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Campeonato Carioca 2026 já começa errado e bagunçado

Campeonato Carioca 2026 já começa errado e bagunçado

Campeonato Carioca 2026 já começa errado e bagunçado | Úrsula Nery/Agência FERJ/com edição do Gemini

O que você precisa saber agora


  • A Crise: O campeonato estadual do Rio de Janeiro começa hoje com um calendário de apenas 10 datas e jogos antecipados.

  • O Formato: O regulamento divide 12 clubes em dois grupos de seis, com cruzamento entre as chaves na primeira fase.

  • Identidade: Cinco clubes do interior desafiam a hegemonia da capital e o rótulo limitador de “Carioca”.

  • Rebaixamento: O torneio prevê queda direta para o lanterna e uma repescagem inédita para o 11º colocado.

Por André Freitas, do RIO — O início do campeonato estadual do Rio de Janeiro hoje — indevidamente chamado pela Federação de Futebol do Rio de Janeiro (FERJ) de “Carioca” — escancara a decadência de um modelo que já foi o mais charmoso do país. Infelizmente, chamada “grande mídia” ajuda a emplacar esse conceito em suas praças, para fins comerciais. Acima de tudo, vale ressaltar que o gentílico de quem nasce no Rio de Janeiro é fluminense. Então, por que o campeonato é carioca?

Em São Paulo, o campeonato é “Paulista”, não paulistano (gentílico de quem nasce na cidade de São Paulo). Olhando o Brasil inteiro, isso só acontece no Rio de Janeiro.

Além disso, a competição tem início sob o signo da desorganização. Isso porque estão antecipando para este domingo um jogo da quinta rodada entre Flamengo e Portuguesa, atropelando o calendário oficial, que ainda prevê a abertura do torneio para o dia 14 de janeiro. Ainda bem que chamam o campeonato de Carioca.

O apagamento do interior fluminense

Chamar o torneio de “Carioca” não só constitui um erro geográfico bem como ofende e desrespeita o interior. Dos 12 clubes na elite, cinco pertencem a cidades do interior fluminense. Além disso, ignorar o gentílico “Fluminense” apaga a relevância de cidades como Saquarema, Maricá, Volta Redonda e Nova Iguaçu, que sustentam o orgulho de comunidades inteiras. Ou será que o morador do Rio de Janeiro admite que um niteroiense, por exemplo, dia que é carioca? Nunca!

Dessa forma, o futebol fluminense perde prestígio ao se tornar uma “zona” administrativa desprezada pelos grandes clubes, com a conivência de muitas ligas municipais desportivas.

Por outro lado, esse declínio coincide com o distanciamento do torcedor da Seleção Brasileira. Poucos sabem que Vinícius Jr é de São Gonçalo.  Antigamente, o público via seus ídolos locais servirem à Seleção por muito tempo enquanto ainda vestiam a camisa do seu time; no entanto, hoje as negociações precoces exportam atletas antes que criem raízes.

Memória e Fusão

A história mostra o que perdemos. Em 1975, a fusão política dos estados da Guanabara e do Rio forçou a união dos campeonatos, concretizada em 1979. Antes disso, o Campeonato Fluminense era uma potência independente, onde times como o Americano, o Goytacaz e o Canto do Rio peitavam os gigantes com autoridade técnica.

Não esqueçamos que o maior gênio do futebol, Garrincha, brotou de Pau Grande (Magé), provando que o talento fluminense pulsa no interior. Gerson, o Canhotinha de Ouro, Altair (lateral esquerdo de 62) e Leonardo tetracampeão em 1994 são de Niterói, enquanto Didi e Amarildo, de Campos dos Goytacazes.

São nomes que vieram na memória agora, ilustrando esse texto. A desordem da FERJ hoje apequena uma história que deveria ser de resistência de todo o povo do Rio de Janeiro.

O Regulamento: 10 datas e sobrevivência

A competição de 2026 terá novamente 12 clubes na disputa. Embora o formato seja compacto, a FERJ dividiu as equipes em duas chaves distintas. No Grupo A, figuram times como Fluminense e Vasco, enquanto o Grupo B conta com Botafogo e Flamengo.

Portanto, em apenas 10 datas, as equipes enfrentam os adversários do grupo oposto em turno único. Posteriormente, os quatro melhores de cada chave avançam às quartas de final. Vale ressaltar que os perdedores dessa fase ainda disputam a Taça Rio, mantendo o calendário ativo para os clubes menores. Finalmente, na parte de baixo da tabela, o lanterna cai diretamente para a Série A2.

Na parte de baixo, a punição é severa: o último colocado cai diretamente para a Série A2. Já o 11º colocado disputará uma repescagem contra o vice-campeão da Série A2 de 2026 para tentar permanecer na elite.

André Freitas
Diretor-Executivo e repórter do Folha do Leste e da Brasil 21 Comunicação. Radialista e Jornalista desde a década de 1990. Narrador esportivo e cronista especializado em Carnaval, com 26 coberturas presenciais na Marquês de Sapucaí. Tem vasta experiência na cobertura da editoria de política em razão dos cargos públicos que exerceu nos poderes Legislativo e Executivo: Câmaras Municipais de Niterói, São Gonçalo, Campos dos Goytacazes, além da Alerj e ainda na Prefeitura de Niterói. Dirigiu a Rádio Absoluta por 15 anos, onde apresentou programas noticiosos diários. Pela emissora, cobriu por mais de uma década a seleção brasileira de futebol e esteve em duas Copas do Mundo e uma Olimpíada. Narrador esportivo e cronista especializado em Carnaval, tem 26 coberturas presenciais na Marquês de Sapucaí. Trabalhou, também, nas rádios Campos Difusora (Campos/RJ) e (Litorânea/ES). Exerceu cargo de editor-chefe em Olho Vivo (Niterói/RJ) e A Tribuna (Niterói/RJ). Colunista do jornal O Diário (Campos dos Goytacazes/RJ).

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