renais provocaram internações recentes
Nos últimos anos, Benedito passou por internações relacionadas ao quadro renal. Em janeiro, ele permaneceu 19 dias no Hcor para tratar uma infecção urinária associada à insuficiência renal crônica.
Em 2025, o dramaturgo também ficou hospitalizado por cerca de um mês.
Agora, sua morte encerra uma trajetória de décadas na televisão brasileira. No entanto, suas novelas continuam presentes na memória do público e na história da dramaturgia do país.







