

Relatório do Observatório das Desigualdades aponta avanços e retrocessos no Brasil | Fernando Frazão/Agência Brasil
O Pacto Nacional pelo Combate às Desigualdades lançou nesta quinta-feira (28), em Brasília, o terceiro Relatório do Observatório Brasileiro das Desigualdades 2025, produzido pelo Dieese. De 43 indicadores analisados, 25 mostraram avanços, com destaque para meio ambiente, trabalho, educação e saúde.
Apesar de melhorias, três indicadores apresentaram retrocessos, relacionados à saúde e condições de moradia, e oito não registraram mudanças significativas. O estudo evidencia que desigualdades de raça, gênero e regiões ainda persistem.
O deputado Pastor Henrique Vieira (PSol–RJ) destacou que os dados não são números, mas vidas, e devem gerar ações para reduzir as discrepâncias.
“O Observatório tenta registrar a performance de indicadores que materializam, de um lado, um diagnóstico perverso de desigualdade estrutural materializada em várias dimensões. De outro, queremos mostrar gradativamente como superar essas diferenças”, afirmou Clemente Ganz Lúcio, coordenador do relatório.
Clima e meio ambiente
O relatório aponta redução das emissões de CO₂ por pessoa, de 12,4 tCO₂e em 2022 para 10,8 tCO₂e em 2023, e queda de 41,3% na área desmatada entre 2022 e 2024. No entanto, Acre, Roraima e Piauí apresentaram aumento no desmatamento.
Gisele Brito, do Instituto de Referência Negra Peregum, destacou que o aumento das emissões na Amazônia e Cerrado está ligado ao modelo econômico centrado no agronegócio, que concentra renda, terra e gera conflitos socioambientais.
Educação
O percentual de crianças de 0 a 3 anos em creches subiu de 30,7% para 34,6%, ainda abaixo da meta de 50% do PNE. A escolarização do ensino médio cresceu de 71,3% para 74%, e no ensino superior, de 20,1% para 22,1%.
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Mulheres não-negras têm maior acesso ao ensino superior (32,4%) comparadas às mulheres negras (20,3%).
Renda, riqueza e trabalho
O rendimento médio dos trabalhadores cresceu 2,9%, alcançando R$ 3.066, e a taxa de desocupação caiu para 6,6%, com redução mais expressiva entre mulheres e população negra.
Mesmo assim, os 1% mais ricos ganham 30,5 vezes mais que os 50% mais pobres. A proporção de pobres caiu para 23,4%.
Saúde
A mortalidade materna caiu de 113 para 52 óbitos por 100 mil nascidos vivos, mas Norte e Nordeste apresentaram resultados piores.
A taxa de óbitos por causas evitáveis subiu de 30,6% para 39,2%, sendo maior entre negros. Entre 2023 e 2025, 4,3 milhões de pessoas moravam em áreas de risco, aumento de 7,5%.
Transformação e desafios
Clemente Ganz Lúcio destacou que o relatório aponta frentes de transformação: geração de empregos de qualidade, industrialização e políticas públicas sustentáveis. Adriana Marcolino, do Dieese, reforçou que desigualdades persistem entre regiões, gênero e cor/raça.
O estudo ainda aponta crescimento da violência contra mulheres, maternidade precoce desigual por raça, desnutrição infantil entre indígenas e invisibilização de povos originários. Também evidencia desafios na justiça tributária, mortalidade infantil e desigualdade de acesso à educação infantil.
Pacto Nacional
O Pacto Nacional pelo Combate às Desigualdades reúne: ABM, Ação da Cidadania, Ação Educativa, Cenpec, Coalizão Negra por Direitos, FNP, Fundação Tide Setubal, Instituto Cidades Sustentáveis, Instituto Ethos, Instituto de Referência Negra Peregum, Oxfam Brasil, Sindifisco.