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Vereador Pipico aprova lei sobre direitos do luto materno e parental na Câmara de Niterói

Vereador Pipico aprova lei do luto materno e parental na Câmara de Niterói

Projeto de Lei apresentado pelo Vereador Pipico, criando a Política Municipal de Atenção ao Luto Materno e Parental, já teve aprovação no plenário da Câmara Municipal de Niterói e aguarda sanção do prefeito Rodrigo Neves | Reprodução

Não há palavras que possam definir a perda de um filho durante a gestação, no parto ou logo após o nascimento, principalmente quando isso costuma ocorrer de modo invisível na maioria dos casos. Para enfrentar essa realidade com mais empatia, a Câmara Municipal de Niterói aprovou um projeto de lei do vereador Anderson Pipico (PT), criando a Política Municipal de Atenção ao Luto Materno e Parental.

A lei deve entrar em vigor neste sábado (31), após sanção do prefeito Rodrigo Neves, prevista para esta sexta-feira (30), conforme informação do vereador Pipico. Em resumo, o projeto visa garantir apoio psicológico, acolhimento humanizado e escuta ativa às mães e famílias enlutadas. Nesse sentido, estabelece diretrizes para o alcance dos objetivos dessa nova política pública.

Vereador Pipico, autor do projeto que cria a Política Municipal de Atenção ao Luto Materno e Parental em Niterói | Divulgação

Vereador Pipico, autor do projeto que cria a Política Municipal de Atenção ao Luto Materno e Parental em Niterói | Divulgação

“Com a aprovação desta lei, a cidade avança na forma como o luto materno é tratado. Esse é um tema muitas vezes silenciado, mas que exige sensibilidade e políticas públicas efetivas”, pondera Pipico.

Capacitação de servidores e direitos previstos na lei

Desse modo, as unidades de saúde de Niterói — públicas e privadas — deverão adotar medidas específicas. Por exemplo, reservar espaços para mães que perderam seus bebês, garantindo privacidade e conforto emocional. Além disso, o luto inclui a oferta de apoio psicológico especializado.

Para a eficácia desta importante política pública, faz-se necessária a capacitação de profissionais de saúde, assim como de assistência social. Ao mesmo tempo, a criação de grupos de apoio compostos por doulas, psicólogos e mulheres que já passaram pela perda.

A inglesa Stephanie Broadley, em momento de profundo luto, divulgou em suas redes sociais imagens com seu filho natimorto, indagando a causa de sua morte, num caso de ampla repercussão internacional

A inglesa Stephanie Broadley, em momento de profundo luto, divulgou em suas redes sociais imagens com seu filho natimorto, indagando a causa de sua morte, num caso de ampla repercussão internacional

Uma outra garantia importante prevista pela nova legislação assegura o direito ao registro civil de natimortos, com orientação institucional. Mais do que isso, o direito de realização de cerimônias simbólicas de despedida, respeitando as crenças das famílias.

Vereador Pipico aprova lei do luto materno e parental na Câmara de Niterói

Vereador Pipico reproduz na lei do luto materno e parental em Niterói dispositivo previsto na legislação recém-aprovada pelo governo Lula, que permite o registro de bebês natimortos | Reprodução

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Tão importantes quanto as medidas relatadas até então, estão as campanhas educativas para combater o tabu sobre o luto materno, previstas na legislação. Enfim, o poder público ainda incentivará a participação de universidades, ONGs e entidades religiosas na implantação das ações. Afinal, a efetividade que a lei deseja dependerá muito do engajamento do poder público e da sociedade em geral.

Celebridade viveu luto materno e parental recente

Um dos casos de grande repercussão de luto materno e parental envolve a cantora Lexa. Após complicações em sua gravidez, que colocavam em risco sua própria vida, a cantora teve de se hospitalizar em janeiro desse ano. Ela somava ainda seis meses de gestação, em 21 de janeiro, quando deu entrada na Unidade Semi-Intensiva do Hospital Maternidade Santa Joana, em São Paulo. Em suma, a artista teve como diagnóstico pré-eclâmpsia precoce com síndrome de Help. 

Lexa compartilha perda da filha recém-nascida | Reprodução/Redes Sociais

Durante o período de 17 dias, a artista recebeu cuidados médicos devido à gravidade do seu quadro clínico. Nesse meio tempo, ainda prematura, Sofia precisou nascer, em 2 de fevereiro. Entretanto, a menina não resistiu e faleceu três dias após seu nascimento, diante da comoção de um país inteiro em oração por mãe e filha.

Todavia, este caso se trata de um daqueles que veio à público, Entretanto, quantos ocorrem sem os holofotes da mídia e a solidariedade coletiva de tantas pessoas? Logo, as disposições enunciadas pela lei que passará a vigorar em Niterói, darão às nossas mães anônimas ao menos conforto e direitos semelhantes ao maior caso de repercussão pública conhecido no assunto em questão.

Humanização do Luto Materno e Parental no Brasil

A Política Nacional de Humanização do Luto Materno e Parental teve sanção pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 23 de maio de 2025. A lei, publicada no Diário Oficial da União em 26 de maio, estabelece diretrizes para garantir acolhimento digno e assistência integral às famílias que enfrentam a perda de um filho durante a gestação, no parto ou no período neonatal. 

A legislação assegura, entre outros pontos, o direito a apoio psicológico especializado. Além disso, exames que investiguem as causas das perdas e acompanhamento da saúde mental durante gestações posteriores. As mães enlutadas tem ainda garantia de alas separadas em maternidades, assim como o direito à presença de acompanhante e o acesso à assistência social para os trâmites legais. 

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A norma ainda estabelece outubro como o Mês do Luto Gestacional, Neonatal e Infantil, com foco na conscientização e na valorização da dignidade humana em momentos de perda.

 

 

 

 

 

André Freitas
Diretor-Executivo e repórter do Folha do Leste e da Brasil 21 Comunicação. Radialista e Jornalista desde a década de 1990. Narrador esportivo e cronista especializado em Carnaval, com 26 coberturas presenciais na Marquês de Sapucaí. Tem vasta experiência na cobertura da editoria de política em razão dos cargos públicos que exerceu nos poderes Legislativo e Executivo: Câmaras Municipais de Niterói, São Gonçalo, Campos dos Goytacazes, além da Alerj e ainda na Prefeitura de Niterói. Dirigiu a Rádio Absoluta por 15 anos, onde apresentou programas noticiosos diários. Pela emissora, cobriu por mais de uma década a seleção brasileira de futebol e esteve em duas Copas do Mundo e uma Olimpíada. Narrador esportivo e cronista especializado em Carnaval, tem 26 coberturas presenciais na Marquês de Sapucaí. Trabalhou, também, nas rádios Campos Difusora (Campos/RJ) e (Litorânea/ES). Exerceu cargo de editor-chefe em Olho Vivo (Niterói/RJ) e A Tribuna (Niterói/RJ). Colunista do jornal O Diário (Campos dos Goytacazes/RJ).

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