Raízen pede recuperação extrajudicial para reestruturar R$ 65 bilhões
A Raízen entrou no centro do debate econômico após a empresa revelar um plano para reorganizar aproximadamente R$ 65,1 bilhões em dívidas, assim entrando em uma recuperação extrajudicial. Além disso, especialistas afirmam que este pode ser o maior processo de reestruturação extrajudicial já registrado no Brasil.
Segundo Luiz Fabiano Saragiotto, presidente do conselho da TMA Brasil, o caso supera outras reestruturações recentes de grandes empresas. Enquanto isso, o plano da companhia ultrapassa, por exemplo, os R$ 4,5 bilhões renegociados pelo GPA.
Ainda assim, a empresa afirmou que clientes, fornecedores e parceiros comerciais não serão afetados. Portanto, contratos operacionais seguem válidos e continuam sendo cumpridos normalmente.
Tamanho da dívida preocupa mercado
A raízen recuperação extrajudicial envolve um passivo total ainda maior do que o valor central do plano. Afinal, a companhia revelou que o montante global chega a R$ 98,63 bilhões.
Desse total:
R$ 65,14 bilhões correspondem a créditos sujeitos à reestruturação
R$ 33,49 bilhões referem-se a obrigações entre empresas do próprio grupo
Além disso, a dívida líquida cresceu após uma combinação de fatores adversos. Por exemplo, a empresa enfrentou investimentos pesados, instabilidade climática e incêndios florestais.
Consequentemente, a produção agrícola sofreu impacto direto. Colheitas menores e moagem reduzida pressionaram o caixa da companhia.
Apesar disso, o perfil da dívida continua majoritariamente de longo prazo. Mesmo assim, cerca de R$ 13 bilhões precisarão ser pagos nos próximos 24 meses apenas em amortizações.
Quem controla a gigante do agroenergético
A empresa responsável pela Raízen recuperação extrajudicial é considerada um dos maiores grupos do setor energético global.
Atualmente, a companhia pertence principalmente a dois gigantes:
Shell, multinacional de energia
Cosan, conglomerado industrial criado por Rubens Ometto
Cada grupo possui 44% de participação na empresa.
Além disso, a Raízen opera em larga escala. O grupo possui:
35 usinas de açúcar, etanol e bioenergia
mais de 34 mil colaboradores
Na safra 2024/2025, a empresa registrou receita líquida de R$ 255,3 bilhões. Durante o período, produziu:
mais de 5 milhões de toneladas de açúcar
mais de 3 bilhões de litros de etanol
cerca de 1,9 GWh de energia renovável
Valor de mercado despencou desde o IPO
Outro fator que explica a Raízen recuperação extrajudicial envolve a forte perda de valor na bolsa. A companhia realizou, em 2021, o maior IPO do país naquele ano. Na época, levantou R$ 6,9 bilhões com ações precificadas em R$ 7,40.
Entretanto, o cenário mudou drasticamente nos anos seguintes. Em março de 2026, os papéis chegaram a ser negociados abaixo de R$ 0,50 na B3. Como resultado, o valor de mercado caiu de R$ 76,3 bilhões em 2021 para cerca de R$ 5,3 bilhões em 2026. Ou seja, a empresa perdeu aproximadamente R$ 71 bilhões em valor de mercado.
O que acontece agora com a reestruturação
O plano da Raízen recuperação extrajudicial já possui apoio relevante de credores. De acordo com a companhia, mais de 47% das dívidas financeiras contam com adesão inicial.
Agora, a empresa terá até 90 dias para atingir o percentual necessário que permita a homologação judicial do plano.
Além disso, a reestruturação pode incluir várias medidas estratégicas. Entre elas:
venda de ativos
capitalização pelos acionistas
conversão de dívidas em participação acionária
emissão de novas dívidas
reorganização societária de parte dos negócios
Enquanto isso, os principais acionistas demonstraram apoio à estratégia.
A Shell declarou que a reorganização é necessária diante dos desafios financeiros enfrentados pela companhia. Inclusive, a empresa propôs injeção de R$ 3,5 bilhões para apoiar o processo.
Por outro lado, a Cosan afirmou que a reestruturação não afeta suas operações ou estrutura financeira, mantendo suas atividades comerciais inalteradas.









































