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Violência em Guadalajara gera alerta a 100 dias da Copa do Mundo

Vista de Guadalajara, no México, uma das sedes da Copa do Mundo

Violência em Guadalajara gera alerta a 100 dias da Copa do Mundo | Reprodução/Google Street View

A segurança em Guadalajara Copa do Mundo 2026 segurança virou tema central a 100 dias do início do Mundial. A cidade mexicana tenta tranquilizar torcedores após uma semana marcada por violência extrema, provocada pela morte do narcotraficante Nemesio “El Mencho” Oseguera.

Mesmo após os confrontos, autoridades locais e a FIFA garantem que a segunda maior metrópole do México mantém condições para sediar partidas da Copa do Mundo e a repescagem intercontinental, marcada para o fim de março.

O que aconteceu em Guadalajara

A onda de violência explodiu no domingo (22). A retaliação do Cártel Jalisco Nueva Generación, liderado por Oseguera, deixou mais de 70 mortos em diferentes regiões do país. Guadalajara virou o epicentro dos ataques.

Criminosos bloquearam estradas, incendiaram veículos e forçaram o fechamento do comércio. Além disso, o clima de terror se espalhou rapidamente, justamente a três meses do maior torneio de futebol do planeta.

Uma semana depois, a cidade tenta retomar a rotina. Escolas reabriram. Serviços voltaram a funcionar. O fluxo de turistas começou a reaparecer.

Copa do Mundo sob vigilância reforçada

Guadalajara receberá quatro jogos do Mundial, incluindo Uruguai x Espanha, um dos confrontos mais aguardados da fase inicial. A cidade também abriga o Estádio Akron, palco das partidas.

Antes da crise, o governo de Jalisco já havia anunciado um plano de segurança robusto. O esquema prevê:

  • Drones de vigilância

  • Bloqueadores de sinais de drones irregulares

  • Videomonitoramento com inteligência artificial

  • Ampliação de câmeras de 7 mil para 13 mil unidades

Após os ataques, as autoridades evitaram detalhar se novas medidas serão adotadas. Ainda assim, a FIFA reiterou “total confiança” no México como sede do torneio.

Discurso oficial tenta acalmar turistas

A prefeita Claudia Sheinbaum afirmou que o país voltou à normalidade. Segundo ela, turistas podem “ficar tranquilos” ao visitar o México durante a Copa do Mundo.

Em conversa telefônica com Gianni Infantino, o governo mexicano reforçou o compromisso com a segurança do evento. A entidade máxima do futebol apoiou a avaliação.

Violência vai além do futebol

Apesar do discurso oficial, Guadalajara convive com outro problema grave. A região metropolitana lidera o número de desaparecimentos no México.

Desde 2006, quando o país lançou uma operação militar contra o narcotráfico, o cenário se agravou. Em Jalisco, mais de 300 valas clandestinas já foram localizadas, inclusive perto do Estádio Akron.

Pesquisadores apontam o recrutamento forçado por organizações criminosas como principal causa dos desaparecimentos. Grupos de familiares planejam protestos durante a Copa.

Na capital mexicana, manifestantes já exibiram faixas com críticas ao torneio. As autoridades admitem que possíveis atos representam risco operacional.

População tenta seguir em frente

Guias turísticos retomaram atividades. Restaurantes voltaram a receber clientes. Ainda assim, o medo persiste.

Para moradores como José Raúl Servín, que procura o filho desaparecido desde 2018, a Copa traz sentimentos conflitantes. O futebol, antes sinônimo de alegria, agora se mistura à dor.

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Enzo Carvalho
Enzo Carvalho é jornalista profissional, com atuação voltada à cobertura de inovação, tecnologia, cotidiano e esportes. Ex-jogador profissional de e-sports, traz para o jornalismo uma compreensão prática do universo digital, das plataformas tecnológicas e das transformações provocadas pela cultura conectada.

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