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Royalties do Petróleo: Niterói quer doar R$ 200 milhões por ano a São Gonçalo

Rodrigo Neves, prefeito de Niterói, quer doar R$ 200 milhões de Reais por ano a São Gonçalo de recursos dos royalties do Petróleo

Rodrigo Neves, prefeito de Niterói, gravou um vídeo fazendo convite ao Capitão Nelson, de São Gonçalo, e publicou em suas redes | Reprodução

Por André Freitas, de NITERÓI/RJ, atualizado em 22/12/2025 — O prefeito de Niterói, Rodrigo Neves (PDT), anunciou a intenção da cidade doar, por ano, R$ 200 milhões do que arrecada em royalties do petróleo a São Gonçalo, a partir de 2026, para um fundo de desenvolvimento voltado exclusivamente à cidade vizinha. Para isso, ele convidou o prefeito de São Gonçalo, Capitão Nelson (PL), para um diálogo amplo voltado ao desenvolvimento conjunto do Leste Fluminense.

O convite foi feito em vídeo publicado nas redes sociais do pedetista nesta segunda-feira (8/12). O gesto público extrapola rivalidades políticas e históricas disputas regionais. Sobretudo, a disputa judicial iniciada e perdida por São Gonçalo. Neves destacou que a oferta não depende de campanha eleitoral. Disse não ser candidato a nada no ano que vem e ainda reforçou que seu objetivo visa construir uma política regional de cooperação.

“Capitão Nelson, o senhor está convidado para a gente sentar à mesa e fazer esse entendimento já a partir de 2026”, afirmou o prefeito.


Mecanismo do repasse e tramitação no Congresso

Embora o gesto seja político, o repasse financeiro depende de um instrumento jurídico. O caminho apontado por Neves é o Projeto de Lei 4504/23, que tramita no Congresso Nacional. A autoria é do deputado federal Dimas Gadelha (PT), em conjunto com o então deputado federal Quaquá, hoje prefeito de Maricá.

Durante o anúncio, Neves participou de uma reunião com o próprio Dimas Gadelha, acompanhado dos vereadores gonçalenses De Jorge Patrício (Patriota), Juliano Freitas (PT) e Isaac Ricaldi (PCdoB). No encontro, Neves reafirmou que não tem interesses eleitorais envolvidos e que aposta no diálogo como base de cooperação.

“Eu já fui ofendido, eu já fui atacado, eu não sou candidato a nada no ano que vem. Tenho certeza no caminho do diálogo”, destacou.


A convergência inédita entre perfis opostos

O pedido de diálogo contrasta com a longa trajetória de tensão entre as lideranças políticas do Leste Fluminense. Neves, prefeito de Niterói e atual presidente da Rede Mercocidades, tem trajetória consolidada na esquerda. Já Capitão Nelson, gestor mais bem avaliado da história de São Gonçalo, é um político ligado ao bolsonarismo, ex-vereador e ex-policial militar.

Ainda assim, Neves enfatizou que as diferenças ideológicas não podem superar o interesse público. Segundo ele, a região só avança quando as duas maiores cidades cooperam.

“O cafezinho está quente, a cadeira está disponível, e eu queria convidá-lo para sentarmos à mesa, deixarmos as ofensas e tratarmos daquilo que importa: o desenvolvimento de duas cidades-irmãs”, afirmou.


A disputa judicial perdida por São Gonçalo

A relação recente entre as cidades carregou um episódio tenso: São Gonçalo tentou, sem sucesso, obter parte dos royalties do petróleo pertencentes a Niterói. A disputa chegou às mais altas cortes do país.

  • STJ rejeitou o pleito.

  • STF confirmou a interpretação técnica.

  • Mais recentemente, o TRF-1 novamente negou o pedido.

As decisões foram unânimes e baseadas em documentos técnicos da ANP e do IBGE, que confirmaram que os poços produtores estão no território marítimo de Niterói.

Mesmo após a série de vitórias judiciais, Neves afirmou que pretende superar as divergências e trabalhar em conjunto com São Gonçalo.


Segurança, juventude e políticas integradas

Em síntese, o prefeito de Niterói defende que grande parte dos recursos que pretende repassar a São Gonçalo deve ter aplicação na segurança pública. Ao mesmo tempo, enfatizou que os valores também devem desenvolver políticas inclusivas para a juventude. Principalmente, para afastar crianças e adolescentes do tráfico de drogas. Por isso, Rodrigo considera essas duas frentes prioritárias para a região.

Além disso, Rodrigo Neves citou ações já adotadas em Niterói que, a partir do envio dos R$ 200 milhões/ano, São Gonçalo poderia realizar:

  • Investimento em blindados.

  • Reforço do efetivo da Polícia Militar com triplicação das patrulhas.

  • Combate às barricadas e restrições territoriais impostas pelo crime.

  • Abertura de escolas técnicas e retomada de equipamentos públicos.

  • Reativação de CIEPs com foco em formação profissional.

Segundo Neves, as duas cidades avançam mais quando atuam como bloco integrado, especialmente no enfrentamento ao crime organizado.

“Estou disposto a fazer esse investimento sobretudo para enfrentar o crime organizado e garantir uma segurança pública melhor para São Gonçalo”, disse.


Convite feito: agora a decisão cabe a Capitão Nelson

A iniciativa, divulgada de forma pública e direta, transfere ao prefeito de São Gonçalo a decisão de aceitar — ou não — a construção de um pacto regional inédito. Desse modo, caso Capitão Nelson aceite a proposta, o acordo poderá ser formalizado já em 2025, permitindo o início dos repasses em 2026.

Até o momento, a Prefeitura de São Gonçalo não se pronunciou oficialmente sobre o convite.

André Freitas
Diretor-Executivo e repórter do Folha do Leste e da Brasil 21 Comunicação. Radialista e Jornalista desde a década de 1990. Narrador esportivo e cronista especializado em Carnaval, com 26 coberturas presenciais na Marquês de Sapucaí. Tem vasta experiência na cobertura da editoria de política em razão dos cargos públicos que exerceu nos poderes Legislativo e Executivo: Câmaras Municipais de Niterói, São Gonçalo, Campos dos Goytacazes, além da Alerj e ainda na Prefeitura de Niterói. Dirigiu a Rádio Absoluta por 15 anos, onde apresentou programas noticiosos diários. Pela emissora, cobriu por mais de uma década a seleção brasileira de futebol e esteve em duas Copas do Mundo e uma Olimpíada. Narrador esportivo e cronista especializado em Carnaval, tem 26 coberturas presenciais na Marquês de Sapucaí. Trabalhou, também, nas rádios Campos Difusora (Campos/RJ) e (Litorânea/ES). Exerceu cargo de editor-chefe em Olho Vivo (Niterói/RJ) e A Tribuna (Niterói/RJ). Colunista do jornal O Diário (Campos dos Goytacazes/RJ).

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