Carlos Macedo, ex-vereador de Niterói, morre aos 70 anos

Ex-vereador Carlos Macedo morreu aos 70 anos após ocupar por mais de três décadas uma cadeira no Poder Legislativo de Niterói | Reprodução
![]() | Por André Freitas Diretor-executivo e repórter do Folha do Leste, desde os anos 1990 cobrindo carnaval direto da Marquês de Sapucaí Do Rio de Janeiro • atualizado em 19/02/2026 às 19h43 EM TEMPO REAL |
Morreu, nesta quarta-feira (18), aos 70 anos, o ex-vereador Carlos Macedo, de Niterói. Ele exerceu sete mandatos no Legislativo municipal, assim como presidiu a Comissão de Orçamento por décadas. A cerimônia de despedida acontece nesta quinta-feira, na Câmara Municipal de Niterói. O corpo do eterno parlamentar, que tinha 70 anos, será velado no Plenário Brígido Tinoco.
Em síntese, Carlos Macedo era um dos seus quadros políticos mais experientes da cidade, sobretudo com larga experiência no manejo orçamentário. Como político, iniciou sua trajetória em 1992, quando venceu sua primeira eleição. Naquela época, obteve 802 votos. Rapidamente, ele assumiu funções de protagonismo no parlamento de Niterói, ocupando a liderança de sucessivos governos, bem como presidindo a Comissão de Orçamento.
Praticamente, exerceu as duas funções de modo quase ininterrupto. Isso porque possuía qualidades relacionadas à sua personalidade que faziam dele um político singular. Carismático, sincero, franco, leal e, acima de tudo, um conciliador.
Justamente por conta de sua postura ética e personalidade genuína, conquistou a confiança de chefes do Executivo, assim como do Legislativo. Sabia como poucos advogar para ambos os lados, sendo justo, ponderado e equilibrado. Ao mediar entraves políticos envolvendo colegas de parlamento, negociava ações políticas.
Na atualidade, Carlos Macedo já fazia falta no parlamento de Niterói. Principalmente quando considerando o ambiente de extrema polarização ideológica que pauta e domina o debate das questões públicas.
O político renovou seu mandato nas eleições de 1996, 2000, 2004 e 2008. Durante esse período, especializou-se na composição de nominatas partidárias. Tal estratégia garantiu sua permanência na Casa por sete legislaturas consecutivas. Além disso, sua atuação técnica sobre as leis orçamentárias conferia estabilidade aos processos financeiros do município.
O caso Lucio do Nevada e o retorno em 2016
Em 2012, após 20 anos de história parlamentar com relevantes serviços prestados à população niteroiense, Carlos Macedo sofreu sua primeira derrota eleitoral. Como resultado, ficou na primeira suplência de seu partido, atrás apenas de Lucio do Nevada.
Contudo, o correligionário eleito foi assassinado antes de tomar posse. Imediatamente, as suspeitas recaíram sobre Calos Macedo, que acabou denunciado à Justiça por suposta autoria intelectual do crime. Entretanto, o Poder Judiciário jamais chegou a julgar o caso.Portanto, nunca comprovou a participação do ex-vereador. Tanto que o político morre sem o processo jamais chegar ao Júri Popular.
Apesar do impacto da acusação em sua imagem pública, Macedo venceu novamente as eleições em 2016. Ele retomou o cargo e manteve sua atuação parlamentar focada no diálogo institucional. Mesmo assim, o episódio de 2012 permaneceu como uma controvérsia em sua biografia. Até mesmo, sem haver julgamento ou condenação através do Poder Judiciário.
Legado e repercussão no parlamento niteroiense
Para o ex-vereador José Augusto Vicente, atualmente presidente da Associação de Fiscais Fazendários de Niterói, a morte de Macedo encerra uma geração que priorizava o compromisso com a palavra empenhada. Ambos atuaram juntos na Legislatura entre 2009 e 2012.
“Ele pertenceu a um tempo em que o interesse coletivo se sobrepunha às conveniências pessoais e em que o diálogo era instrumento de construção, não de confronto. As negociações buscavam conciliar, nunca tumultuar. Sua ausência deixa uma lacuna profunda no cenário político de Niterói e representa uma perda irreparável para a cidade”, ponderou.












































