Tratado do Alto-Mar cria regras globais para proteger a biodiversidade oceânica em águas internacionais

Tratado do Alto-Mar entra em vigor e muda regras sobre oceanos globais | Reprodução

O Tratado do Alto-Mar entra em vigor e passa a regular, de forma inédita, a conservação e o uso sustentável da biodiversidade marinha em áreas fora das jurisdições nacionais, que representam dois terços dos oceanos do planeta.

Por que o Tratado do Alto-Mar é considerado histórico

Após mais de 20 anos de negociações internacionais, o acordo conhecido como BBNJ estabelece regras globais para regiões oceânicas que, até agora, não possuíam governança integrada. O tratado foi finalizado em março de 2023 e assinado por 145 países, incluindo o Brasil.

Para entrar em vigor, eram necessárias ao menos 60 ratificações. Esse número foi alcançado ainda em setembro de 2025. O Congresso Nacional brasileiro confirmou a adesão em dezembro do mesmo ano. Atualmente, 84 países já ratificaram o acordo, segundo a High Seas Alliance.

O que muda com a nova governança do alto-mar

Segundo o Ministério do Meio Ambiente, o tratado é o primeiro instrumento internacional a tratar integralmente das áreas além das zonas econômicas exclusivas dos países.

Essas regiões sofrem impactos diretos de atividades humanas, como pesca de arrasto profundo, biopirataria e poluição plástica, mas até agora careciam de regras claras e integradas.

Os quatro pilares do Tratado do Alto-Mar

O acordo estabelece diretrizes globais baseadas em quatro eixos principais:

1 – Áreas marinhas protegidas em águas internacionais

Equivalentes às unidades de conservação existentes em territórios nacionais.

2 – Avaliação de impacto ambiental

Toda atividade econômica em alto-mar passará por análise ambiental conjunta entre os países signatários.

3 – Repartição de benefícios genéticos

Recursos biológicos marinhos poderão gerar benefícios econômicos, que deverão ser compartilhados entre os países participantes.

4 – Transferência de tecnologia

Incentivo ao desenvolvimento científico, incluindo mapeamento genético e tecnologias de exploração em águas profundas.

Ciência, proteção e princípio da precaução

Especialistas apontam que a biodiversidade de alto-mar é fundamental para o equilíbrio climático, produção de oxigênio e manutenção da vida no planeta. Cerca de 64% dos oceanos estão fora das jurisdições nacionais.

O tratado adota o princípio da precaução. Quando houver incerteza científica sobre os impactos de uma atividade, a recomendação será suspender ou restringir sua execução.

COP do Alto-Mar começa a ser estruturada

Com o tratado em vigor, apenas países que o ratificaram poderão participar das decisões operacionais. A ONU já criou uma comissão preparatória para definir:

  • Sede do secretariado executivo

  • Estrutura científica e técnica

  • Modelo financeiro

  • Regras de tomada de decisão

Bélgica, Chile e China disputam a sede do secretariado. A próxima reunião está prevista para março de 2026, em Nova York, quando também poderá ser definida a data da primeira COP do Alto-Mar.

O papel estratégico do Brasil

O Brasil é visto como um ator relevante no processo, devido à sua tradição diplomática e experiência em acordos ambientais globais, como os firmados na Eco-92.

Especialistas defendem que o país atue de forma ativa, equilibrando conservação, uso sustentável e repartição justa dos benefícios econômicos gerados pelos oceanos.

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Enzo Carvalho
Enzo Carvalho é jornalista profissional, com atuação voltada à cobertura de inovação, tecnologia, cotidiano e esportes. Ex-jogador profissional de e-sports, traz para o jornalismo uma compreensão prática do universo digital, das plataformas tecnológicas e das transformações provocadas pela cultura conectada.

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