O senso comum diz que as Doenças Inflamatórias Intestinais (DII) são problemas de gente jovem. O Maio Roxo, porém, chega para derrubar esse mito com números preocupantes: hoje, até 15% dos novos casos de Doença de Crohn e Retocolite Ulcerativa no país atingem quem já passou dos 60 anos. É um cenário onde o diagnóstico costuma chegar tarde — e muitas vezes, de forma trágica.
O grande vilão aqui é o costume de “normalizar” o mal-estar. No idoso, a doença não costuma dar as caras com crises explosivas logo de início. Ela vem sorrateira, disfarçada de uma anemia que não passa, um cansaço pesado ou aquele emagrecimento que, à primeira vista, ninguém entende o porquê.
Para a médica geriatra Márcia Umbelino, o improviso é o caminho mais curto para complicações graves.
“Não dá para brincar de médico quando o intestino muda o ritmo de repente. Se o hábito intestinal mudou e não volta ao normal, o corpo está dando um sinal claro de que algo vai mal. Na terceira idade, a gente tem essa mania de achar que tudo é natural do envelhecimento, mas sangue nas fezes, dor e perda de peso nunca são ‘coisas da idade'”, dispara a Dra. Márcia.
O desafio de enxergar a doença
Investigar um quadro de DII após os 60 é quase um teste de paciência para o clínico. É que mais de 85% desses pacientes já têm outras doenças e quase 75% tomam um coquetel de remédios todos os dias (a chamada polifarmácia). No meio de tantos comprimidos, os sintomas da inflamação intestinal acabam sendo mascarados ou confundidos com uma diverticulite ou até mesmo câncer.
A médica reforça que o tempo é o maior aliado. “Infelizmente, a mortalidade é mais alta na faixa dos 60 a 69 anos porque o diagnóstico demora meses. Descobrir o problema cedo não é só tratar o intestino; é garantir que esse idoso continue caminhando, saindo de casa e vivendo com dignidade, sem ser derrubado por uma desnutrição que poderia ter sido evitada”, explica a geriatra.
Fique de olho:
- Mudanças no banheiro: Diarreia ou constipação que duram mais de um mês.
- Peso caindo: Emagrecer sem estar de dieta ou malhando.
- Exaustão: Aquele cansaço que o repouso não cura.
- Sangue: Qualquer sinal no vaso sanitário exige exame.
- Dores “chatas”: Cólicas leves, mas que insistem em não ir embora.
O recado do Maio Roxo é simples: autonomia na terceira idade começa pela saúde do que se come e de como o corpo processa isso. O tratamento existe e, quanto antes começar, melhor a vida segue.









