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Independência e Liberdade Sem Filtro: por que o jornalista Ruben Berta escolheu o Ururau

Jornalista Maria Inez Magalhães, editora do Folha do Leste e Prêmio Esso 2005, entrevista o consagrado e premiado jornalista Ruben Berta. Ele explica os motivos que o levaram a escolher pelo portal de notícias Ururau, pioneiro em jornalismo digital na região Norte do Rio de Janeiro. Sobretudo, preterindo convites de outras empresas de comunicação com sede em grandes centros.

Ruben Berta concede entrevista à jornalista Maria Inez Magalhães, explica as razões de sua nova opção profissional e dá detalhes sobre a estreia de sua nova coluna, intitulada “Sem Filtro”, no portal de notícias Ururau, sediado na região Norte do Rio de Janeiro | Reprodução

O premiado jornalista Ruben Berta, um dos principais nomes do jornalismo investigativo do Rio de Janeiro, estreia no portal de notícias Ururau com a coluna Ruben Berta Sem Filtro. Com passagens por O Globo, The Intercept Brasil e UOL, além de ter comandado o premiado Blog do Berta, o repórter se destacou na carreira através do jornalismo investigativo.

 

Mais recentemente, o nome de Ruben Berta é lembrado pela realização de reportagens em série que revelaram esquemas envolvendo a administração pública fluminense, com má aplicação de recursos do estado do Rio de Janeiro. Sobretudo, pautas impactantes como as investigações sobre a Saúde no governo Wilson Witzel. Também, o chamado escândalo do Ceperj, esse já na gestão do ex-governador Cláudio Castro.

Ruben Berta passa a integrar o projeto de expansão do Ururau, pioneiro do jornalismo on-line do Norte do estado do Rio de Janeiro. Trata-se de um portal de notícias com duas décadas de autoridade consolidada na web. Logo, sua chegada consolida a nova fase do veículo, cuja meta consiste em dar mais ênfase à criação de conteúdos exclusivos, na fiscalização do poder público e análises aprofundadas dos principais temas da política fluminense e nacional.

“Tem cada vez menos veículos interessados em investir em jornalismo investigativo, até porque dá trabalho, tem custo, então a gente tem que aproveitar as oportunidades para manter essa chama viva”, disse Ruben Berta ao Folha do Leste.

Maria inez magalhães Entrevista

Ruben Berta fala sobre jornalismo investigativo, Ururau e fiscalização do poder público

Chegada ao Ururau e razão da escolha

MARIA INEZ MAGALHÃES — FOLHA DO LESTE: Como aconteceu o convite para integrar o Ururau?

RUBEN BERTAEu já conhecia o Ururau e tive um contato mais próximo com seus administradores após a minha saída do UOL.

Recebi outras propostas, mas o que mais me empolgou nesse projeto foi a possibilidade de crescer junto com o site e de ter total liberdade para exercer o jornalismo da forma como acredito. Esses foram os principais fatores que me levaram a apostar nesse novo desafio.

Linha editorial e fiscalização pública

MARIA INEZ MAGALHÃES — FOLHA DO LESTE: Seu trabalho no Ururau será voltado para a administração pública, com foco no jornalismo investigativo, sua marca registrada?

RUBEN BERTA — Sim, é uma coluna que segue essa linha investigativa voltada para a cobertura do estado do Rio de Janeiro. O foco será tanto o governo estadual quanto a Prefeitura do Rio e, eventualmente, questões relacionadas aos municípios do interior.

A proposta é fazer uma cobertura ampla do estado, com viés investigativo, acompanhando também os fatos do dia a dia, mas buscando avançar em apurações mais aprofundadas. Será uma linha de trabalho muito parecida com a que desenvolvi no Blog do Berta durante dois anos.

Inclusive, foi esse trabalho que me rendeu o Prêmio Amaerj de Direitos Humanos – Patrícia Acioli, em razão das reportagens sobre contratos firmados na área da saúde durante a pandemia.

Desafios da investigação no Rio de Janeiro

MARIA INEZ MAGALHÃES — FOLHA DO LESTE: É difícil fazer jornalismo investigativo no Brasil, especialmente sobre a política do estado do Rio de Janeiro?

RUBEN BERTA — Sim, é difícil. Tem cada vez menos veículos interessados em investir em jornalismo investigativo, até porque dá trabalho, tem custo, então a gente tem que aproveitar as oportunidades para manter essa chama viva.

