Niterói: Deam de São Gonçalo efetua prisão de homem que espancava ex-namorada
direto ao ponto: Violência de Gênero
- •CADEIA: Thiago de Souza Mendonça preso dias após agredir ex-namorada na rua com socos, chutes e capacete de moto;
- •CÁRCERE PRIVADO: Deam São Gonçalo já havia resgatado vítima em outro episódio de violência
- •Feminicídio em SP: Caso de Fernanda Silveira revela falhas no monitoramento de agressores reincidentes.
- •Tolerância Zero: Segundo o ISP-RJ, o estado registrou 104 feminicídios em 2025; punição rigorosa é urgente.
Um homem que estava na mira da Delegacia de Atendimento à Mulher da Polícia Civil do Rio de Janeiro — Deam de São Gonçalo foi preso em Niterói, nesta segunda-feira. Segundo a versão policial dos fatos, Thiago de Souza Mendonça, de 38 anos, perseguia e espancava sua ex-namorada, além de tê-la mantido em cárcere privado. Apesar de a vítima estar sob medida protetiva, o acusado descumpriria a ordem de forma sistemática. Em suma, ele não se conformava com o término da relação.
Episódios recentes de violência relatados pela Deam revelam um potencial agressivo brutal do preso. Na última quarta-feira (21), a equipe da delegacia resgatou a mulher de um ambiente onde o agressor manteve a vítima em situação de cárcere privado após levá-la à força para o local. Entretanto, a polícia não o prendeu porque ele fugiu.
Mesmo assim, na sexta-feira (23), o homem praticou novas agressões contra a vítima. Dessa vez, tudo aconteceu no meio da rua. Ele estava em uma moto, perseguindo a ex, enquanto a mulher realizava uma corrida em carro de aplicativo. Após obrigá-la a desembarcar do veículo, submeteu-lhe a mais uma sessão de violência, a golpes de capacete, socos e chutes. Contudo, a intervenção de pessoas próximas a salvaram.
Os detalhes desse caso foram exibidos no jornalístico matinal “Bom Dia Rio”, da TV Globo. A reportagem exibiu, ainda, declaração da delegada Ana Carla Nepomuceno, titular da Deam de São Gonçalo.
“Sabemos que a medida protetiva serve pra proteger essa vítima e evitar a progressão criminosa, mas em alguns casos como esse o agressor continua desrespeitando esse afastamento. Essa vítima deve novamente comparecer à delegacia para que seja imposta a ele uma medida mais gravosa, como no caso da prisão”, afirmou Ana Carla.
Perseguição, violência doméstica e lesão corporal.
Tolerância zero contra a progressão criminosa
Diante de tantos fatos de feminicídio que noticiamos, casos dessa natureza somente terão solução com a decretação de prisões preventivas cautelares. Uma exceção que deve se tornar regra, sobretudo para salvaguardar vidas. Afinal, todas as pessoas têm o direito à liberdade, de levar uma vida normal, sem nenhum tipo de cerceamento. Ao contrário disso, justamente pela ausência de legislação mais eficaz, muitas mulheres não conseguem interrompam relacionamentos abusivos sem o temor de represálias fatais.
Conforme dados do Instituto de Segurança Pública (ISP-RJ), o estado registrou 104 feminicídios em 2025, mantendo uma estabilidade preocupante em comparação aos 107 casos de 2024. Para o Folha do Leste, esses números comprovam que as políticas públicas atuais são insuficientes se não houver tolerância zero contra o descumprimento de cautelares. Somente com a custódia imediata do agressor é possível estancar a perseguição e evitar a escalada da violência familiar.
Números do Fórum Brasileiro de Segurança Pública reforçam a urgência do rigor judiciário ao apontar o recorde de 1.470 feminicídios no Brasil no último ano, um aumento de 0,4%. Segundo o levantamento, a falha no monitoramento de agressores com histórico de violência é o principal gatilho para as mortes. No Leste Fluminense, a perseguição e a violência psicológica são os prelúdios constantes para crimes mais graves, exigindo ações policiais enérgicas como a realizada no Centro de Niterói.
O custo da omissão em São Paulo
A necessidade de prisões rápidas se tornam evidentes diante de casos trágicos fatais. Por exemplo, como um feminicídio onde houve falha do sistema de proteção em São Paulo.
Após um desaparecimento de três meses, enfim a polícia conseguiu solucionar o caso ao encontrar o corpo da arquiteta Fernanda Silveira de Andrade, de 29 anos, no último sábado (24). Ela estava enterrada em uma área de mata.
Fernanda vivia sob constantes ameaças de seu ex-namorado, Euhanan dos Santos Barbosa, que já havia esfaqueado a vítima oito vezes em 2023. Mesmo assim, ela não conseguia colocar um fim no relacionamento. Infelizmente, o final veio sob forma de tragédia.
De acordo com a Secretaria de Segurança Pública de SP (SSP-SP), o agressor confessou o crime após ser preso. O caso de Fernanda, assim como muitos outros, revelam como a falta de uma prisão preventiva em episódios anteriores de agressão culmina no feminicídio.
A omissão judicial no acompanhamento das ameaças impediu que a arquiteta de Serra Negra seguisse sua vida, confirmando que a tolerância zero é a única política capaz de salvar vidas.










