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São Gonçalo: corpos de pedreiros mortos por PMs são sepultados

Familiares acompanham sepultamento de pedreiros mortos por policiais militares em São Gonçalo

São Gonçalo: corpos de pedreiros mortos por PMs são sepultados | Reprodução

Foi enterrado na tarde desta sexta-feira (29) o corpo do pedreiro Edivan Felipe de Assis, de 46 anos, morto por policiais militares no Jardim Catarina, em São Gonçalo. Na quinta-feira (28), foi sepultado o corpo do outro pedreiro, Marcelo da Cruz Silva, de 41 anos.

Os dois foram mortos na mesma ação, na quarta-feira (27), quando seguiam de moto para o trabalho. Ambos foram enterrados no Cemitério São Miguel, em São Gonçalo.

Tripé confundido com fuzil

Segundo as investigações, os policiais militares alegaram que atiraram nos pedreiros após confundirem um tripé de medição — equipamento usado por eles no trabalho — com um fuzil. O objeto estava na moto com as vítimas que seguiam para o trabalho.

Testemunhas afirmam que Edivan e Marcelo não foram abordados antes dos disparos.

Ainda de acordo com a polícia, os agentes disseram que havia neblina no local no momento dos disparos e que parte das câmeras corporais estava descarregada. Os policiais envolvidos foram afastados das ruas e tiveram as armas apreendidas para perícia.

Imagens de câmeras serão analisadas

As imagens das câmeras corporais foram requisitadas pela Delegacia de Homicídios de Niterói, São Gonçalo e Itaboraí (DHNSGI), responsável pela investigação do caso. O Ministério Público do Rio e a Comissão de Defesa dos Direitos Humanos da Assembleia Legislativa do Estado também acompanham as investigações.

A Polícia Militar informou que abriu um procedimento interno para apurar as circunstâncias da ação. A corporação afirmou ainda que está colaborando com a Polícia Civil.

Objetos confundidos com armas: casos se repetem há anos

As mortes de Marcelo e Edivan relembrou outros episódios semelhantes no Rio de Janeiro. Ao longo dos anos, objetos comuns como furadeira, guarda-chuva, macaco hidráulico, saco de pipoca, pedaço de madeira e até uma vassoura já foram confundidos com armas durante ações policiais.

Um dos casos mais conhecidos aconteceu em 2010, quando um policial do Bope matou Hélio Ribeiro, no Morro do Andaraí, após confundir uma furadeira com um fuzil. Em 2019, o jovem João Vitor Dias Braga também morreu depois que policiais confundiram outra furadeira com uma arma na Taquara.

Guarda-chuva, macaco hidráulico, saco de pipoca e vassoura

Outros episódios de grande repercussão ocorreram no Leme, onde um homem foi morto carregando um guarda-chuva e um suporte para bebê; em Costa Barros, quando dois jovens levavam um macaco hidráulico na moto; e no Morro do Borel, onde um adolescente foi baleado segurando um saco de pipoca.

Mais recentemente, em 2023, um catador de recicláveis foi morto na Cidade de Deus após policiais confundirem um pedaço de madeira com um fuzil. Já em Belford Roxo, um vigia morreu segurando uma vassoura em frente ao local onde trabalhava.

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Maria Inez Magalhães
Maria Inez Magalhães é editora sênior e repórter especial do Folha do Leste. Jornalista formada pela FACHA, possui mais de 20 anos de experiência, com passagens marcantes pelo jornal O Dia como chefe de reportagem e repórter de Segurança Pública. Especialista em Direitos Humanos, atua na assessoria da ONG Rio de Paz e possui histórico na assessoria de imprensa da ALERJ. É produtora dos documentários ‘Patrícia Acioli, Juíza do Povo’ e ‘Cadê Você?’, além de idealizadora da coluna É O BICHO.

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