Esse tipo de jornalismo é o que eu sempre gostei de fazer, por mais que haja riscos, não tem muito como eu me livrar disso, é o que eu gosto, faz parte mesmo do que eu escolhi para fazer. Acho que se eu quisesse fazer outra coisa não faria tão bem. Já estou acostumado com essa adrenalina.

Impacto do cenário eleitoral

MARIA INEZ MAGALHÃES — FOLHA DO LESTE: Você estreia em um ano de eleições para governador, deputados estaduais e federais e senador. Vai ter bastante trabalho, não é?

RUBEN BERTA — Naturalmente, este é um ano especial. É possível que eu acabe esbarrando em personagens envolvidos no processo eleitoral, o que é natural. No entanto, eu não necessariamente vou ser pautado pela eleição.

Tenho minhas próprias pautas e vou fazendo de acordo com minha escala de produção. Mas é, sim, natural que algumas das pessoas envolvidas nas reportagens também estejam participando do processo eleitoral.

Expectativas para a nova fase

MARIA INEZ MAGALHÃES — FOLHA DO LESTE:  O que você espera desta nova fase da sua carreira?

RUBEN BERTA — Espero voltar às minhas raízes. Fiz bons trabalhos no UOL — o caso do Ceperj é um exemplo disso. Fazer também um pouco do trabalho que fiz no blog, de martelar bastante nos assuntos, acho que essa é uma perspectiva muito interessante agora no Ururau, reforçando a questão da liberdade para explorar os temas que considero importantes de uma forma bem incisiva. Essa é a minha expectativa para desenvolver meu trabalho da melhor maneira possível.

O jornalismo e as redes sociais

MARIA INEZ MAGALHÃES — FOLHA DO LESTE:  Qual é a sua opinião sobre o jornalismo em tempos de redes sociais?

RUBEN BERTA — Eu acho que realmente aumentou, de certa forma, a quantidade de informação que as pessoas recebem, mas isso não significa, necessariamente, que essa informação seja sempre de qualidade.

Existe esse dilema atualmente para nós, jornalistas. Tentamos, da melhor forma possível, divulgar nosso trabalho nas redes sociais, mas sem recorrer ao sensacionalismo ou a qualquer outro tipo de apelação. Afinal, é isso que preserva a qualidade do nosso trabalho.

Ao mesmo tempo, precisamos chamar a atenção das pessoas. Em um cenário com tanta informação circulando, é muito difícil atrair o interesse do público apenas com conteúdo de qualidade e sem sensacionalismo. Ainda assim, esse é um desafio que sempre estive disposto a enfrentar.

Periodicidade das investigações

MARIA INEZ MAGALHÃES — FOLHA DO LESTE:  Com que frequência os internautas poderão acompanhar suas publicações?

RUBEN BERTA — Não teremos uma periodicidade muito específica. Isso vai depender bastante do ritmo de produção e das apurações em andamento. A ideia é publicar séries de matérias e, depois, fazer uma pausa para ganhar fôlego e aprofundar novas investigações. A publicação vai muito de acordo com o que vier de notícia, mas a ideia é sempre estar publicando.

A experiência do trabalho independente

MARIA INEZ MAGALHÃES — FOLHA DO LESTE: Como você avalia o seu trabalho atuando sozinho em seu blog, que ajudou a revelar esquemas de corrupção envolvendo governadores do estado do Rio de Janeiro?

RUBEN BERTA — O blog foi uma fase muito importante da minha vida, porque me fez reacreditar no trabalho. Depois de sair de O Globo, onde passei um longo período — foram 17 anos de carreira —, tive uma passagem curta pelo The Intercept e, em seguida, passei dois anos e meio no blog até chegar ao UOL.

Foi um período muito positivo, no qual pude me reencontrar profissionalmente. Tudo o que produzi ali teve uma repercussão muito maior do que eu imaginava. Foi uma fase bastante marcante e da qual me orgulho muito dentro da minha trajetória recente.

Maria Inez Magalhães
Maria Inez Magalhães é editora sênior e repórter especial do Folha do Leste. Jornalista formada pela FACHA, possui mais de 20 anos de experiência, com passagens marcantes pelo jornal O Dia como chefe de reportagem e repórter de Segurança Pública. Especialista em Direitos Humanos, atua na assessoria da ONG Rio de Paz e possui histórico na assessoria de imprensa da ALERJ. É produtora dos documentários ‘Patrícia Acioli, Juíza do Povo’ e ‘Cadê Você?’, além de idealizadora da coluna É O BICHO.

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