Porque o Janeiro Branco é mais que uma Cor no Calendário

Porque o Janeiro Branco é mais que uma Cor no Calendário | Divulgação
O início de um novo ciclo costuma vir acompanhado de promessas de renovação. Mas, para além das metas de produtividade, para o ano que se inicia, e das idas à academia, focando qualidade de vida condicionamento físico, uma pergunta silenciosa ecoa: como está o que você sente? É sob essa premissa que o “Janeiro Branco” completa mais um ano de história, consolidando-se como o maior movimento do mundo voltado para a construção de uma cultura dedicada à conscientização sobre a saúde mental (emocional).
A História de uma Página em Branco, criada em 2014 pelo psicólogo mineiro Leonardo Abrahão, escolheu o primeiro mês do ano justamente pelo seu valor simbólico. Janeiro é por representatividade universal, uma “página em branco” na qual desenhamos nossos planos para um novo ciclo, mas, sem desconsiderar toda carga emocional que trazemos acumulada na bagagem das nossas próprias histórias.
A cor branca é a soma de todas as cores, na perspectiva da luz, e representa de modo global a possibilidade de nos reinventarmos em todos os “hojes” do nosso ser.
Começou como uma mobilização local em Uberlândia, cidade de Minas Gerais, resultado? A campanha tornou-se lei federal no Brasil (Lei 14.556/2023) e inspira de modo factual países como Portugal, Angola e Colômbia.
O “Rio” que se Cuida
Em 2026, no Estado do Rio de Janeiro, a rede de atenção psicossocial busca fortalecer-se para acolher quem atravessa momentos de crise ou sofrimento prolongado. Se você ou alguém que você conhece, precisa de suporte, a porta de entrada principal são os CAPS (Centros de Atenção Psicossocial).
CAPS são unidades de saúde do SUS especializadas no atendimento das pessoas com transtornos mentais graves e persistentes, ou, com necessidades de tratamentos e apoios terapêuticos, decorrentes do uso de álcool e outras drogas.
Como ser atendido no CAPS
Funcionam como serviços “porta aberta”, ou seja, o acolhimento pode ser feito por demanda espontânea (sem necessidade de encaminhamento prévio).
Existem e estão disponíveis em diversos bairros da capital do Rio de Janeiro (como o CAPS João Ferreira Filho, no Centro, e o CAPS Maria do Socorro Santos, na Rocinha) e em municípios da Região Metropolitana e Interior.
UPAs e Emergências Psiquiátricas
Para casos de crise aguda, o Instituto Municipal Philippe Pinel (Botafogo) e o Hospital Psiquiátrico de Jurujuba (Niterói) continuam sendo referências históricas de atendimento 24h.
CVV (Centro de Valorização da Vida)
Destaque – O atendimento gratuito e sigiloso pelo número 188 permanece essencial para suporte emocional imediato.

Porque o Janeiro Branco é mais que uma Cor no Calendário | Gerada em Inteligência Artificial
Agenda “Rio 2026” pela saúde mental
A campanha no estado foca na descentralização e no bem-estar comunitário por meio de algumas atividades, ao longo, e a partir deste mês.
Sob o lema de que “quem cuida da mente, cuida da vida”, diversos órgãos públicos e entidades locais organizaram um cronograma de atividades para sensibilizar a população sobre a importância do bem-estar psicológico.
Ações na Capital e Região Metropolitana
As atividades no Rio de Janeiro concentram-se em pontos de grande circulação e unidades de saúde, buscando democratizar o acesso à informação.
Rodas de Conversa nas CAPS: em bairros como Botafogo, Bangu e Tijuca realizarão encontros abertos ao público para discutir ansiedade e depressão no pós-festas.
Iluminação de Monumentos: Assim como em anos anteriores, pontos icônicos da cidade receberão iluminação especial na cor branca para chamar a atenção para a causa.
Plantões Psicológicos Gratuitos: algumas universidades e ONGs, parceiras na capital, oferecerão sessões de escuta acolhedora durante as semanas de janeiro.
Atividades em Outras Regiões do Estado
A mobilização se estende para além da capital, com foco em municípios, como:
* Niterói e São Gonçalo. Estão previstos mutirões de saúde nas praças centrais, com distribuição de cartilhas informativas e dinâmicas de grupos, conduzidas por psicólogos voluntários.
* Baixada Fluminense: Unidades Básicas de Saúde (UBS) intensificarão o acolhimento para triagem de casos que necessitem de acompanhamento especializado, focando na prevenção do “burnout’ e do “estresse ocupacional”.
O Papel da Prevenção
Especialistas reforçam que o Janeiro Branco no Rio de Janeiro não é apenas uma data simbólica, mas um chamado para a estruturação de políticas públicas permanentes.
A rede de saúde do estado busca, através destas atividades, reduzir o estigma em torno das doenças e distúrbios mentais e incentivar que os cidadãos procurem ajuda profissional sem medo de julgamentos.
Ainda sobre saúde mental
A principal lei federal brasileira que aborda a saúde mental, e que redireciona até os dias atuais, o modelo de assistência psiquiátrica é a Lei nº 10.216, de 6 de abril de 2001.
Essa legislação, frequentemente chamada de “Lei Antimanicomial” ou “Lei Paulo Delgado”, foi redigida a partir de um projeto de lei apresentado pelo então deputado federal Paulo Delgado (PT-MG), em 1989.
Pontos-chave da Lei nº 10.216/2001:
* Redirecionamento do tratamento: a lei estabelece um modelo de atenção à saúde mental prioritariamente em serviços de base comunitária (como Centros de Atenção Psicossocial – CAPS), visando a reinserção social, familiar e laboral do paciente, em vez do isolamento em hospitais psiquiátricos.
* Direitos dos pacientes: garante a proteção dos direitos das pessoas com transtornos mentais, assegurando tratamento humanizado, respeito e o mínimo de restrição possível à liberdade.
* Fechamento gradual dos manicômios: a lei orienta a substituição progressiva dos manicômios, em território nacional, por alternativas assistenciais mais humanizadas.
Destaque- Recentemente, uma nova lei federal, a Lei nº 14.831, de 27 de março de 2024, foi sancionada para reconhecer formalmente empresas que promovem a saúde mental e o bem-estar no ambiente de trabalho. No entanto, a Lei nº 10.216/2021 permanece como principal marco do olhar nacional a respeito da reforma psiquiátrica no Brasil.







